Pessoas com diabetes nunca podem doar sangue?
Para doar sangue é necessário preencher alguns critérios, como ter mais de 18 anos e ter um peso igual ou superior a 50 kg. No mesmo sentido, algumas condições médicas impedem – de forma temporária ou permanente – a dádiva. Será que as pessoas com diabetes nunca podem doar sangue?
É verdade que as pessoas com diabetes nunca podem doar sangue?
Não é bem assim. As pessoas com diabetes tipo 1 não podem doar sangue, mas as pessoas com diabetes tipo 2, na maioria dos casos, podem (ver aqui, aqui e aqui).
Tal como se explica num texto do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24), a diabetes “é uma doença caracterizada pelo excesso de açúcar no sangue (hiperglicemia)”.
Isso acontece porque “o corpo não consegue utilizar a insulina de forma eficaz e/ou não produz insulina suficiente”.
Os principais tipos de diabetes são: a diabetes tipo 1, a tipo 2 e a diabetes gestacional. A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, em que o sistema imunitário destrói “as células produtoras de insulina no pâncreas”.
A forma mais comum de diabetes é a do tipo 2, “caracterizada pela resistência do organismo à ação da insulina” e “frequentemente associada a estilo de vida não saudável”, lê-se no mesmo texto.
Já a diabetes gestacional “surge durante a gravidez” e normalmente “desaparece no fim da gestação”, mas “associa-se a um risco acrescido de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro”.
As pessoas com diabetes tipo 1 não podem doar sangue, porque precisam de tratar a doença com insulina, salienta-se num texto da Diabetes UK. O mesmo se aplica às pessoas com diabetes tipo 2 que necessitam de insulina.
“O efeito das doações de sangue nos níveis de insulina é considerado um risco para a saúde do dador”, por isso, “as pessoas que dependem de insulina não estão autorizadas a doar sangue”, explica-se.
Segundo um texto do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), “as pessoas com diabetes tipo 2 poderão candidatar-se à dádiva de sangue” se: apresentarem um “controlo glicémico adequado com dieta”; tomam “medicação oral ou medicação injetável que não a insulina”; não tiveram “alteração do tipo e da dosagem dos antidiabéticos nas últimas 4 semanas”; não tiverem “antecedentes recentes de hipotensão postural ou tonturas”.
Além disso, as pessoas com diabetes tipo 2 têm de cumprir os critérios gerais para a dádiva, tais como: ter 18 anos, ter um peso igual ou superior a 50 kg e ter um estilo de vida saudável.
Outras condições médicas ou alguns comportamentos de risco podem impedir a dádiva (saiba quais são as contraindicações aqui e aqui).
Após a doação de sangue, “o volume de sangue no corpo volta ao normal em poucos dias”, mas “são necessárias cerca de 10 a 12 semanas para que os glóbulos vermelhos retirados sejam totalmente repostos”, refere-se no texto da Diabetes UK.
Isto é particularmente relevante no caso das pessoas com diabetes, porque a dádiva afeta o nível de hemoglobina glicada (HbA1c), um parâmetro importante no diagnóstico e na gestão da doença.
Assim, é fundamental informar o profissional de saúde, caso tenha “doado sangue nos três meses que antecederam um exame de HbA1c”, para que o resultado seja interpretado “com maior precisão”, recomenda-se no mesmo texto.