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Estudo prova que vacinas contra a Covid-19 causam “magnetismo”?

4 Jul 2025 - 08:45
falso

Estudo prova que vacinas contra a Covid-19 causam “magnetismo”?

Nas redes sociais, alega-se que um estudo recente prova que as vacinas contra a Covid-19 causam “magnetismo”. Numa publicação do Facebook, por exemplo, sugere-se que este “estudo revisto por pares”, publicado no International Journal of Innovative Research in Medical Science, “documenta o magnetismo pós-vacina”, ao apresentar uma “série de relatos de casos”. Será mesmo assim? O documento citado mostra “magnetismo” após a vacinação contra a Covid-19?

É verdade que um estudo recente prova que as vacinas contra a Covid-19 causam “magnetismo”?

Não. O documento citado nas redes sociais não prova que as vacinas contra a Covid-19 provocam “magnetismo”. Aliás, alegações semelhantes sobre a vacinação têm sido desmistificadas, desde a pandemia, por várias plataformas de fact-checking (ver aqui e aqui) e organizações e instituições internacionais de saúde (ver aqui e aqui).

Em primeiro lugar, é importante esclarecer que o documento apresentado nas publicações partilhadas nas redes sociais não é propriamente um estudo científico. Este trabalho, publicado no International Journal of Innovative Research in Medical Science (IJIRMS), trata-se de um relato de seis casos baseados num questionário.

O objetivo do trabalho em questão, tal como sugere o título, era investigar a alegada relação entre as vacinas contra a Covid-19 e o “magnetismo”.

Segundo os autores, os casos reportados correspondem a seis pessoas que, depois de serem vacinadas, relatam ter desenvolvido “uma força magnética invulgar em que objetos externos, como colheres metálicas, se fixam ao seu corpo”, referem.

No entanto, existem vários indicadores e limitações que põem em causa não só a robustez do trabalho, mas também a credibilidade da informação transmitida.

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Por um lado, em investigações que seguem o método científico, o número de participantes é essencial. Neste caso, a amostra é muito pequena, pois só são relatados seis casos. Esta questão, por si só, é uma limitação importante que impede que se chegue a uma conclusão.

Além disso, o trabalho é feito exclusivamente com base em questionários. Os autores não aplicam qualquer método prático que permita confirmar ou validar o “magnetismo” relatado após a vacinação contra a Covid-19.

Além disso, uma das pessoas que participou na investigação referiu que o filho de 10 anos não foi vacinado e “começou a sentir o mesmo fenómeno”, o que também põe em causa a associação deste suposto evento às vacinas.

Apesar de todas as limitações do trabalho, os autores do texto fazem uma conclusão taxativa: “o fenómeno do magnetismo é real e não um efeito nocebo”.

O efeito nocebo é o contrário do efeito placebo. Por um lado, o efeito placebo traduz-se na melhoria da saúde de uma pessoa após ser submetida a um tratamento sem um efeito terapêutico específico.

Já no efeito nocebo, explicava Miguel Ricou, em declarações anteriores ao Viral, a expectativa da pessoa em relação à intervenção pode fazer com que tenha “sintomas de prejuízo”.

Estes efeitos têm um papel fundamental em contexto de investigação (ver aqui). Por esse motivo, com base neste trabalho, não se pode assumir, sem as devidas provas científicas, que o magnetismo é um efeito secundário das vacinas contra a Covid-19.

Importa ainda salientar que o estudo em questão foi publicado no IJIRMS, que faz parte de várias listas de “revistas potencialmente predatórias” (ver aqui e aqui).

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As revistas predatórias (ou duvidosas) “seguem um modelo de negócio em que é oferecida aos autores a publicação do seu trabalho científico mediante o pagamento de uma taxa, sem o processo de garantia de qualidade e a supervisão editorial esperados das revistas académicas legítimas”, explica-se no site da biblioteca da Universidade Técnica de Munique. 

O IJIRMS também não faz parte da PubMed, a base de dados mais conceituada e utilizada para pesquisar, sobretudo, literatura biomédica.

Esta ideia de que as vacinas contra a Covid-19 causam “magnetismo” circula desde 2021. No entanto, várias organizações internacionais de saúde já esclareceram a questão.

Num texto dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla inglesa) refere-se que “todas as vacinas contra a Covid-19 são isentas de metais”.

Também,num texto alojado no site da UNICEF, explica-se que “receber uma vacina contra a Covid-19 não o tornará magnético”.

Segundo o mesmo texto, “as vacinas contra a Covid-19 não contêm ingredientes que possam produzir um campo eletromagnético no local da injeção”.

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No site do Infarmed também estão disponíveis documentos em que se listam todos os ingredientes de todas as vacinas contra a Covid-19 aprovadas em Portugal, e em nenhum deles se refere a presença de metais ou o “magnetismo” como efeito secundário.

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Covid 19 | vacinas

4 Jul 2025 - 08:45

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