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Xarope de abacaxi e hortelã de folha larga elimina o catarro?

27 Fev 2025 - 09:40
falso

Xarope de abacaxi e hortelã de folha larga elimina o catarro?

Diz-se nas redes sociais que um xarope de abacaxi e hortelã de folha larga elimina o catarro dos pulmões e da face. O autor do vídeo recomenda este remédio caseiro a pessoas que estão a “sofrer com sinusite, rinite alérgica e tosse seca”.

Para o efeito, diz que deve ser utilizado um “abacaxi maduro” que tenha “bastante caldo” e hortelã de folha larga, também conhecida como hortelã grossa.

Segundo o mesmo vídeo, para fazer a receita, as pessoas devem pôr em lume brando açúcar branco e mexer até formar o género de “caramelo”. Posteriormente, devem adicionar as folhas da hortelã e o abacaxi cortado em pedaços. Depois de cozinhar durante cerca de 10 minutos, o xarope deve ser conservado no frigorífico.

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O autor do vídeo recomenda que as crianças tomem 3 a 4 colheres por dia do remédio caseiro e os adultos 4 ou 5, durante 4 dias. Na mesma publicação, garante que os resultados são visíveis a partir da segunda toma. Mas será esta receita caseira eficaz?

É verdade que um xarope de abacaxi e hortelã de folha larga elimina o catarro dos pulmões e da face?

Em declarações ao Viral, David Barros Coelho, pneumologista na Unidade Local de Saúde de São João, diz que “não existe evidência científica robusta” sobre a utilização de xarope de abacaxi e hortelã da folha larga para o tratamento do catarro. 

O médico refere que as recomendações médicas devem basear-se em evidência científica com “estudos randomizados, revistos e publicados em revistas científicas”, o que “não existe neste caso”.

Ao Viral, esclarece que o catarro é o termo popular que se refere a secreções provenientes da via aérea superior (nariz e garganta) ou da “porção mais inferior” do sistema respiratório (traqueia e pulmões). É habitualmente associado a “alguma inflamação, infeção vírica ou bacteriana”.

Apesar de existir “alguma evidência”, ainda que “escassa”, que associa a hortelã a propriedades anti-inflamatórias e antibióticas, não estão estabelecidas as doses, tipos de hortelã, tempos de utilização nem a “utilização nas diferentes situações” associadas à produção de muco.

David Barros Coelho refere que este remédio caseiro não deverá ser prejudicial para alguns pacientes, contudo, deve ser ingerido com “cautela”.

O xarope “pode dar um alívio sintomático imediato” e hidrata, o que promove “maior fluidez e capacidade de eliminação de secreções”, reconhece o médico. Contudo, defende que “existem outras formas mais estudadas e recomendadas” para o efeito.

O pneumologista alerta que a ingestão destas mezinhas não substitui o diagnóstico e tratamento prescrito pelo médico e pode atrasar a procura de cuidados médicos.

“Sempre que os sintomas são mantidos no tempo, a utilização destes remédios caseiros não deve atrasar nem substituir a avaliação médica pois existem doenças graves ou com potencial de progressão que se manifestam com este sintoma”, afirma.

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Por exemplo, se o início do tratamento de uma pneumonia for tardio, pode-se evoluir para uma “pneumonia complicada com derrame pleural e eventualmente septicemia”.

As pessoas com doença crónica, imunossupressão ou idades mais avançadas deverão “discutir previamente” com o médico se podem ingerir o xarope, visto que este pode interagir com a medicação crónica.

Catarro: por que razão surge?

O pneumologista consultado pelo Viral explica que a produção de secreções pelas vias respiratórias é uma “resposta natural a um estímulo tóxico, muitas vezes infeccioso ou alérgico”. Contudo, avisa que “não é normal” ter catarro cronicamente.

O mecanismo pretende que as secreções “aprisionem as partículas de vírus, bactérias ou alergénios”. 

“Quando o indivíduo tosse expele estas secreções e ‘protege’ o pulmão”, acrescenta.

Já num texto do National Institutes of Health, que cita Andrew Lane, otorrinolaringologista da Universidade Johns Hopkins, escreve-se que o “muco é importante para filtrar” o que se respira, como poeira e microrganismos”, ou seja, cria uma “camada de proteção”.

O doente deve estar atento à “cor, cheiro e viscosidade” do catarro. Se existir perda de sangue isolada ou misturada com a expetoração, é um “sinal de alarme”, alerta o pneumologista da Unidade Local de Saúde de São João.

Adicionalmente, a pessoa deve ser vista por um médico se existir febre persistente, dor no peito, pieira ou falta de ar.

Esta ideia é defendida num texto do SNS britânico, que diz que deve ir ao médico com urgência se tiver dificuldade em respirar, dor no peito, tossir sangue ou caso se sinta muito sonolento ou confuso.

No caso de ter catarro durante “semanas, meses ou anos”, deve ser feito um “estudo mais aprofundado”, sinaliza o médico consultado pelo Viral.

Catarro: qual o tratamento?

O especialista em pneumologia adianta que, se houver uma infeção bacteriana dos seios nasais e dos pulmões, o uso de antibiótico vai “diminuir a quantidade e melhorar as características da expetoração”, isto é, ficar mais clara e menos espessa.

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Em caso de alergias, a solução é a toma de antialérgicos, anti-histamínicos e medicação tópica (sprays nasais).

David Barros Coelho destaca ainda a importância da “hidratação abundante”, que torna as secreções “fluidas” e, consequentemente, aumenta a probabilidade de as expulsar.

São também “frequentemente” utilizadas “medicações fluidificadoras de secreções”, como acetilcisteina e carbocisteina.

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Pneumologia

27 Fev 2025 - 09:40

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