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Whisky e vinho são as bebidas alcoólicas mais saudáveis? “Nenhum nível de consumo de álcool é seguro”

8 Set 2026 - 08:15

Whisky e vinho são as bebidas alcoólicas mais saudáveis? “Nenhum nível de consumo de álcool é seguro”

Num vídeo partilhado no TikTok alega-se que o whisky e o vinho, quando consumidos com moderação, são “duas das bebidas alcoólicas mais saudáveis que existem no mundo”. 

Segundo o autor do post, “um copo de vinho no final da noite melhora muito a nossa saúde”, sobretudo antes de dormir, porque “ajuda a reduzir o colesterol e os seus antioxidantes promovem uma boa circulação sanguínea”. Além disso, acrescenta-se, o vinho ajuda “pacientes com Alzheimer” e ajuda a perder peso.

Em relação ao whisky, sugere-se que esta bebida “ajuda a diminuir os riscos de doenças cardiovasculares”, além de diminuir o risco de demência. Mas não existem bebidas alcoólicas saudáveis, já que os riscos se sobrepõem aos potenciais benefícios de consumir qualquer bebida que contenha álcool. Perceba porquê.

O whisky e o vinho são bebidas saudáveis?

Não existem bebidas alcoólicas saudáveis. Aliás, tal como a Organização Mundial da Saúde (OMS) já anunciou, “nenhum nível de consumo de álcool é seguro para a nossa saúde”.

Para identificar um nível seguro de consumo de álcool, “seria necessário que evidências científicas válidas demonstrassem que, a partir de um determinado nível ou abaixo dele, não existe risco de doença ou lesão associado ao consumo de álcool”.

Contudo, as evidências atuais “não permitem indicar a existência de um limiar a partir do qual os efeitos cancerígenos do álcool ‘se ativam’ e começam a manifestar-se no corpo humano”, explica-se no texto da OMS.

Além disso, “não existem estudos que demonstrem que os potenciais efeitos benéficos do consumo leve e moderado de álcool nas doenças cardiovasculares e na diabetes tipo 2 superem o risco de cancro associado a esses mesmos níveis de consumo de álcool para cada consumidor individual”.

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Ao contrário do que se alega no vídeo partilhado no TikTok, não há provas de que o whisky, o vinho, ou qualquer outra bebida alcoólica, tenham efeitos positivos na prevenção ou no tratamento da demência, nomeadamente no Alzheimer. As diretrizes atualizadas sobre os fatores de risco para a demência revelam que “não é possível recomendar qualquer nível de consumo de álcool isento de riscos para a saúde cognitiva”. 

Tal como o Viral já esclareceu, num artigo anterior, também não há evidência científica que comprove que beber vinho ajuda a perder peso.

Embora não exista um nível seguro de consumo de álcool, os dados disponíveis indicam que o risco de desenvolver cancro tende a aumentar com o consumo.

Ainda assim, “os dados mais recentes disponíveis indicam que metade de todos os cancros atribuíveis ao álcool na Região Europeia da OMS são causados pelo consumo ‘ligeiro’ e ‘moderado’ de álcool — menos de 1,5 litros de vinho, menos de 3,5 litros de cerveja ou menos de 450 mililitros de bebidas espirituosas por semana”, salienta a OMS, no texto sobre o consumo de álcool.

No caso do vinho, por exemplo, a discussão sobre a relação risco-benefício já é antiga. Os benefícios do vinho tinto para a saúde são frequentemente atribuídos aos polifenóis, compostos naturais de origem vegetal com uma ação antioxidante e anti-inflamatória (ver aqui).

Existem vários tipos de polifenois no vinho tinto, dos quais se destaca o resveratrol, que tem sido estudado quanto a possíveis efeitos na saúde, nomeadamente na prevenção do cancro.

Contudo, refere-se num texto publicado no site do Centro Oncológico MD Anderson da Universidade de Texas, até à data, não há evidência que permita concluir que o vinho reduz o risco de cancro.

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Até porque o problema não é uma ou outra bebida alcoólica, é o etanol (álcool) presente em todas. O álcool presente nas bebidas “é uma substância tóxica, psicoativa e que provoca dependência, tendo sido classificado há décadas pela Agência Internacional para a Investigação do Cancro como um carcinogéneo do Grupo 1 — este é o grupo de perigo mais elevado, que inclui também o amianto, a radiação e o tabaco”, sublinha a OMS. 

Esta substância está associada a “pelo menos sete tipos de cancro”: cavidade oral, orofaringe, esófago, fígado, laringe, colorretal e mama nas mulheres (ver também aqui).

Isto porque o etanol é “metabolizado num composto chamado acetaldeído, que danifica o ADN e outros componentes celulares”, explica-se num texto da Stanford Medicine.

Quando o acetaldeído “se acumula no organismo pode danificar células em todo o sistema digestivo e noutros órgãos” (ver também aqui).

Os pontos de contacto iniciais — boca, garganta, esófago e estômago — “são os mais vulneráveis, razão pela qual estas áreas apresentam algumas das ligações mais fortes aos cancros relacionados com o álcool”, lê-se no mesmo texto.

Mas os efeitos negativos do álcool não ficam por aqui. “O acetaldeído e outros efeitos metabólicos do álcool também afetam o fígado, onde contribuem para a inflamação e a esteatose hepática [fígado gordo], e o cérebro, onde perturbam a sinalização relacionada com o humor, a memória e a tomada de decisões”.

Estudos mais recentes revelam, também, que “o álcool pode interferir com o sistema imunitário e acelerar os sinais moleculares do envelhecimento”.

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Nos últimos anos, tem sido estabelecida uma ligação clara entre o álcool e a saúde mental. “Mesmo em pessoas que não sofrem de perturbação por consumo de álcool, o consumo de álcool pode afetar outras condições psiquiátricas”, sublinha-se.

Em suma, qualquer bebida alcoólica tem riscos para a saúde, independente do tipo, marca ou qualidade, porque o principal problema destas bebidas é o álcool presente em todas. Apesar de alguns compostos de bebidas alcoólicas poderem ter certos benefícios, a evidência mostra que não compensam os riscos. Assim, não se pode afirmar que o whisky, o vinho ou qualquer outra bebida alcoólica seja saudável.

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Álcool

8 Set 2026 - 08:15

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