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Suplementos de glucomanano controlam o apetite? O que se sabe até agora

27 Jan 2026 - 09:12

Suplementos de glucomanano controlam o apetite? O que se sabe até agora

Numa publicação do TikTok alega-se que os suplementos de glucomanano controlam o apetite. Segundo a autora do vídeo, tomar estes suplementos três vezes ao dia, cerca de meia hora antes das refeições principais (pequeno-almoço, almoço e jantar) reduz o apetite. Mas será mesmo assim? O que diz a evidência científica?

É verdade que os suplementos de glucomanano controlam o apetite?

A ingestão de glucomanano parece ajudar no controlo do apetite, mas apenas como complemento. Segundo a evidência científica disponível, até à data, não se pode afirmar que os suplementos de glucomanano, por si só, têm um impacto clínico relevante na diminuição do apetite.

Em declarações ao Viral, Ana Maria Gomes, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) e docente da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP), começa por explicar que “o glucomanano, também conhecido como konjac mannan, é um polissacarídeo [hidrato de carbono complexo] solúvel em água extraído dos tubérculos da planta konjac”.

Rico em fibra, o glucomanano “é capaz de formar soluções altamente viscosas e de exibir propriedades de gelificação notáveis, fundamentais para as suas aplicações na indústria alimentar e de suplementos” (ver também aqui).

Aliás, “a elevada viscosidade é, precisamente, a base das ações fisiológicas que sustentam alegações de saúde relacionadas com a saciedade e controlo do apetite” (ver aqui e aqui).

De acordo com a literatura, explica Ana Maria Gomes, “o glucomanano regula o apetite através de um mecanismo multifacetado que inclui o atraso do esvaziamento gástrico, a modulação de hormonas intestinais e a modelação da microbiota”.

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Estes efeitos “contribuem para o seu potencial enquanto agente eficaz no controlo do apetite e na gestão do peso”, sublinha.

O pilar mais bem estabelecido do mecanismo de ação do glucomanano está relacionado com a sua capacidade de formar um gel altamente viscoso que: “aumenta o volume gástrico, contribuindo para uma sensação física de plenitude”; “reduz o esvaziamento gástrico, fazendo com que os alimentos permaneçam mais tempo no estômago”; e “prolonga a saciedade, o que se traduz em menor ingestão alimentar nas horas seguintes”.

Por sua vez, “a viscosidade do gel formado pelo glucomanano tem consequências diretas na libertação de hormonas intestinais que comunicam com o cérebro”, promovendo saciedade. Em contrapartida, a grelina (“hormona da fome”) “tende a diminuir”, esclarece a investigadora. 

Apesar de tudo, a evidência clínica mais recente é inconsistente e revela que o glucomanano poderá ter apenas benefícios modestos. Revisões sistemáticas e metanálises mostram pequenas reduções de peso, sobretudo em estudos pequenos e com amostras pouco representativas, o que limita a robustez e as conclusões dos trabalhos.

Isto poderá dever-se à falta de padronização das características do glucomanano (peso molecular, composição, viscosidade), bem como às diferenças na forma de comercialização, nomeadamente no que toca aos suplementos.

Os estudos sugerem que o efeito do glucomanano depende não só da dose, mas da capacidade de o produto atingir rapidamente alta viscosidade intragástrica antes da refeição, sendo formulações em pó mais eficazes do que cápsulas.

Assim, defende Ana Maria Gomes, “de acordo com a evidência disponível, vários autores defendem que o glucomanano não deve ser utilizado como estratégia de primeira linha no tratamento de excesso de peso, mas, sim, como uma estratégia coadjuvante, a considerar após a implementação de mudanças de estilo de vida, nomeadamente alterações de hábitos alimentares, aumento da atividade física e melhoria dos padrões de sono”.

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Existem riscos associados à toma de suplementos de glucomanano?

De modo geral, o glucomanano é bem tolerado, “mas a forma e o modo de toma importam para a segurança e eficácia”, adianta Ana Maria Gomes. 

Em primeiro lugar, “antes de iniciar qualquer suplementação, esta deve ser precedida de aconselhamento com um profissional de saúde”, defende. 

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) recomenda “ingerir o glucomanano sempre com grande volume de água antes das refeições, permitindo assim a hidratação desejada”, já que há o “risco de engasgamento se ingerido sem água suficiente”, refere a investigadora.

Dependendo da dose, também há a possibilidade de surgirem “problemas gastrointestinais”, como “fezes amolecidas, flatulência, desconforto e distensão abdominal” (ver também aqui, e aqui).

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Por outro lado, existem pessoas que devem ter cuidados extra neste contexto, pelo risco acrescido que correm de terem efeitos indesejados associados à suplementação. 

Destacam-se: “as pessoas com patologias gastrointestinais pré-existentes”; “as crianças, uma vez que a segurança e eficiência em crianças ainda não está bem estabelecida”; e as pessoas com diabetes, que devem utilizar o glucomanano “com precaução e sempre sob orientação médica, de forma a evitar potenciais interações com a sua medicação antidiabética”.

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Apetite | Glucomanano

27 Jan 2026 - 09:12

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