Óleo de coco pode aumentar o colesterol?
O óleo de coco é visto, por muitos, como um alimento a incluir numa dieta saudável. No entanto, num vídeo partilhado no TikTok, recomenda-se que se deixe de consumir óleo de coco.
O autor da publicação sugere que “mais de 80%” da composição do óleo de coco é gordura saturada, “a coisa na nossa alimentação que mais aumenta o risco de elevar o colesterol LDL”. Por sua vez, alega, o colesterol elevado aumenta o risco de enfarte. Será verdade? O óleo de coco pode aumentar o colesterol?
É verdade que o óleo de coco pode aumentar o colesterol?
Sim, o consumo de óleo de coco pode aumentar o colesterol. Quem o adiante, em esclarecimentos ao Viral é Tânia Cordeiro, especialista em Nutrição Comunitária e Saúde Pública e assessora do Gabinete da Evidência Científica da Ordem dos Nutricionistas.
Em primeiro lugar, é preciso entender que existem dois tipos de colesterol: o LDL (lipoproteína de baixa densidade) e o HDL (lipoproteína de alta densidade).
Como se explica num texto informativo do Sistema Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa), o LDL, “conhecido como colesterol mau”, “pode obstruir as artérias”. Por isso, os níveis altos deste tipo de colesterol aumentam o risco cardiovascular.
Pelo contrário, o HDL, “conhecido como colesterol bom”, “pode reduzir os depósitos nas artérias”, acrescenta-se.
Os alimentos ricos em gordura saturada – como manteiga, fritos, enchidos e óleo de coco – “aumentam os níveis de colesterol LDL no sangue”, ou seja, do colesterol mau.
Segundo Tânia Cordeiro, o óleo de coco, em específico, “é composto por 83% de ácidos gordos saturados”, por isso, de facto, “poderá potenciar o aumento do colesterol LDL”.
Apesar disso, até o momento, não há evidência suficiente que permita indicar qual o nível de relação entre a ingestão de óleo de coco e o risco de doenças cardiovasculares.
Foi essa a conclusão de uma revisão narrativa recente que “pretendeu rever as publicações mais recentes disponíveis sobre o consumo de óleo de coco e o risco de doenças cardiovasculares, ou marcadores de risco para esta patologia”, salienta a nutricionista.
Contudo, os estudos “sugerem que o óleo de coco em comparação com a manteiga tem efeito menos prejudicial sobre o colesterol total e o LDL”. O mesmo não acontece quando se compara o óleo de coco “com gorduras cis-insaturadas” (ver também aqui e aqui).
Neste sentido, defende a nutricionista, “o óleo de coco, sendo uma gordura de origem vegetal, essencialmente gordura saturada, não deverá ser preferido em detrimento de gorduras insaturadas, como o azeite”.
Isto porque, “a evidência reforça a importância de reduzir o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas, como, por exemplo, as carnes vermelhas e a manteiga, e optar por gorduras insaturadas, como o azeite ou outras gorduras de origem vegetal predominantemente polinsaturadas”.
Inclusive, um parecer da American Heart Association enfatiza esta ideia. Os especialistas concluem que “a redução da ingestão de gorduras saturadas e a sua substituição por gorduras insaturadas” diminuirá a incidência de doenças cardiovasculares.
Qual a melhor alternativa ao óleo de coco?
Primeiro, Tânia Cordeiro considera importante que se perceba que “na alimentação não há vilões, existem, sim, alimentos cujo consumo deve ser incentivado, tal como preconizado pela dieta mediterrânica”.
Alimentos como “os hortofrutícolas e os cereais integrais têm um destaque importante na promoção da saúde”, salienta.
Por outro lado, há outros alimentos cujo consumo “deverá ser evitado ou esporádico, como alimentos ultraprocessados, ricos em ácidos gordos saturados e ácidos gordos trans”.
Para quem tem o colesterol elevado, e consequentemente quer evitar as doenças cardiovasculares, “a alteração dos hábitos alimentares é um passo fundamental”, defende a nutricionista.
Se tivermos em conta o óleo de coco (como gordura saturada), substituí-lo pelo azeite pode ser uma boa opção.
Tânia Cordeiro destaca os benefícios nutricionais do azeite que, “além de ser composto por ácido oleico, é rico em vitamina E e compostos polifenóis”.
O azeite é “a gordura de adição característica da dieta mediterrânica” também por apresentar “muitos benefícios para a saúde, nomeadamente no que respeita à redução do colesterol”, conclui.
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