Suplementos de colagénio tipo 2 aliviam e tratam dores nas articulações? Médico explica
Em vários vídeos partilhados no TikTok alega-se que tomar suplementos de colagénio tipo 2 alivia e trata qualquer dor nas articulações. A autora de um dos vídeos sugere ainda que estes suplementos têm a capacidade de “regenerar a cartilagem”. Será mesmo assim? O que mostram os estudos sobre o assunto?
Tomar suplementos de colagénio tipo 2 alivia e trata dores nas articulações?
Em declarações ao Viral, Diogo Fonseca, reumatologista nos Hospitais Trofa Saúde, adianta que as ideias transmitidas nos vídeos são uma extrapolação da realidade.
“O colagénio tipo 2 é a principal proteína da cartilagem articular, ou seja, dá resistência e elasticidade às articulações”, explica o médico.
Tal como se esclarece num texto da Arthritis Foundation, “o corpo produz colagénio ao decompor as proteínas que ingere em aminoácidos”, presentes nos alimentos.
Como o “colagénio tipo 2 é o principal constituinte da cartilagem”, parte-se do princípio que suplementar esta proteína “vai permitir recuperar a cartilagem, mas não é isso que acontece”, sublinha Diogo Fonseca.
Nos vídeos partilhados fala-se ainda em “qualquer dor articular”, mas a verdade é que existem várias doenças articulares.
Se for tida em conta apenas a artrose (ou osteoartrose), a doença reumática mais prevalente na população (ver aqui), existe alguma evidência sobre o possível efeito do colagénio tipo 2 como complemento ao tratamento.
“Na artrose, há uma perda da cartilagem associada a um quadro inflamatório”, explica o reumatologista. A evidência neste contexto, apesar de ser baixa, mostra que o colagénio tipo 2 “pode reduzir, em alguma medida, a resposta inflamatória, ou seja, atua como um complemento para ajudar a nível da dor”, mas “não atua na regeneração da cartilagem” (ver aqui, aqui e aqui).
Num texto da Arthritis UK reforça-se a mesma ideia. “Estudos e revisões recentes sugerem que os suplementos de colagénio, em particular o colagénio tipo 2, podem proporcionar pequenas melhorias na dor, rigidez e função em pessoas com osteoartrose, especialmente quando esta afeta o joelho”, lê-se.
Ainda assim, é importante realçar que os estudos que existem sobre o assunto “têm muitas limitações”, salienta Diogo Fonseca.
Por um lado, “são estudos habitualmente com um pequeno número de indivíduos envolvidos, em comparação com outros estudos de fármacos que têm milhares e milhares de pacientes envolvidos”.
Além disso, “são estudos muito heterogéneos, porque a própria população da artrose é muito variável”, ou seja, tanto podem ter “pessoas com uma artrose ligeira do joelho”, como pessoas com “uma artrose mais grave e com outras complicações”, explica.
Muitas vezes, “são estudos financiados pela indústria” dos suplementos, “o que também limita” um pouco a confiança nos resultados.
Em suma, refere o médico, “há alguma evidência sobre o colagénio tipo 2, não a nível da regeneração da cartilagem, mas a nível da dor, podendo ser um bom complemento” nesse sentido. Apesar disso, estes suplementos “não substituem a terapêutica que tem mais evidência”, sublinha.
Para a artrose, “o que tem mais evidência é o exercício físico”, aponta o reumatologista. Na gestão da dor, “os anti-inflamatórios continuam a ser os medicamentos com mais evidência”.
Tanto o colagénio tipo 2 “como a glucosamina e a condroitina” (ver aqui) são possíveis “complementos à terapia” que podem ou não ser utilizados, dependendo do doente e dos sintomas.
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