VITAL
Próteses metálicas podem causar cancro?
Os materiais que constituem uma prótese ortopédica são tóxicos e, ao longo dos anos, podem provocar cancro — é o que se diz em alguns vídeos nas redes sociais e uma hipótese que já foi estudada por investigadores.
A ideia é que, as próteses metálicas, como as que muitas vezes são utilizadas nas ancas, vão largando componentes tóxicos que podem, entre outros problemas, provocar cancro. Mas será mesmo assim? O que diz a evidência?
Ter uma prótese metálica pode provocar cancro?
“Não há evidência nenhuma” que o mostre, diz Rita Pinho, médica interna de oncologia no Hospital de São João, no Porto, em declarações ao Viral.
Em 2012, um estudo publicado na revista The Lancet dava conta de alguns riscos associados a próteses de metal-metal — são próteses que precisam de mais revisões e têm maior taxa de substituição, alertavam os investigadores.
Mas nunca ao longo do artigo é mencionada qualquer relação entre essas próteses e cancro.
Um dos materiais presentes nas próteses que é frequentemente associado ao desenvolvimento é o cobalto. Mas há anos que não é utilizado, diz Rita Pinho, e “os materiais que se usam atualmente são mais seguros”. “Não há evidência nenhuma, seja qual for o tipo de material da prótese, que mostre um aumento do risco de desenvolver uma neoplasia”.
Ao dizer que são “mais seguros” a médica não está a falar relativamente ao cancro — sobre esse tema diz que não há evidência, as próteses de cobalto ou de outros metais não têm impacto comprovado no risco da doença —, mas à possível necessidade de revisões e substituições já que essas próteses eram mais falíveis do que as atuais.
E mais: hoje, as próteses já são compatíveis com exames como ressonâncias magnéticas, o que não acontecia “há 20, 30 anos”.
Mas há alguns estudos que, de facto, relacionam a presença de próteses de vários tipos a uma maior incidência de cancro. Rita Pinho sublinha que estes estudos não provam causalidade, apenas associação, e é preciso ter em conta “fatores confundidores”.
“Mesmo pessoas que já fizeram próteses há muitos anos, se as tiverem atualmente e se desenvolverem cancro, há sempre um fator confundidor que é a idade. Ou seja, essas pessoas atualmente já têm 70, 80, 90 anos e sabemos que a idade, independentemente de ter prótese ou não, é um fator de risco para o desenvolvimento da doença [oncológica]”, sublinha.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
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