PUB

Fact-Checks

Os óculos para observar o eclipse de 1999 podem ser usados em 2026? Não é aconselhável

9 Ago 2026 - 08:15

Os óculos para observar o eclipse de 1999 podem ser usados em 2026? Não é aconselhável

A menos de uma semana do eclipse solar total de 12 de agosto, os modelos gratuitos de óculos de proteção já esgotaram por duas vezes e as lojas que os comercializam começam a registar falta de stock. Nas redes sociais, procuram-se alternativas e surge a dúvida: é seguro reutilizar os óculos do eclipse de 1999?

As autoridades francesas abordaram precisamente esta questão, desaconselhando a utilização dos óculos do eclipse de 11 de agosto de 1999, uma vez que os filtros podem ter-se degradado – seja pelos anos ou pelo armazenamento – e deixar de garantir a proteção necessária.

A American Astronomical Society (AAS) recomenda que os óculos de eclipse só sejam reutilizados se tiverem menos de 10 anos, forem certificados segundo a norma ISO 12312-2 e não apresentarem qualquer dano.

Esta norma internacional, que estabelece os requisitos de segurança para filtros destinados à observação direta do Sol, só foi publicada em 2015 – 16 anos depois do eclipse de 1999. Assim sendo, os óculos utilizados para observar esse eclipse foram fabricados antes da existência dos atuais critérios internacionais de segurança.

Para se manterem em boas condições durante o maior tempo possível, os visores solares devem ser guardados à temperatura ambiente, de preferência na caixa ou na embalagem original, ou num recipiente que os mantenha limpos e secos e os proteja contra riscos e perfurações, nota a AAS. Caso apresentem riscos, furos, rasgos ou outros sinais de danos, não devem ser utilizados.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) reforça a necessidade de utilizar equipamentos de proteção próprios, alertando que a observação do Sol sem óculos devidamente certificados pode causar danos na retina em “apenas alguns segundos” e, em casos extremos, resultar em “perda permanente da visão”.

PUB

Estas lesões, acrescenta a DGS, podem não ser imediatamente percetíveis. Os sintomas podem surgir várias horas depois da exposição.

De acordo com o site Eclipse 2026, um projeto que reúne várias instituições científicas e de divulgação de astronomia, em Portugal, o eclipse será total apenas numa área restrita do Parque Natural de Montesinho, perto de Bragança. No resto do país, o eclipse será parcial, uma vez que o obscurecimento rondará os 92% e 99% em todo o território continental e os 74% a 77% nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

PUB

O último eclipse total do Sol em Portugal aconteceu em 1912 e o próximo será em 2144, “tornando o eclipse de 2026 um fenómeno raro e um momento importante para várias gerações”.

9 Ago 2026 - 08:15

Partilhar:

PUB