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Tremor no olho pode ser um “sinal” de stress?

19 Ago 2024 - 03:02
verdade-mas

Tremor no olho pode ser um “sinal” de stress?

Sente que a sua pálpebra começa a tremer, e, por mais que tente fechar e abrir o olho, os pequenos espasmos não param e prolongam-se durante alguns segundos, minutos ou até horas? Nas redes sociais afirma-se que este tremor no olho é um “sinal do corpo” de que está a “ter uma vida muito stressante” – seja a nível físico ou emocional – e aconselha-se que aproveite este “sinal” para repensar o seu descanso.

Estes tremores nas pálpebras têm o termo clínico de mioquimia palpebral. No entanto, podem ser confundidos com blefaroespasmos. Duas especialistas em oftalmologia explicam ao Viral as diferenças entre estas duas condições e quais os fatores de risco para os tremores.

Tremor no olho: Espasmos na pálpebra podem ser sinal de stress?

Os tremores nos olhos mais comuns são chamados de a mioquimia palpebral. Estes tremores involuntários são benignos e resultam de uma “série de descargas neurológicas” sobre os músculos – comuns em situações de stress.

Enquanto a mioquimia palpebral é caracterizada por leves espasmos na pálpebra, “sem que feche o olho”, o blefaroespasmo leva a um piscar involuntário e repetido, podendo fechar completamente o olho, explica ao Viral Ângela Carneiro, médica oftalmologista e professora na Faculdade de Medicina da Universidade Porto (FMUP).

Foquemo-nos, por isso, na mioquimia palpebral.

Joana Cardigos, oftalmologista no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central e secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), explica que, embora haja poucos estudos sobre a esta condição, acredita-se a mioquimia palpebral possa estar associada a “stress e cansaço”, “falta de sono” ou consumo excessivo de cafeína.

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Um artigo explicativo assinado por dois investigadores reforça que esta condição pode estar associada a “stress, fadiga e consumo de cafeína”. O tabaco, o estilo de vida e alguma medicação podem também precipitar os tremores no olho.

Os autores do artigo descrevem que a mioquimia palpebral consiste “em contrações espontâneas, suaves, constantes e onduladas” que se espalham pelo músculo orbicular do olho (responsável pela abertura e fecho da pálpebra). Apesar de poderem ocorrer em diferentes músculos, estes são os “tipos mais comum de mioquimias faciais”.

Outro artigo refere que as mioquimias palpebrais “são geralmente benignas, autolimitadas e não estão associadas a qualquer doença”. Explica-se ainda, no mesmo texto, que entre os possíveis fatores potenciadores desta condição estão o “stress, a fadiga e a ingestão excessiva de cafeína ou de álcool”.

Por outro lado, o blefaroespasmo ocorre “quando a parte do cérebro que controla os músculos das pálpebras deixa de trabalhar corretamente”, explica o Instituto Americano do Olho

Apesar de haver pouca evidência sobre esta condição, sabe-se que ocorre com maior frequência em mulheres entre os 40 e os 60 anos e acredita-se que possa haver uma componente hereditária.

Se sentir tremor nas pálpebras “durante mais de algumas semanas”, se o olho “fechar completamente quando há o tremor” ou se “outras partes da cara começarem a tremer”, deverá procurar ajuda médica especializada para realizar o diagnóstico diferenciado.

Estes tremores têm tratamento? Como reduzi-los?

As mioquimias palpebrais não precisam de ser tratadas e não são sinal de algo grave, explicam ambas as especialistas contactadas pelo Viral. “Trata-se de um tremor benigno, transitório e autolimitado”, tranquiliza Joana Cardigos.

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No artigo explicativo sobre esta condição refere-se também que as contrações musculares são “autolimitadas, periódicas e duram entre segundos e horas”. Em algumas situações, podem tornar-se “crónicas”, prologando-se por “dias e até semanas”.

“O sexo feminino e temperaturas frias são fatores de risco para mioquimias palpebrais crónicas”, pode ainda ler-se.

Existem outros fatores agravantes das mioquimias palpebrais. Passar muito tempo a olhar para ecrãs e não usar óculos graduados (quando prescritos) podem aumentar a ocorrência deste tremor, afirma Ângela Carneiro.

Por serem transitórias e autolimitadas, a melhor forma de reduzir estes tremores no olho é atuar nos fatores de risco. As duas especialistas aconselham a reduzir os níveis de stress, relaxar, dormir bem, diminuir o consumo de cafeína e não pensar demasiado no assunto.

Se a situação se prolongar, poderá “fazer uma ligeira massagem no local” para aliviar o tremor, acrescenta Ângela Carneiro. É também aconselhado manter os olhos bem hidratados, alterar as graduações dos óculos ou das lentes sempre que necessário e promover a saúde da visão.

Noutro plano, ao contrário da mioquimia, os blesfaroespasmos não têm cura. No entanto, os sintomas desta condição podem ser aliviados por via de injeções de toxina botulínica (botox) ou cirurgicamente.

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Alterações ao estilo de vida – reduzindo o stress, mantendo uma boa higiene de sono, e diminuir a ingestão de cafeína – também poderão ajudar no tratamento desta condição

Em conclusão, é verdade que os tremores nos olhos (mioquimia palpebral) estão, por vezes, associados a situações de stress, embora possam ser potenciados por outros fatores como o cansaço ou a ingestão de cafeína. No entanto, na maior parte dos casos, trata-se de um tremor benigno, sem necessidade de tratamento diferenciado.

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Oftalmologia

19 Ago 2024 - 03:02

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