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Suplementos de vitamina D3 são “veneno para ratos”?

7 Out 2024 - 08:30
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Suplementos de vitamina D3 são “veneno para ratos”?

Nas redes sociais, partilham-se várias publicações em que se alerta para os supostos perigos de tomar suplementos de vitamina D3. Num vídeo publicado no Facebook alega-se que a vitamina D3 é uma substância chamada “colecalciferol, que é o ingrediente ativo em veneno para ratos”. Segundo o autor, este produto “mata o rato por hipercalcemia”, ou seja, “leva o cálcio para o sangue, calcificando” o animal “até à morte”. Pode-se afirmar que os suplementos de vitamina D3 consumidos por humanos são veneno para ratos? 

É verdade que os suplementos de vitamina D3 “são veneno para ratos”?

Em esclarecimentos ao Viral, o nutricionista Ricardo Cotovio explica que esta comparação é enganadora.

De facto, “o colecalciferol, mais conhecido por vitamina D3, é uma forma de vitamina D”, afirma.

A vitamina D3 “é produzida no organismo através da exposição à luz solar e a vitamina D2 é a forma presente na maior parte dos suplementos”, refere-se num texto informativo do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Além disso, o colecalciferol também é utilizado, em doses muito grandes, no controle das pragas de ratos (ver aqui).

Na perspetiva de Ricardo Cotovio, é importante perceber, em primeiro lugar, que “estamos a falar de um composto que é essencial à manutenção da saúde do ser humano”.

“Não é, de todo, verdade que o que ingerimos nos suplementos de vitamina D3 (ou colecalciferol) seja veneno para o ser humano” ou que seja equivalente ao que está presente nos venenos para ratos.

Até porque “as quantidades que estamos a ingerir estão adequadas às nossas necessidades”, acrescenta Ricardo Cotovio.

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Tal como se refere num texto informativo do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, sigla inglesa), a população geral precisa de “10 microgramas (mcg) de vitamina D por dia”.

Refere-se como potencialmente “prejudicial” ingerir “mais de 100 microgramas de vitamina D por dia”, acrescenta-se.

A concentração de vitamina D3 que se encontra nos venenos para ratos é muito superior às quantidades definidas como prejudiciais para o ser humano.

Num texto do Manual de Veterinária MSD refere-se que o colecalciferol encontrado nesses produtos ronda, por norma, os 0,75 miligramas por cada grama. Importa salientar que um miligrama equivale a 1000 microgramas.

No fundo, realça Ricardo Cotovio, “a dose faz o veneno”, porque, “efetivamente, as concentrações que estão nos suplementos de vitamina D3 são seguras para as pessoas”.

Aliás, “a verdade é que produzimos colecalciferol e precisamos deste colecalciferol”, lembra o nutricionista. 

A vitamina D “é fundamental para o nosso sistema imunitário, para a nossa saúde óssea, para o nosso funcionamento muscular e para a própria retenção de cálcio no organismo (importante na prevenção de problemas de osteoporose futuros)”, sustenta.

Segundo Ricardo Cotovio, “a evidência científica ainda não é clara relativamente aos valores mínimos” necessários de vitamina D, mas atualmente “parece existir, de forma comum, níveis baixos” desta vitamina (ver aqui) na população.

Isto não quer dizer que todas as pessoas precisam de suplementar, até porque o sol é fonte de vitamina D e também existem algumas “fontes alimentares”, como “peixes gordos”, “ovos” e “alguns lácteos” e outros “alimentos fortificados com vitamina D”.

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No entanto, “há uma tendência cada vez maior para nos controlarmos na exposição ao sol” e para nos protegermos dos raios ultravioleta, “por causa dos danos que a exposição solar nos causa”, explica.

Por isso, em populações específicas, como “atletas e idosos”, a ingestão de alimentos com vitamina D pode não ser suficiente para cobrir as necessidades e pode ser preciso suplementar.

Isto se “não houver nenhum tipo de doença que implique o aumento de níveis de cálcio no sangue”, porque “a vitamina D facilita a absorção do cálcio”.

Por esse motivo, “o único problema relacionado com o excesso de toma de vitamina D prende-se com isto, ou seja, se absorvermos mesmo muito cálcio (hipercalcemia) pode, em última instância, levar à morte”, esclarece o nutricionista.

Apesar de ser muito difícil atingir níveis tóxicos de vitamina D, não quer dizer que nunca possa acontecer. 

Por isso, Ricardo Cotovio deixa uma ressalva: “seja para que suplemento for, deve aconselhar-se sempre junto de um médico ou de um nutricionista” antes do início da toma.


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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

The sole responsibility for any content supported by the European Media and Information Fund lies with the author(s) and it may not necessarily reflect the positions of the EMIF and the Fund Partners, the Calouste Gulbenkian Foundation and the European University Institute.

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Alimentação

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