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Proteína, creatina e ómega 3. Todas as pessoas que tomam Mounjaro devem fazer suplementação?

25 Jun 2026 - 08:15
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Proteína, creatina e ómega 3. Todas as pessoas que tomam Mounjaro devem fazer suplementação?

A proteína, a creatina e o ómega 3 são suplementos frequentemente recomendados em vários vídeos do TikTok para quem está a fazer tratamento com Mounjaro (nome comercial da tirzepatida), um medicamento utilizado para tratar a diabetes e a obesidade. Segundo os utilizadores, todas as pessoas que tomam este medicamento precisam de tomar certos suplementos. A suplementação de proteína, defendem, é obrigatória para evitar a perda de massa muscular. Mas será mesmo assim? Todas as pessoas que tomam Mounjaro têm de fazer suplementação?

É verdade que todas as pessoas que tomam Mounjaro devem fazer certos suplementos?

Não, a toma de suplementos “não é uma indicação transversal para todas as pessoas que estão a tomar o tirzepatide” (a substância ativa do Mounjaro), adianta o endocrinologista Francisco Sousa Santos, em declarações ao Viral.

Em relação à proteína, o médico explica que “é importante haver um bom consumo de proteína”, mas “algumas pessoas que tomam este medicamento ficam com pouco apetite e comem pouco”, o que torna difícil “conseguirem atingir as metas de consumo proteico”.

De acordo com as recomendações da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), os adultos devem consumir, por dia, 0,83 g de proteína por quilo de peso corporal (ver aqui e aqui).

O ideal é que se atinja esta meta “com alimentos, sem usar suplementos”, aponta o endocrinologista. Isto porque “os alimentos são muito mais interessantes do ponto de vista nutricional”, uma vez que “não têm só proteína, têm outros nutrientes”, vitaminas e minerais.

Quando não é possível atingir os níveis adequados através da alimentação, “a suplementação com proteína surge como uma solução” que, preferencialmente, é dada por um profissional de saúde, após um aconselhamento.

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“A creatina, na prática, é um suplemento que funciona quase como uma fonte de energia para o músculo e parece ter particular interesse em pessoas praticam exercício de uma forma bastante regular, principalmente exercício e treino de resistência”, adianta Francisco Sousa Santos.

Também há “alguma evidência – não especificamente em pessoas a tomar tirzepatide, mas na população em geral – de que a creatina pode ajudar na recuperação muscular e até diminuir o risco de algumas lesões”.

Por isso, o que se sabe é que “a creatina pode ser interessante, independentemente de a pessoa tomar ou não tirzepatide”. Mas, “mais uma vez, não há nenhuma recomendação transversal para todas as pessoas que fazem uso desta medicação”.


Na perspetiva do especialista, o ómega 3 é o suplemento “que faz menos sentido ser recomendado de forma transversal a pessoas que tomam” Mounjaro.

Os ácidos gordos ómega 3 podem ser obtidos pela alimentação, através de, por exemplo, “peixes gordos, como o salmão, a cavala e a sardinha”, aponta.

Outras fontes de ómega 3 incluem “óleos vegetais (óleo de canola, linho, linhaça, nozes)”, “alguns hortícolas de cor escura (espinafres, beldroegas, espinafres, alho-francês, couves de folha verde escura, cogumelos, brócolos)” e “nozes e sementes de linhaça e chia”, lê-se num texto do Programa Nacional para a Promoção de Alimentação Saudável (PNPAS).

A suplementação de ómega 3 pode ser útil em casos específicos, por exemplo, “em pessoas com triglicéridos muito altos”, porque “pode ajudar a baixar os triglicéridos”. Mas é uma situação específica, que deve “ser definida caso a caso”, sublinha Francisco Sousa Santos.


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No fundo, todos estes suplementos podem ser benéficos em contextos específicos e até em casos de pessoas que também tomam Mounjaro. 

No entanto, não há nenhuma recomendação geral que sugira que todos os doentes a fazer tratamento com tirzepatide têm de tomar proteína, creatina, ómega 3 ou qualquer outro suplemento.

Até porque “a forma como o medicamento [o Mounjaro] atua é diferente de pessoa para pessoa”, refere o endocrinologista.

Há casos “em que o efeito deste medicamento faz as pessoas comerem 40% menos” e há casos em que o medicamento “faz as pessoas comerem 10% menos”.


No mesmo sentido, há pessoas que, durante o tratamento, “deixam de comer determinados tipos de alimentos e há outras que continuam a ter uma alimentação diversificada”. 

Assim, defende, os possíveis ajustes na alimentação vão “depender muito da resposta de cada um a esta medicação”.


Existem riscos associados à toma indiscriminada de suplementos?

Sim, os suplementos alimentares não são inócuos, ou seja, têm riscos, sobretudo “quando são tomados em quantidades exageradas”, adianta Francisco Sousa Santos.

No caso da proteína, por exemplo, “quantidades muito grandes”, em contexto de doença renal, têm riscos “para funcionamento dos rins”.

Assim, para o médico “é fundamental” qualquer pessoa que faça tratamento com Mounjaro “ter o acompanhamento de alguém que trabalhe na área da nutrição clínica”.

Ter uma alimentação diversificada e equilibrada é benéfico para todas as pessoas. “Se a pessoa come pouco, tem de escolher ainda melhor o que come, para não ter défice de nada, nem de proteína, de vitaminas, de ferro”, etc (ver também aqui e aqui).

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Suplementos

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Creatina | Mounjaro | Ómega 3 | Proteína

25 Jun 2026 - 08:15

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