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Tomar ibuprofeno ou aspirina em excesso pode causar úlceras?

16 Mai 2025 - 10:01
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Tomar ibuprofeno ou aspirina em excesso pode causar úlceras?

Num vídeo partilhado no TikTok, sugere-se que uma das causas da “formação das úlceras é o consumo excessivo de medicamentos anti-inflamatórios”, como o ibuprofeno e a aspirina. Estes fármacos, conhecidos como anti-inflamatórios não esteróides (AINEs), “podem danificar o revestimento do estômago, provocando úlceras e hemorragias internas”, refere-se noutro vídeo. Mas será mesmo assim?

É verdade que a toma de ibuprofeno e de aspirina pode causar úlceras no estômago?

Sim, a toma excessiva e/ou continuada de anti-inflamatórios como o ibuprofeno e a aspirina pode causar úlceras no estômago (ver aqui, aqui, aqui e aqui).

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Tal como se explica num texto da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva (SPED), “a úlcera péptica é uma ferida que ocorre na camada de revestimento interno do tubo digestivo superior” e “pode estar localizada no estômago (úlcera gástrica) ou na primeira porção do intestino delgado (úlcera duodenal)”.

As duas grandes causas das úlceras pépticas, sejam gástricas ou duodenais, são a “infeção por uma bactéria chamada Helicobacter pylori” ou a toma excessiva de “medicamentos anti-inflamatórios”, como o ibuprofeno e a aspirina (ácido acetilsalicílico).

O grupo de medicamentos em questão chama-se anti-inflamatórios não esteróides (AINEs). Segundo um texto informativo da Ordem dos Farmacêuticos (OF), estes “são medicamentos usados no tratamento da dor, febre e inflamação”, como “o ibuprofeno, o naproxeno, o diclofenac, o celecoxib, o etoricoxib, o ácido acetilsalicílico [aspirina], o cetoprofeno, etc”.

Os AINEs “causam úlceras ao interromperem a capacidade natural do estômago e do duodeno de se protegerem do ácido gástrico”, explica-se num texto do Colégio Americano de Gastroenterologia (​​ACG).

Além disso, estes medicamentos “também podem interferir com a coagulação do sangue, o que tem uma importância clara quando as úlceras sangram”, acrescenta-se.

Nesse sentido, pessoas que tomam AINEs durante muito tempo e/ou em doses muito elevadas têm um risco acrescido de desenvolver úlceras pépticas.

Assim, se uma pessoa “estiver em risco de contrair uma úlcera gástrica e precisar de um analgésico”, recomenda-se a toma de “paracetamol”, refere-se num texto do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa).

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Se precisar de continuar a tomar AINEs, o seu médico pode recomendar que tome um diferente (pertencente ao mesmo grupo), que toma uma “dose mais baixa”, ou que “tome também um IBP” (Inibidor da Bomba de Protões), explica-se no site do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos (NIDDK, na sigla inglesa)

Tal como se esclarece no texto do ACG, os inibidores de bombas de protões suprimem a acidez do estômago e “podem prevenir ou reduzir significativamente o risco de uma úlcera causada pelos AINEs” (ver também aqui).

Além de os medicamentos como o ibuprofeno e a aspirina poderem causar úlceras, também podem causar outros efeitos gastrointestinais indesejáveis, como “ardor, dor de estômago, diarreia” e “hemorragias”, sublinha-se no texto da OF.

Quais os cuidados a ter na toma de anti-inflamatórios como o ibuprofeno e a aspirina?

Em primeiro lugar, aponta-se noutro texto da OF, “antes de tomar AINEs” deve aconselhar-se “sobre outras possíveis medidas” como: o “uso de paracetamol para febre ou dor, quando não é necessário um efeito anti-inflamatório”; ou o “uso de um AINEs para aplicação na pele”, já que “estes têm efeito local e induzem geralmente menos efeitos adversos”. 

Os anti-inflamatórios, como o ibuprofeno e a aspirina, “devem ser tomados na dose mínima efetiva e durante o menor tempo possível”, sendo que o ideal é tomar “estes medicamentos na dose que foi prescrita ou indicada”.

Estes fármacos não estão sujeitos a receita médica. No entanto, é importante contactar um profissional de saúde se “não houver melhoria em 3-5 dias”, lê-se no mesmo texto. 

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Além disso, não se deve tomar “vários AINEs ao mesmo tempo”, porque não só “não ocorre aumento da eficácia”, como “aumentam os efeitos adversos”, alerta a OF.

A maioria das pessoas pode tomar estes anti-inflamatórios, mas em alguns casos a toma pode estar contraindicada. 

Por exemplo, salienta-se noutro texto do NHS, doentes com “asma”, pessoas que já tenham tido “úlceras gástricas” ou “uma reação alérgica” a um destes medicamentos, ou que tenham “problemas de coração, fígado, rins, tensão arterial”, problemas de “circulação” ou de “intestino” não devem tomar AINEs sem consultar um profissional de saúde.

A idade também é um fator importante. É recomendado falar com um profissional de saúde quando se pretende medicar uma criança ou um adulto com mais de 65 anos.

Caso esteja a tomar “outros medicamentos, bem como suplementos alimentares ou produtos à base de plantas”, é essencial aconselhar-se “com um médico ou um farmacêutico”, defende-se no texto da OF.

Importa ainda referir que os AINEs não devem ser tomados durante a gravidez e quem está a amamentar só deve tomar estes medicamentos com a aprovação de um profissional de saúde.

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Em causa está o facto de estes fármacos poderem prejudicar o feto e o bebé e causar problemas no parto se forem tomados a partir das 20 semanas de gravidez (ver aqui, aqui e aqui).

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16 Mai 2025 - 10:01

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