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Ingerir alimentos com óleo de palma provoca cancro? O que diz a ciência

27 Out 2025 - 08:45

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Ingerir alimentos com óleo de palma provoca cancro? O que diz a ciência

O óleo de palma é um óleo vegetal amplamente utilizado em várias áreas (como alimentação, cosmética, entre outras) por ser versátil e mais barato do que outras opções.

Em vários vídeos nas redes sociais alega-se que ingerir óleo de palma provoca cancro. Num deles, uma mulher diz mesmo que dar produtos com óleo de palma aos filhos é equivalente a dar-lhes um diagnóstico de cancro. Mas será mesmo assim? Este óleo leva inevitavelmente ao desenvolvimento de cancro?

Óleo de palma provoca cancro?

Não, não há provas sólidas de que o consumo de óleo de palma, dentro das doses habituais, provoque cancro em humanos.

A ligação entre o consumo de óleo de palma e o risco oncológico surge por dois motivos: a presença de contaminantes formados no processo de produção do óleo e a ação do ácido palmítico, um dos principais componentes do óleo, em estudos in vitro e com animais.

Em 2023, em entrevista ao Viral, Paula Alves, diretora do Serviço de Nutrição do IPO do Porto, afirmava que o óleo de palma era uma das gorduras mais estudadas “pelo potencial em conter compostos tóxicos e mutagénicos (como os cloropropanóis e ésteres glicídicos de ácidos gordos)”.

Esses contaminantes desenvolvem-se quando os óleos são submetidos a temperaturas muito altas (mais de 200ºC) durante a produção — o que não é regra nesse processo, nem todas as empresas seguem esse método.

Por exemplo, em 2017, o porta-voz da Ferrero, Vincenzo Tapell, disse à agência Reuters que “o óleo de palma usado pela Ferrero é seguro porque vem de frutas espremidas na hora e é processado a temperaturas controladas”.

Paula Alves sublinhou ainda o papel da fiscalização e disse que era necessário “confiar nas entidades reguladoras”, já que, por exemplo, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) “tem uma legislação definida, onde inclui valores máximos permitidos para a presença de ésteres glicólicos de ácidos gordos nos óleos vegetais”.

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O ácido palmítico, presente em vários alimentos para além do óleo de palma, também foi estudado e algumas investigações mostram que, em modelos animais e in vitro, o composto parece não provocar cancro, mas promover a metastização.

Um estudo publicado na revista científica Nature concluiu que uma dieta muito rica em ácido palmítico pode promover a metastização de tumores. Nesse trabalho, células tumorais orais e melanomas foram expostos a essa dieta e depois transplantados para ratos. Observou-se que, mesmo quando a dieta era administrada por um período de tempo muito curto, os tumores apresentavam maior capacidade de metastatizar.

Mas não há estudos relativos a este mecanismo em humanos, pelo que não é possível extrapolar conclusões até porque seria necessário ter em contas as concentrações de ácido palmítico contidas numa dieta normal. Neste estudo, as concentrações muito altas não correspondem a uma dieta equilibrada.

Ou seja, ingerir alimentos com óleo de palma não provoca diretamente cancro. Mas consumir grandes quantidades de gorduras, alimentos muito processados e altamente calóricos contribui para o desenvolvimento de obesidade, um dos fatores de risco do cancro.


Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.

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A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.

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27 Out 2025 - 08:45

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