Mitos
Não, rapar os pêlos não os torna mais espessos e fortes
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Não, rapar os pêlos não os torna mais espessos e fortes

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Nas redes sociais continua-se a ser partilhada a convicção de que o método utilizado para eliminar os pêlos tem influência nas suas características. Neste tweet, por exemplo, partilhado no dia 2 de novembro de 2020, a internauta afirma: “Comecei a depilar aos 11 [anos], todas as meninas já depilavam, já tinha sido constrangida pelos meus pêlos do sovaco, rosto e pernas. ‘Faz com cera senão cresce mais grosso’ falavam. Tentei cera, mas doía demais, encravava os pêlos, raspar também inflamava tudo. Levou anos para conseguir”.

Num outro tweet, publicado no dia 4 de junho de 2020, desabafa: “Sim, uma vez disseram que eu tinha mais pêlos no braço que um menino. Aí no mesmo dia eu raspei tudo, mas minha mãe disse que fica mais grosso se raspar, aí eu parei só que no ano passado eu tirei com cera (dor quase insuportável) e depois não tirei mais”.

Afinal, como se processa o nascimento e o crescimento dos pêlos?

O dermatologista António F. Massa explica ao Viral que o ciclo do pêlo tem três fases principais: anagénese, catagénese e telogénese. Numa primeira fase, a anagénese, dá-se o “crescimento dos pêlos (85 por cento), que pode variar de meses a seis anos, sendo em parte geneticamente controlada. O comprimento da haste capilar será diretamente proporcional desde que não haja interrupção da mesma”. Segue-se a catagénese que se traduz na paragem do crescimento e, por fim, a telogénese, em que 4 a 15 por cento dos pelos estão numa fase de repouso. Enquanto o pêlo antigo repousa, um novo começa a fase de crescimento.

Relativamente ao tempo de vida dos pêlos não há grandes certezas. O especialista aponta que, “quando falamos do couro cabeludo, temos cerca de 100.000 folículos, cada um com um ciclo de cerca de 1000 dias. Os folículos no corpo e os do couro cabeludo não têm ciclos síncronos e têm diferentes periodicidades. Cada folículo piloso parece ter um ritmo intrínseco. Por isso, a natureza do controlo intrínseco do folículo piloso e o mecanismo segundo o qual a depilação ou a cicatrização os afeta são desconhecidos”.

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A forma como se deve ou não tirar os pêlos depende, segundo o médico, do “tipo de pele e pêlo, com a irritação causada no mesmo, com a conveniência do mesmo, e com a possibilidade ou não da realização de depilação a laser”.

É verdade que rapar os pêlos faz com que nasçam mais fortes?

Não há evidência que permita afirmar isso”, começa por dizer o dermatologista. “A forma como se tira os pêlos só influencia o tempo de crescimento e a forma como se observa” os mesmos. António F. Massa explica que “quando o pêlo é arrancado, vai demorar mais tempo a atingir o mesmo comprimento do que quando é ‘rapado’. A forma como se examina também muda, dado que a observação pode variar conforme o perfil analisado. O facto de a superfície de corte ser oblíqua ou espelhar o crescimento do pêlo desde o início pode dar a sensação de diferente grossura, mesmo que a espessura não seja diferente”.

A forma como se deve ou não tirar os pêlos depende, segundo o médico, do “tipo de pele e pêlo, com a irritação causada no mesmo, com a conveniência do mesmo, e com a possibilidade ou não da realização de depilação a laser”.

Existem vários motivos que explicam o facto de algumas pessoas serem mais peludas do que outras, entre os quais os fatores genéticos têm uma grande relevância.

A depilação a laser surge como a forma mais eficaz de tirar os pêlos, mas é preciso ter vários cuidados. “A pele não deve estar bronzeada para que toda a energia do laser seja absorvida e assim destruir o folículo piloso”. Caso contrário, “pode ocorrer queimadura pelo facto do bronzeado ter um comprimento de onda semelhante ao que existe no pêlo, absorver a luz e como tal fazer queimadura”, clarifica o médico.

Existem vários motivos que explicam o facto de algumas pessoas serem mais peludas do que outras, entre os quais os fatores genéticos têm uma grande relevância. “A sensibilidade a diferentes estímulos hormonais, como por exemplo as hormonas androgénicas têm impacto na diferenciação do tipo de pêlo” (o velo – mais pequeno, fino, macio e pouco pigmentado – e o terminal – mais grosso, longo e pigmentado) e na distribuição do mesmo.

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“Outros estímulos relevantes prendem-se com a hormona de crescimento, hipotiroidismo, gravidez, anemia, má-nutrição, variação individual e racial”, conclui.

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Depilação | Mitos | Pêlos

23 Mai 2022 - 09:00

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