Sumo de caju, linhaça e psílio emagrece 2 quilos numa semana?
Alega-se nas redes sociais que um sumo de castanha de caju, linhaça e psílio é um “remédio caseiro” que emagrece até dois quilos numa semana.
No vídeo, o autor alega que, para a receita, é necessário juntar duas colheres de sobremesa de psílio, cinco castanhas de caju (que, supostamente, têm ”magnésio, zinco e são ricas em gorduras boas que dão saciedade), uma colher de sobremesa de linhaça e sumo de um limão.
Segundo o autor do vídeo, esta “bebida natural” deve ser ingerida meia hora antes do jantar. Mas será que a mistura emagrece dois quilos numa semana? E será que é saudável?
É verdade que sumo de caju, linhaça e psílio emagrece dois quilos numa semana?
Em declarações ao Viral, Sónia dos Santos, nutricionista e professora na Universidade Lusófona, refere que não há evidências científicas de que este sumo, por si só, provoque um emagrecimento saudável.
A nutricionista explica que, em teoria, é possível perder algum peso se a pessoa “só ingerir a mistura”, uma vez que os componentes são “muito ricos em fibras”, que vão “fomentar o trânsito intestinal”. Ou seja, pode provocar “diarreias” e, dessa forma, a pessoa pode ver o número na balança descer, ainda que só temporariamente.
No entanto, tal como o Viral explicou anteriormente, emagrecer e perder peso não são necessariamente sinónimos. O emagrecimento corresponde à perda de gordura, enquanto a perda de peso pode estar relacionada com outros fatores, além da perda de gordura, como, por exemplo, a perda de líquidos, de conteúdo gastrointestinal ou de massa muscular.
Ou seja, é possível o número na balança “baixar” e, mesmo assim, não haver perda de gordura (emagrecimento), do mesmo modo que é possível o número na balança “subir” sem haver ganho de massa gorda.
Importa sublinhar que nenhum alimento ou suplemento, por si só, leva ao emagrecimento. Para haver perda de gordura é necessário que a pessoa esteja em défice calórico, ou seja, que ingira menos calorias do que as que gasta.
A nutricionista contactada pelo Viral acrescenta que a castanha de caju, a linhaça e o psílio costumam ser associados à perda de peso porque “aumentam o trânsito intestinal e os níveis de saciedade”.
O psílio, especifica, é uma fibra que, quando está em contacto com o estômago, forma um gel que ocupa o espaço que a comida iria ocupar, ou seja, faz com que “a pessoa se sinta mais saciada”.
Contudo, reforça, não há “base científica” que demonstre que esta mistura provoca um emagrecimento saudável.
Além disso, a nutricionista contactada pelo Viral diz que “não é apologista” da ingestão de sumos detox.
Adicionalmente, emagrecer dois quilos numa semana pode ser demasiado, exceto em casos de pessoas obesas, aponta Sónia dos Santos.
Em média, os adultos precisam de consumir entre 1800 e 2500 calorias por dia, um valor que, segundo o site do Serviço Nacional de Saúde (SNS), vai depender de cada pessoa e do gasto calórico em atividade física.
As pessoas que precisem de perder “meia dúzia de quilos” não devem perder “mais do que um quilo por semana”, defende a nutricionista.
A também professora da Universidade Lusófona explica que, para perder um quilo por semana, é necessário um défice, em média, de mil calorias por dia. Um défice maior pode resultar em menos energia do que aquela que o corpo precisa.
No mesmo sentido, Cancer Research UK defende que as dietas rápidas “não são uma solução a longo prazo” e que a maioria das pessoas “recupera o peso que perde”.
Então, como se deve emagrecer de forma saudável e consistente?
O SNS recomenda, num texto sobre obesidade, que a perda de peso aconteça com “aconselhamento” para que seja feita de forma “saudável e equilibrada”.
De acordo com outro texto informativo do SNS, para perder peso é preciso “consumir menos energia do que necessita”, ou seja, ingerir menos calorias do que as que gasta.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) explica que a perda de peso pode ser alcançada “consumindo menos calorias” ou “queimando mais calorias com atividade física”. De preferência, devem acontecer ambas as situações em simultâneo.
Esta ideia também é defendida pelo National Heart, Lung and Blood Institute (NIH), que apela à combinação de uma dieta reduzida em calorias com o aumento da atividade física.
Dessa forma, indica o USDA, deve haver uma meta de perda de peso “razoável e realista”, com um plano alimentar nutricionalmente “equilibrado e com menos calorias” e com a prática de atividade física regular.
Em paralelo, diz o SNS, a escolha dos alimentos deve ser feita de modo a satisfazer “as necessidades nutricionais” da pessoa.
“Planos alimentares muito restritivos, tanto em energia como em diversidade de alimentos, podem estar na origem de carências que debilitam o estado de saúde”, acrescenta o SNS.
Uma alimentação saudável é “completa, variada e equilibrada” e proporciona a “energia adequada”. Os “alimentos base” devem ser “hortícolas, frutos, cereais e leguminosas”.
No mesmo sentido, a nutricionista contactada pelo Viral apela a uma alimentação rica em frutos, legumes e vegetais. Sónia dos Santos defende uma alimentação “o mais variada possível”, em que “tudo é permitido”, mas em “proporções certas”.
“Um emagrecimento saudável não são dietas restritivas”, remata a nutricionista.
O Cancer Research UK refere que devem ser consumidas, pelo menos, cinco porções de frutas e vegetais por dia, “gorduras mais saudáveis”, como frutos secos e peixe, carnes mais magras e laticínios com baixo teor de gordura.
Além da alimentação saudável, “é importante” a prática de atividade física adequada e a adoção de estilos de vida saudáveis, aponta o SNS. A mesma entidade sugere que se escolha uma atividade “que dê prazer” e que esta seja incluída “na rotina, de preferência diariamente”.
A Cancer Research UK recomenda caminhar 10 mil passos por dia, comer “aproximadamente no mesmo horário todos os dias” e evitar bebidas alcoólicas, refrigerantes e energéticos, que podem ser “ricos em açúcar e calorias”.
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