VITAL
Sementes de alperce têm um efeito anticancro?
Num post partilhado no TikTok sugere-se que as sementes de alperce têm um efeito “anticancro”. Segundo a autora do vídeo, este efeito deve-se à presença de amigdalina (ou vitamina B17) nestas sementes. Será mesmo assim? As sementes de alperce previnem ou curam o cancro?
É verdade que as sementes de alperce têm um efeito anticancro?
Não, as sementes de alperce não têm um efeito anticancro (ver aqui, aqui e aqui). Aliás, sublinha-se num texto da Canadian Cancer Society, “não existe nenhum alimento milagroso que possa prevenir ou curar o cancro”.
A ideia de que as sementes de alperce têm um efeito anticancro surge a propósito da vitamina B17 (ou amidgalina), supostamente presente nestas sementes.
Tal como explicava a médica e nutricionista Paula Ravasco, em declarações anteriores ao Viral, apesar de este composto ser popularmente conhecido por vitamina B17, não é considerado uma vitamina. “A amigdalina, na sua composição química, é um hidrato de carbono, mas não está naturalmente presente nos alimentos”.
Acontece que, “quando ingerimos certos alimentos, durante a metabolização e a digestão, supostamente, forma-se a tal vitamina B17”, esclarecia.
Num texto do Cancer Research UK refere-se que, ao ingerirmos este composto em comprimidos, “o nosso sistema digestivo decompõe” a amigdalina e “liberta cianeto”, um tipo de veneno.
Foi daí que surgiu a ideia de que a vitamina B17 poderia ser útil no tratamento do cancro. Achava-se que “a ingestão de uma substância tóxica, supostamente, elimina células cancerígenas e cura um cancro”, esclarecia Paula Ravasco.
No entanto, além de não se ter provado que a vitamina B17 cura ou previne o cancro, os estudos sobre este composto mostraram que um determinado nível de ingestão pode ser tóxico para o organismo, porque “as células saudáveis também podem ser danificadas pelo cianeto”, sublinha-se num texto do breastcancer.org.
“Os efeitos secundários mais comuns do envenenamento por cianeto são náuseas, vómitos, problemas respiratórios, dor de cabeça, palpitações cardíacas, descoloração da pele e redução do estado de alerta ou da consciência”, refere-se no mesmo texto.
Os sintomas do envenenamento por cianeto podem ainda “incluir danos no fígado, danos nos nervos, febre, coma e morte”, acrescenta-se.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
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