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Tratamentos do cancro podem causar desidratação?
Os tratamentos do cancro, como a quimioterapia, a radioterapia e a imunoterapia, estão associados a alguns efeitos secundários, tais como vómitos, diarreia e perda de apetite. Mas será que os tratamentos do cancro também podem causar desidratação?
É verdade que os tratamentos do cancro podem causar desidratação?
Alguns tratamentos do cancro, como a quimioterapia, as terapias direcionadas e a imunoterapia, podem causar vómitos, diarreia, suor devido à febre, perda de apetite e dificuldade em engolir. O doente “também pode perder líquidos do estômago ou intestino se tiver tubos ou drenos após a cirurgia”, sublinha-se num texto do Cancer Research UK.
Estes efeitos secundários, quando graves, podem impedir que coma e beba o suficiente “ou fazer com que perca mais líquidos e sais (eletrólitos) do corpo do que aqueles que consegue ingerir”, ou seja, causam desidratação (ver também aqui, aqui e aqui).
Segundo a informação disponibilizada pela American Cancer Society, alguns doentes oncológicos podem estar mais predispostos a ficar desidratados, por motivos específicos.
Por exemplo, “bebés, crianças e idosos correm maior risco de desidratação”, refere-se. Pessoas com outras doenças, como “diabetes, doença renal ou que tomam medicamentos que aumentam a frequência urinária podem ter dificuldade em ingerir líquidos suficientes”.
Pessoas com problemas cognitivos (como alterações na memória ou na concentração) também são mais propensas a não ingerir líquidos suficientes.
Quem pratica exercício físico também perde mais líquidos através da transpiração, e, por isso, também corre um risco acrescido de desidratação.
Os sintomas de desidratação leve são “boca seca e pegajosa”, “sonolência”, “sensação de sede”, “diminuição da produção de urina”, “poucas ou nenhuma lágrima ao chorar”, “dor de cabeça” e “tontura”, aponta-se num texto do breastcancer.org.
A desidratação grave é considerada uma emergência médica, por isso, é necessário ter atenção aos sintomas e procurar ajudar de imediato nesse contexto. Os possíveis sintomas são: “sede extrema”, “fadiga extrema”, “irritabilidade ou confusão”, “falta de transpiração”, “olhos encovados”, “pressão arterial baixa” e “febre”.
Como lidar com a desidratação?
O passo mais importante é adotar estratégias para prevenir a desidratação. “Os líquidos estão presentes tanto nos alimentos como nas bebidas”, por isso, “se não estiver a comer o suficiente, precisa de beber mais líquidos para compensar a diferença”, explica-se no site da American Cancer Society.
“Beba pequenas quantidades de líquido com frequência” (os líquidos frios podem ser mais fáceis de ingerir) e “coma alimentos que contenham mais líquidos”, como “frutas, vegetais, sopas, gelatinas, gelados, iogurtes” e “batidos”, recomenda-se no mesmo texto.
Também é importante reforçar a ingestão de água em dias mais quentes e antes de fazer exercício físico.
Manter “um diário alimentar e de líquidos” ajuda a “controlar a quantidade de líquidos que ingere todos os dias”, aponta-se.
Além disso, deve-se evitar o álcool e a cafeína, que podem agravar a perda de líquidos.
Em casos de desidratação ligeira, pode ser suficiente aumentar a ingestão de líquidos. No entanto, em algumas situações, o médico “pode sugerir bebidas que contenham sais e eletrólitos para repor os líquidos perdidos”, lê-se no texto do Cancer Research UK.
Também é possível que o médico receite fármacos “para ajudar a tratar a causa da desidratação, como medicamentos contra náuseas”.
Em casos mais graves, pode ser necessário o doente ficar internado no hospital para “receber líquidos por meio de uma infusão na corrente sanguínea (por via intravenosa)”. A desidratação “pode ser mais difícil corrigir” em pessoas com cancro em estadio avançado.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
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