VITAL
Óleo de rícino cura cancro da mama?
“O óleo de rícino cura cancro da mama”, diz-se em vários vídeos que circulam nas redes sociais. Segundo os autores, basta pôr uma compressa com óleo ou aplicá-lo diretamente na mama para o tumor ir diminuindo até desaparecer.
Mas será mesmo assim? Basta aplicar óleo de rícino para um tumor desaparecer? Há algum perigo associado a essa prática?
Aplicar óleo de rícino cura cancro da mama?
O óleo de rícino é extraído das sementes de uma planta e tem apenas uma utilização médica reconhecida, como laxante estimulante para obstipação ocasional.
A Food and Drugs Administration (FDA), a autoridade reguladora do medicamento dos Estados Unidos, recomenda-o apenas para esse propósito. E não há qualquer indicação de que o óleo de rícino deva ser usado para tratamento oncológico.
Existem, sim, estudos in vitro e em ratos, que podem ser úteis para gerar hipóteses, mas não provam eficácia em humanos. Sugerem efeitos sobre células tumorais em condições controladas, mas não são ensaios em pessoas, logo não provam que o óleo trate a doença, até porque não é o óleo que é utilizado nas investigações, mas outros componentes da Ricinus communis, a planta da qual é extraído o óleo de rícino.
Mas esses estudos não são o único motivo pelo qual há quem acredite que este óleo cura cancro da mama.
O óleo de rícino é frequentemente confundido com ricina, uma toxina presente na semente da planta, que chegou a ser testada em humanos como tratamento para o cancro nos anos 80, mas não chegou a ser aprovada devido a grandes níveis de toxicidade.
E há mais: há um derivado do óleo de rícino que é utilizado como solvente para um medicamento utilizado na quimioterapia. Mas não é esse o componente que atua sob o tumor, funciona apenas como forma de o medicamento, o paclitaxel, ser passível de ser injetado.
Além disso, o próprio solvente está ligado a reações de hipersensibilidade e alterações de farmacocinética, o que levou à criação do nab-paclitaxel, sem o derivado do óleo de rícino.
É perigoso?
Em 2024, o Viral verificou uma alegação de Bárbara O’neill, uma influenciadora e palestrante conhecida por promover terapêuticas alternativas e produtos naturais, que dizia que o óleo de rícino curava tumores cerebrais.
O’neill afirmava que o óleo de rícino tem capacidade de penetrar “mais fundo do que qualquer outro óleo”, o que faz com que “estes caroços desapareçam”. E, para além disso, seria, segundo ela, um produto natural, melhor do que os tratamentos clinicamente aprovados.
Mas nem sempre “natural” é equivalente a melhor e, neste caso, está longe de o ser.
“As pessoas iniciam este tipo de terapêuticas alternativas e, depois, quando vão ao médico para iniciar tratamento adequado, o tumor já está numa fase muito avançada. E, quanto mais crescer o tumor, mais debilitado o paciente fica, acabando por perder capacidades motoras, de deglutição e ao nível da fala”, disse Ana João Pissara, nessa altura, em entrevista ao Viral.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
Categorias:
Etiquetas: