VITAL
Parabenos causam cancro? O que diz a ciência
Em vários vídeos do TikTok partilha-se a ideia de que os parabenos – compostos presentes em cosméticos e comida – provocam cancro. Segundo a autora de um dos vídeos publicados, foram encontrados parabenos “em mais de um quarto do tecido mamário cancerígeno”. Os parabenos “podem interferir nas hormonas e na produção hormonal, especialmente no que diz respeito ao estrogénio, que está relacionado com o cancro da mama”, acrescenta. Será mesmo assim? Está provado que os parabenos causam cancro?
É verdade que os parabenos presentes em alguns cosméticos causam cancro?
Não há evidência científica robusta que comprove que os parabenos causam cancro (ver aqui, aqui, aqui e aqui).
Em declarações ao Viral e ao Polígrafo, Cecília Moura, diretora do serviço de dermatologia do IPO Lisboa, começa por explicar que “os parabenos são conservantes utilizados em medicamentos, produtos de higiene, cosméticos e, em alguns casos, alimentos e vestuário”.
O objetivo da utilização destes compostos “em alguns produtos cosméticos” é “prolongar a sua durabilidade”, refere-se num texto do Cancer Research UK.
Segundo a especialista do IPO Lisboa, “a quantidade de parabenos que pode ser adicionada é regulamentada por lei e os produtos são testados” (ver aqui e aqui).
De facto, “foram detetados parabenos em tecidos biológicos como sangue, tecido humano, leite, placenta e urina”, aponta Cecília Moura.
Os tipos de parabenos “mais frequentemente encontrados são: metilparabeno, etilparabeno, propilparabeno e butilparabeno”.
Sabe-se, em concreto, que estes compostos “podem provocar dermatoses cutâneas, como eczema de contacto alérgico ou reações urticariformes em doentes sensibilizados”, refere a médica.
Por outro lado, “existem estudos que os implicam na desregulação endócrina e alterações hormonais, porque têm propriedades semelhantes aos estrogénios”.
A especialista explica que “os parabenos podem modular enzimas conversoras de estrogénio a nível local, no tecido, e aumentar os níveis locais de estrogénio”.
Como o estrogénio está associado a alguns tipos de cancro da mama, há algum receio de que os parabenos possam estar relacionados com a doença.
No entanto, sublinha Cecília Moura, “embora tenham sido detetados parabenos no tecido mamário e axilar, ainda não foi estabelecida correlação entre a concentração de parabenos no tecido e a localização dos tumores mamários e a sua caracterização quanto aos seus recetores de estrogénio”.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
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