Regresso às aulas: Não, ter piolhos não é sinal de falta de higiene
Com o regresso às aulas, retorna também uma preocupação comum entre os pais: os piolhos. Mas, ao contrário do que é comum pensar-se, ter uma infestação não significa falta de higiene. Os piolhos podem aparecer em qualquer criança, independentemente de terem o cabelo mais ou menos limpo.
Ter piolhos não é sinal de falta de higiene
A ideia de que as infestações por piolhos (pediculose) só surgem em cabelos sujos é um mito (ver aqui, aqui e aqui). Aliás, “os piolhos aderem melhor aos cabelos limpos, sem gordura ou resíduos”, sublinha-se num texto do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24).
Ainda assim, “a falta de higiene no cabelo pode, depois, favorecer o aparecimento de infeções mais graves”. Por outro lado, “lavar e pentear o cabelo permite expulsar alguns parasitas do couro cabeludo”.
Uma infestação de piolhos pode ocorrer em várias partes do corpo, sendo a mais comum a cabeça. “O aparecimento de piolhos pode manifestar-se por comichão na cabeça, embora isto possa ocorrer apenas algumas semanas após o início da infestação”.
Ao picarem o couro cabeludo para se alimentarem, os piolhos “injetam uma espécie de saliva, que provoca o prurido (comichão)”, explica-se no mesmo texto.
Este problema afeta sobretudo crianças, “mas pode atingir qualquer pessoa”. A infestação resulta, na maioria dos casos, “do contacto próximo entre cabelos”.
Também é possível haver uma “transmissão indireta”, que pode ocorrer através da partilha de objetos infetados, como chapéus e cachecois, escovas e pentes, acessórios de cabelo, auscultadores, almofadas e toalhas (ver aqui e aqui).
Não é possível prevenir totalmente a pediculose. A recomendação geral é “estar atento e evitar o contacto direto com cabelos infetados”, sublinha-se no texto do SNS 24.
Além disso, “é importante ensinar as crianças que não devem usar pentes ou chapéus de outros, nem emprestar-lhes os seus”.
O que fazer em caso de infestação por piolhos?
O tratamento mais eficaz passa pela aplicação de antiparasitários específicos sob a forma de champô, solução, gel, creme ou loção. Estes produtos são de venda livre e podem ser encontrados na farmácia.
É fundamental respeitar as instruções do produto, “nomeadamente quanto à duração do tratamento e ao intervalo de tempo entre aplicações”, lê-se no site do SNS 24.
Convém lembrar que “o uso deste tratamento em excesso é prejudicial, e estes produtos são apenas para tratar e não para prevenir”.
Existem, ainda, alguns tratamentos que “não são recomendados porque é improvável que funcionem”, salienta-se num texto do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa).
Alguns exemplos são: “produtos que contêm permetrina”; “‘repelentes’ de piolhos”; “pentes elétricos para piolhos”, “tratamentos à base de óleos vegetais, como óleo de árvore do chá, óleo de eucalipto e óleo de lavanda”; e “remédios à base de ervas”.
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