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Spray para feridas acaba com mau cheiro nas axilas? É seguro?

27 Dez 2024 - 09:30

Spray para feridas acaba com mau cheiro nas axilas? É seguro?

A transpiração é um processo natural do corpo. Tal como há pessoas que transpiram mais do que outras, também há quem fique mais (ou menos) incomodado com o odor do suor. No TikTok sugere-se uma suposta solução para o mau cheiro nas axilas: aplicar um spray antisséptico para feridas

A autora do vídeo explica que, antes de começar a utilizar o spray para feridas usou vários produtos, como desodorizantes e antitranspirantes, mas continuava a sentir-se incomodada com o odor da transpiração.

Agora, ao usar o spray antisséptico diariamente sente que já “não cheira mal”, porque o produto “mata as bactérias” que estão nas axilas. Mas será que utilizar um spray para feridas acaba com o mau cheiro nas axilas? Esta prática é segura?

Aplicar um spray para feridas nas axilas acaba com o mau cheiro? É seguro?

Em declarações ao Viral, a dermatologista Ana Pedrosa adianta que, por si só, “a longo prazo”, utilizar spray para feridas nas axilas não vai acabar com o mau cheiro da transpiração.

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Segundo a especialista, recorrer a esta técnica, numa situação pontual, “pode ajudar a controlar um pouco o odor”, ou seja, “a medida não é totalmente descabida”, refere.

O facto de a axila ser uma zona do corpo “em que há uma oclusão diária acaba por funcionar como um caldo para uma reprodução microbiana” (nomeadamente bactérias) ao potenciar “a produção de suor e de um odor que não é agradável”.

A quantidade de suor produzido e a intensidade ou perceção do cheiro vai depender “de pessoa para pessoa” e “da relação entre a pele e o hospedeiro”, explica a médica responsável pela secção de Tricologia e Onicologia do serviço de dermatologia da Unidade Local de Saúde (ULS) de São João.

Assim sendo, como “os antissépticos têm a capacidade de fazer uma limpeza microbiana, numa situação a curto prazo, podem ajudar a controlar um pouco o odor produzido por bactérias que se acumulam”.

No fundo, estes produtos podem ter “um efeito de desinfeção e eliminar alguns biofilmes bacterianos que se possam formar à superfície das axilas”, clarifica.

No entanto, “o spray antisséptico, por si só, não tem um efeito antitranspirante”, ou seja, “não tem sais de alumínio nem outros agentes que possam reduzir a produção de suor”.

Além disso, apesar de “poder controlar um bocadinho o odor, não é uma solução a longo prazo, porque o organismo adapta-se”, salienta.

Ana Pedrosa destaca ainda que o uso contínuo destes produtos com este propósito pode levar “ao desenvolvimento de resistências” por parte das bactérias que produzem o odor.

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Nesse sentido, o antisséptico pode ainda eliminar bactérias que já estão nas axilas e que, “muitas vezes, são importantes para o microbioma da própria pele”.

Além disso, a maioria dos sprays antissépticos são “soluções hidroalcoólicas”. Por isso, corre-se o risco de a sua aplicação causar desconforto e até “dermatites de contacto irritativas ou alérgicas”, aponta Ana Pedrosa.

A composição destes produtos aliada ao facto de a axila ser “uma zona em que há oclusão e em que a pele é mais fina” pode potenciar a irritação da derme.

Como combater a transpiração excessiva?

Para se evitar ao máximo a transpiração, numa base diária, é possível adotar algumas medidas. Por exemplo, num texto informativo do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS) recomenda-se utilizar “roupas largas para minimizar os sinais de transpiração” e evitar “tecidos sintéticos” como o “nylon”.

No mesmo sentido, deve-se evitar “beber álcool ou comer comida picante”, já que são hábitos “que podem piorar a transpiração”, acrescenta-se.

Caso a pessoa sinta que produz muito suor, pode recorrer à utilização de antitranspirantes. Tal como explica Ana Pedrosa, estes produtos “atuam na redução da produção de suor, que é importante para as bactérias viverem e se reproduzirem”.

Ao não haver “esse caldo”, é mais difícil que as bactérias “consigam atingir níveis tão elevados que possam produzir odor”, esclarece.

Se estas medidas não resolverem o problema “e o suor e o odor exalado estiverem a ser incomodativos ao ponto de prejudicarem a qualidade de vida da pessoa, isso deve ser tratado”, defende a dermatologista.

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Segundo um texto da Academia Americana de Dermatologia (AAD), além de poderem ser receitados antitranspirantes sujeitos a receita médica, podem ser indicados outros fármacos que podem ser utilizados em conjunto com “um antitranspirante (que reduz o suor) ou um desodorizante (que reduz o odor)”.

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Ana Pedrosa refere ainda que, “para reduzir a transpiração, uma das medidas mais eficazes e mais usadas nas axilas é a utilização da toxina botulínica intradérmica” (botox).

No mesmo texto da AAD explica-se que “a toxina botulínica trata a transpiração excessiva reduzindo temporariamente a quantidade de suor no local em que é injetada”. 

Esta técnica pode ser utilizada “para tratar a transpiração excessiva nas axilas, mãos, pés e rosto” e “a maioria dos doentes nota uma diminuição da transpiração no prazo de 7 a 10 dias após o tratamento”, acrescenta-se.

27 Dez 2024 - 09:30

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