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Vontade constante de comer chocolate é sinal de défice de magnésio?

26 Nov 2024 - 09:58
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Vontade constante de comer chocolate é sinal de défice de magnésio?

Já sentiu uma vontade constante e quase incontrolável de comer chocolate? Nas redes sociais, alega-se que esse desejo pode estar associado a níveis baixos de magnésio no organismo.

Vídeos publicados no Tik Tok afirmam que as vontades constantes de comer determinados alimentos “não são aleatórias”, em vez disso, devem ser entendidas como “sinais” do corpo

No caso do chocolate, afirma-se que o desejo constante está relacionado com uma deficiência de magnésio porque o cacau – um dos principais ingredientes – é rico neste mineral. Dados do Departamento norte-americano de Agricultura mostram que 100 gramas de chocolate negro (com 70% a 85% de cacau) contêm 228 mg de magnésio.

Mas é verdade que os desejos por chocolate estão relacionados com uma deficiência deste nutriente no organismo? Uma endocrinologista e uma nutricionista explicam ao Viral o que diz a ciência.

Desejo de comer chocolate deve-se a défice de magnésio?

Na verdade, “ter vontade de comer chocolate constantemente não significa obrigatoriamente que haja deficiência de magnésio”, explica ao Viral a nutricionista Helena Trigueiro. Existem outras razões que podem justificar este desejo.

Além de ser doce, o chocolatepode interagir com alguns sistemas neurotransmissores” – tais como a dopamina, a serotonina e as endorfinas – que vão “contribuir para a regulação do apetite, [dos centros de] recompensa e do humor”.

Essa sensação de “prazer” é também referida pela endocrinologista Paula Freitas, professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM).

A especialista esclarece que a vontade constante de comer chocolate pode estar relacionada com uma “fome emocional”, que, através deste alimento, procura “colmatar alguma insatisfação” da pessoa.

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Os desejos por chocolate e a vontade constante de comer este alimento têm sido estudados ao longo de décadas. Um artigo científico, publicado em 1999, refere que o “fator predominante” para os desejos constantes de comer chocolate é o seu “hedónico apelo” – nomeadamente por ser um alimento com gordura e açúcar que tem uma textura e um aroma agradáveis.

Os autores admitem que o défice dietético (por exemplo, de magnésio) pode contribuir para esta vontade de comer chocolate, mas referem que existem outras razões – tais como as flutuações hormonais que ocorrem antes e durante a menstruação.

“Provavelmente, a combinação das características sensoriais do chocolate, a composição nutricional e os ingredientes psicoativos, agravado pela flutuação hormonal mensal e alterações de humor nas mulheres, irá, em última análise, provocar o modelo de desejos constante por chocolate”, pode ler-se.

Noutro artigo, publicado em 2012 por um investigador português, afirma-se que as razões associadas à vontade constante de comer chocolate têm sido alvo de especulações – “na maioria das vezes, com evidência insuficiente”.

“Muitos especialistas afirmam que as propriedades sensoriais do chocolate e o desejo por uma gratificação sensorial através do chocolate são suficientes para explicar a motivação para comer chocolate”, escreve ainda o investigador.

Quais os principais sintomas do défice de magnésio?

A vontade constante de comer chocolate não aparece listada como um dos sinais de deficiência de magnésio. Também não é referido como uma forma de tratamento.

“Os primeiros sinais de deficiência de magnésio incluem fraqueza, perda de apetite, fadiga, náuseas e vómitos”, explica Helena Trigueiro. Em situações mais graves, “podem surgir complicações como contrações e cãibras musculares, arritmias cardíacas e convulsões, entre outros”. 

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Segundo a publicação norte-americana MedlinePlus, os sintomas mais comuns de deficiência de magnésio são “movimentos oculares anormais (nistagmo), convulsões, fadiga, espasmos musculares ou cãibras, fraqueza muscular e dormência”.

A deficiência de magnésio pode ser causada por vários fatores, incluindo o consumo de álcool, diarreia crónica, desnutrição, pancreatite, micção ou suores excessivos, perturbações nos túbulos renais, entre outras. Pode também estar associado à toma de alguns medicamentos.

O serviço de saúde britânico (NHS, na sigla inglesa) explica que o “magnésio é encontrado numa grande variedade de alimentos, incluindo espinafres, nozes e pão integral” – não há referência ao chocolate como sendo uma fonte de magnésio.

A dose diária recomendada de magnésio para os adultos, dos 19 aos 64 anos, varia entre os 270 mg e os 300 mg, para mulheres e homens, respetivamente. A ingestão de doses elevadas de magnésio (mais de 400 mg) “pode causar diarreia”.

Em suma, embora o chocolate negro (com elevado teor de cacau) seja uma fonte de magnésio, não significa que sentir o desejo de comer este alimento esteja relacionado com deficiência deste micronutriente. Existem várias razões associadas à vontade de comer chocolate, desde a busca por uma sensação de prazer às flutuações hormonais associadas ao ciclo menstrual.

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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

The sole responsibility for any content supported by the European Media and Information Fund lies with the author(s) and it may not necessarily reflect the positions of the EMIF and the Fund Partners, the Calouste Gulbenkian Foundation and the European University Institute.

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