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Comer sementes de abóbora desparasita o organismo? 

24 Out 2024 - 09:44
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Comer sementes de abóbora desparasita o organismo? 

Alega-se no TikTok que as sementes de abóbora têm a capacidade de “desparasitar” o organismo. Segundo um dos vídeos partilhados, a “semente de abóbora é um agente antiparasitário super eficaz, porque contém um aminoácido chamado cucurbitacina”. Mas será mesmo assim? Comer sementes de abóbora desparasita o organismo?

É verdade que comer sementes de abóbora desparasita o organismo?

Não, as sementes de abóbora não têm a capacidade de desparasitar o organismo. Em esclarecimentos ao Viral, Ana Célia Caetano, gastrenterologista e membro da Sociedade Portuguesa Gastrenterologia (SPG), adianta que “não há evidência científica que aponte nesse sentido”.

A médica explica que “a abóbora é da família das Cucurbitaceae e as suas sementes são ricas em vitamina E e vários minerais”. Tal como é referido nas publicações em análise, prossegue, “as sementes de abóbora são ricas em cucurbitacina”.

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De facto, alguns estudos “laboratoriais e em animais” sugerem que “as sementes de abóbora poderão ter vários efeitos benéficos”, nomeadamente “antiparasitários (efeito anti-helmíntico), hipoglicémicos (antidiabético), anti-hipertensores, imunomoduladores” e “antimicrobianos” (ver também aqui, aqui e aqui),  refere Ana Célia Caetano.

No entanto, como estas investigações foram feitas em células e em animais, os resultados não podem ser extrapolados. Ou seja, não se pode dizer que os resultados em humanos seriam iguais.

Além disso, em muitos destes estudos foram utilizados extratos de sementes de abóbora e não as sementes de abóbora em si. Logo, não se pode concluir que o consumo de sementes de abóbora tenha os mesmos efeitos ou benefícios que os extratos utilizados nos estudos.

Por fim, nestas investigações, foram estudados os efeitos em parasitas específicos e não em todos os parasitas com impacto na saúde humana existentes. Assim sendo, não se pode garantir que estas sementes seriam eficazes contra todos os parasitas. Ou seja, não é possível dizer que as sementes de abóbora “desparasitam o organismo”.

Quando é necessário desparasitar o organismo e como fazê-lo?

Tal como já tinha explicado o gastrenterologista Rui Mendo, em esclarecimentos anteriores ao Viral, no geral, os parasitas são transmitidos através da ingestão de larvas ou ovos dos parasitas, pelo contacto com fezes contaminadas.

Segundo Ana Célia Caetano, “a toma de antiparasitário deve ser de acordo com a identificação do parasita”. 

Quando não se identifica o parasita, “mas há uma forte suspeita de doença parasitária, pode ser realizada a chamada terapêutica empírica”, habitualmente com um fármaco chamado “albendazol” (ver também aqui).

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Contudo, ao contrário do que se pode pensar, em Portugal, “não há recomendações no sentido das desparasitações regulares”, salienta a médica.

Esta ideia também já tinha sido reforçada por Rui Mendo e pelo infeciologista Daniel Silva Coutinho, noutro artigo do Viral.

Também de acordo com a informação disponibilizada pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), não é aconselhado fazer desparasitações preventivas em humanos na ausência de sintomas.

Aliás, a OMS só recomenda este tipo de tratamento preventivo a populações “que vivam em zonas onde a prevalência de base de qualquer infeção transmitida pelo solo seja igual ou superior a 20% entre as crianças”.

As medidas preventivas que existem “são para interromper o ciclo epidemiológico”, destaca Ana Célia Caetano.Passam por, “a nível individual, lavar as mãos, preparar bem os alimentos (lavagem de frutas e vegetais) e evitar carne e peixe mal cozinhados”, refere a especialista.


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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

The sole responsibility for any content supported by the European Media and Information Fund lies with the author(s) and it may not necessarily reflect the positions of the EMIF and the Fund Partners, the Calouste Gulbenkian Foundation and the European University Institute.

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Alimentação

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24 Out 2024 - 09:44

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