Ronronar dos gatos “ajuda a curar os ossos” dos humanos?
Nas redes sociais alega-se que o ronronar dos gatos ajuda a “curar os ossos” dos humanos. Segundo uma das publicações, o ronronar dos gatos ocorre em frequências entre os 25 Hertz e os 150 Hertz que, supostamente, “ajudam na reparação óssea”, “no aumento da densidade óssea” e, “em certas situações, aliviam dores” nos ossos. Mas será mesmo assim? Há evidência científica que comprove estas alegações?
É verdade que o ronronar dos gatos “ajuda a curar os ossos” das pessoas?
Em declarações ao Viral, Inês Guerra, vice-presidente da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), adianta que, apesar das “várias alegações populares” em torno do tema, “não existem, até à data, estudos científicos conclusivos que comprovem” que “o ronronar dos gatos tem efeitos benéficos diretos no ser humano”, nomeadamente “na regeneração de tecidos ou no alívio de dores ósseas”.
Segundo a veterinária, “o ronronar dos gatos ocorre, geralmente, numa frequência entre os 25 e os 30 Hertz”.
De facto, num estudo de 2001, sugere-se que as frequências do ronronar dos gatos correspondem a vibrações utilizadas em tratamentos ósseos em humanos.
Contudo, além de não existirem estudos robustos que comprovem a hipótese de o ronronar dos gatos ter benefícios para a saúde dos ossos dos humanos, não há provas robustas de que as terapias de vibração sejam eficazes em contexto de doenças ósseas, como a osteoporose (ver aqui, aqui, aqui e aqui).
Num texto da Royal Osteoporosis Society do Reino Unido, explica-se que existem dois tipos de terapias por vibração: “a vibração de corpo inteiro” e “a vibração de baixa intensidade”.
“Na vibração de corpo inteiro, as vibrações são grandes” e “na vibração de baixa intensidade, as vibrações são pequenas e rápidas”, lê-se no mesmo texto.
Apesar de ser um tema em investigação, não há provas robustas de que estas terapias sejam benéficas para a saúde óssea. “Alguns estudos concluíram que a terapia de vibração do corpo inteiro pode ajudar a melhorar a densidade óssea, mas outros estudos não encontraram qualquer benefício”, salienta-se.
Segundo Inês Guerra, “o que se sabe, com base em investigação validada, é que a interação com gatos – nomeadamente acariciá-los – pode promover efeitos positivos no ser humano, tais como a redução da pressão arterial, da frequência cardíaca e dos níveis de cortisol (a hormona associada ao stress)”.
Estes fatores “contribuem, de forma indireta, para o bem-estar geral, que desempenha um papel relevante nos processos de recuperação”, sublinha.
Porque é que os gatos ronronam?
Inês Guerra explica que todos os gatos domésticos têm a capacidade de ronronar. “Do ponto de vista fisiológico, o som do ronronar é produzido na laringe, mais concretamente pelas cordas vocais e pelos músculos laríngeos, bem como o osso hióide”, explica.
O ronronar dos gatos tanto pode estar associado a estados emocionais positivos como a negativos, já que “pode ocorrer em momentos de relaxamento” e “em estados de dor”, refere a veterinária (ver também aqui, aqui e aqui).
Num texto da Associação Americana de Hospitais Animais (AAHA) também se esclarece que “os gatos podem ronronar quando estão saudáveis e se sentem bem, mas também podem ronronar quando estão doentes ou com dores”.
Acredita-se que os gatos ronronam quando estão doentes, porque “as vibrações associadas” podem “estimular o corpo do gato a libertar endorfinas, substâncias químicas naturais que aliviam a dor”, acrescenta-se.
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