VITAL
Primeiro sintoma do cancro do pâncreas é “dor localizada nas costas”? Oncologista esclarece
Num vídeo partilhado no TikTok sugere-se que a “dor localizada nas costas” é o primeiro sintoma do cancro do pâncreas, um tipo de cancro “muito agressivo e silencioso”. Será mesmo assim?
É verdade que o primeiro sintoma do cancro do pâncreas é a “dor localizada nas costas”?
Em declarações ao Viral e ao Polígrafo, a oncologista Ana João Pissarra adianta que, de facto, a dor pode ser um sintoma presente no cancro do pâncreas, apesar de não estar sempre presente.
“O mais frequente, quando há quadros de dor, é ser uma dor abdominal que irradia para as costas”, sublinha a especialista.
Mesmo assim, é importante ter em conta que “o cancro do pâncreas não é a causa mais comum de dor abdominal ou nas costas”, refere-se num texto da American Cancer Society. Esses sintomas “são mais frequentemente causados por algo diferente do cancro do pâncreas”.
Aliás, numa fase inicial, dependendo da localização específica, é mais comum o cancro do pâncreas não dar sintomas. Segundo Ana João Pissarra, “habitualmente, tumores no corpo e na cauda do pâncreas pequenos não dão sintomas, só em doenças mais avançadas”.
Num estadio avançado, pode surgir “a dor abdominal que irradia para as costas” e sintomas “muito genéricos, como cansaço, falta de apetite, perda de peso e fraqueza”, avança. (ver também aqui, aqui e aqui).
Por outro lado, “quando os tumores são mais localizados a nível da cabeça do pâncreas ou quando eles crescem” comprimem “as estruturas das vias biliares que impedem uma drenagem da bílis” e isso pode causa “icterícia” (pele e olhos amarelos), “urina mais escura”, “comichão” e, “eventualmente, fezes mais claras”, esclarece.
Quais os fatores de risco?
Em primeiro lugar, refere Ana João Pissarra, “a história familiar” é um fator de risco importante.
Além disso, os “doentes com síndromes genéticos hereditários, como a síndrome de Lynch, por exemplo”, têm de ser vigiados.
Por norma, “quando esta mutação é identificada na família, os doentes têm um acompanhamento personalizado e específico”, explica a médica.
Existem ainda outros fatores de risco. Um deles é quando já há “alterações ao nível do pâncreas”, refere. É o caso da “IPMN [Neoplasia Papilar Mucinosa Intraductal], em que os doentes devem ser vigiados, dependendo das características dessas alterações”.
No mesmo sentido, as “pancreatites crónicas, ou seja, inflamações persistentes do pâncreas”, são relevantes neste contexto.
Também aumentam o risco de desenvolver cancro do pâncreas fatores como “o tabagismo, o excesso de peso e a obesidade”, acrescenta a especialista.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
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