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Usar gorros de poliéster pode provocar cancro?

10 Dez 2025 - 08:45
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Usar gorros de poliéster pode provocar cancro?

Num vídeo com mais de 200 mil visualizações, um homem alega que “usar gorros de poliéster causa cancro”. “Esta é uma das peças mais tóxicas que se pode ter em casa”, diz o homem, acrescentando que este componente é um disruptor endócrino.

Segundo o mesmo vídeo, os gorros são particularmente “perigosos” porque a testa, logo a seguir aos genitais, é a zona do corpo com maior taxa de absorção

Mas será mesmo assim? Usar um gorro pode mesmo causar cancro? 

Usar gorros de poliéster pode provocar cancro?

Não, a afirmação é falsa, diz Pedro Vilas Boas, dermatologista. O poliéster é feito com petróleo, sim, mas isso não significa que usar roupas ou acessórios que o contenham cause cancro.

“A quantidade é ínfima”, diz o médico, “indetetável no sangue”. “Mesmo quem trabalha na produção desse tipo de material está exposto a quantidades muito baixas”, que não têm implicações na saúde.

Além disso, “a União Europeia é muito rigorosa” em relação às quantidades permitidas “dos produtos que contactam com as pessoas, seja na roupa, nos perfumes ou cosméticos”. Ou seja, fica reforçada a ideia de que não há forma nenhuma de um gorro de poliéster provocar cancro.

“E também não é um disruptor endócrino, como se diz no vídeo”, sublinha Pedro Vilas Boas.

Não é verdade que, a seguir aos genitais, a pele da testa é a que “mais absorve toxinas” — outra das alegações do vídeo.

A dos genitais é, de facto, “a que mais absorve”. Depois, considera o médico, será a das “pálpebras e das pregas (axilas, virilhas, pescoço)”. “A seguir viria a face”, o que não quer dizer que a absorção seja muito alta, é semelhante a outras partes do corpo, como a barriga ou os braços, de acordo com o dermatologista.

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“Pode usar-se gorros à vontade”, conclui Pedro Vilas Boas, o poliéster não pode provocar cancro nem qualquer outro problema de saúde. Para essa hipótese poder sequer ser posta em cima da mesa era necessário existir em quantidades astronómicas nos tecidos.


Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.

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A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.

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10 Dez 2025 - 08:45

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