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XBB.1.5. É mais perigosa? Tudo que se sabe sobre a nova subvariante da Ómicron

Chama-se XBB.1.5, é uma subvariante da Ómicron e está a merecer particular atenção dos cientistas nos Estados Unidos da América. Atualmente, 40.5% dos casos de Covid-19 detetados nesse país foram provocados por esta “nova versão” do vírus. Como surgiu? Transmite-se mais facilmente? E é mais perigosa?

5 Jan 2023 - 10:26

XBB.1.5. É mais perigosa? Tudo que se sabe sobre a nova subvariante da Ómicron

Chama-se XBB.1.5, é uma subvariante da Ómicron e está a merecer particular atenção dos cientistas nos Estados Unidos da América. Atualmente, 40.5% dos casos de Covid-19 detetados nesse país foram provocados por esta “nova versão” do vírus. Como surgiu? Transmite-se mais facilmente? E é mais perigosa?

O coronavírus SARS-CoV-2 surgiu no final de 2019, mas, desde então, as autoridades mundiais de saúde já detetaram inúmeras variantes e subvariantes do vírus. Ultimamente, a variante de preocupação (variant of concern, em inglês) que está a merecer a atenção dos cientistas é a XBB.1.5. Nos Estados Unidos da América, em três semanas, o número de pessoas infetadas com Covid-19 provocado por esta nova subvariante da Ómicron passou de 3,7% dos casos para 40,5%.

Afinal, como surgiu esta nova subvariante? É mais perigosa? O que já se sabe e o que falta saber? Eis o que se sabe (e o que falta saber) sobre a XBB.1.5.

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Variantes e subvariantes da Covid-19. O que são e como surgem?

XBB.1.5. subvariante

Com o objetivo de esclarecer a população sobre o que é uma variante de um vírus, no site do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) compara-se um vírus a uma árvore e os ramos às variantes.

“Se pensarmos num vírus como uma árvore a crescer e a ramificar-se, cada ramo da árvore é ligeiramente diferente dos outros. Ao comparar os ramos, os cientistas podem rotulá-los de acordo com as diferenças. Estas pequenas diferenças, ou variantes, têm sido estudadas e identificadas desde o início da pandemia”, sustenta-se.

Tal como o CDC clarifica, o coronavírus SARS-CoV-2 está em constante mudança, por isso, é expectável que se desenvolvam novas variantes.

Umas persistem e outras desaparecem. Das que ficam, algumas permitem que o vírus se propague mais facilmente, enquanto outras tornam o vírus mais resistente a tratamentos e vacinas.

As variantes Alfa e Delta, por exemplo, caracterizam-se pela sua “maior transmissibilidade”, começa por esclarecer Manuel Carmo Gomes, epidemiologista e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).

Noutro plano, a Ómicron surge numa fase em que a população começou a ganhar imunidade através da vacinação e devido à própria infeção (por vezes, até devido aos dois fatores). 

Esta variante mostrou-se capaz de “fugir aos anticorpos neutralizantes do vírus que circulam no sangue das pessoas depois de terem sido infetadas ou vacinadas”, salienta o médico. 

As subvariantes, tal como o nome indica, são ‘variantes das variantes’. Então, uma vez que a Ómicron é uma variante da Covid-19, isso faz da XBB uma variante da Ómicron e da XBB.1.5 uma subvariante.

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Como surgiu a XBB.1.5?

XBB.1.5. subvariante

Na comunidade médica, acredita-se que, durante a evolução da Ómicron, “houve pessoas que permaneceram infetadas durante bastante tempo”, adianta o especialista.

Acontece que, tal como explica Carmo Gomes, “há a possibilidade de uma pessoa ser infetada por duas versões diferentes do vírus, quando é imunossuprimida ou tem dificuldade em libertar-se do vírus”, por exemplo.

A título de exemplo, se as variantes da Ómicron “BA.2” e “BA.5” estiverem a circular, “uma pessoa pode ser infetada pela BA.2 e, passados dois ou três dias, ser infetada pela BA.5 – tem uma coinfeção”.

Foi assim que surgiu na Ásia, pela primeira vez, a XBB. “Houve alguém infetado por duas linhagens [ou variantes], dando origem a uma versão nova do vírus”, informa a mesma fonte.

“Nos Estados Unidos”, continua o especialista, “há pelo menos um mês, foi detetada uma descendente desta XBB, a XBB.1.5”.

De acordo com os dados mais recentes do CDC, 40.5% dos casos de Covid-19 registados nos Estados Unidos são provenientes da subvariante XBB.1.5. Sendo que, ainda há três semanas, esta linhagem só se verificava em 3,7% dos casos.

O que se sabe sobre a nova subvariante da Ómicron?

XBB.1.5. subvariante

Segundo Manuel Carmo Gomes, tal como as outras subvariantes da Ómicron, esta também é bastante transmissível e possui uma grande capacidade em ‘fugir’ aos anticorpos.

Contrariamente às outras, o epidemiologista destaca que já se percebeu, através de trabalhos laboratoriais, que esta linhagem “aumentou a sua afinidade na entrada do vírus nas células”. 

Simplificando, existem “umas portas de entrada nas nossas células que o vírus utiliza para penetrar”. Há versões do vírus com menor ou maior capacidade de abrir essas portas e entrar. Neste caso, a XBB.1.5 desenvolveu a habilidade de entrar com mais facilidade nas células do organismo humano. 

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É mais perigosa?

XBB.1.5. subvariante

“Até ao momento, não existe nenhuma evidência que ela seja mais patogénica do que todas as outras versões do vírus”, salvaguarda o professor da FCUL. 

É verdade que as hospitalizações nos EUA aumentaram. No entanto, na perspetiva do médico, isso pode dever-se ao aumento do número de casos no país.   

“É evidente que, quando aumentam os casos, também aumentam as hospitalizações”. Ainda assim, “não houve um aumento desproporcionado das hospitalizações relativamente ao número de casos”, sustenta. 

Prevê-se que esta subvariante continue a espalhar-se. Contudo, reforça, “não existe evidência de que, pelo menos para uma população bem vacinada como a nossa, ela seja um perigo em termos de patogenicidade”.

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É provável que haja um aumento do número de casos de Covid-19, mas toda a imunidade já adquirida irá, à partida, impedir o desenvolvimento de doença grave na população em geral.

Na visão do epidemiologista, o maior constrangimento de uma propagação futura desta variante será o entupimento das urgências que, devido à altura do ano, já se encontram “sobrecarregadas com todos os vírus respiratórios, incluindo a gripe e o vírus sincicial respiratório”.

Apesar de tudo, “não há motivo de preocupação para já”. O especialista realça que ainda é necessário aguardar atentamente e estudar mais a XBB.1.5. 

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Covid-19

5 Jan 2023 - 10:26

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