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Óleo de coco é o melhor protetor solar do mundo?

6 Mai 2026 - 08:13
falso

Óleo de coco é o melhor protetor solar do mundo?

Num vídeo publicado no TikTok, com mais de 160 mil visualizações, afirma-se que o óleo de coco é o melhor protetor solar do mundo. Segundo o autor da publicação, este óleo hidrata a pele e protege-a de queimaduras solares.

O autor do vídeo sugere ainda que, para obter este suposto efeito, o óleo pode ser aplicado diretamente na pele ou ingerido, na sua forma natural ou em cápsulas, antes da exposição solar. Mas a ciência prova estas alegações?

É verdade que o óleo de coco é o melhor protetor solar do mundo?

Não, “não há evidência científica” que sustente a ideia de que o óleo de coco é o melhor protetor solar do mundo, seja aplicando-o na pele, seja consumindo-o na sua fórmula natural ou em cápsulas. Quem o diz é Sara Fernandes, farmacêutica especializada em dermocosmética e autora do blog Make Down.

Em declarações ao Viral, a farmacêutica explica que não há nada que indique que o óleo de coco possa ter “uma ação protetora contra a radiação ultravioleta” relevante ou que as suas moléculas “reemitam” a radiação de forma a proteger a pele contra danos significativos.

Para Sara Fernandes, “é impossível” comparar este óleo com os protetores solares comerciais, que passam por testes e uma regulação apertada que garantem níveis de proteção quantificados (FPS/SPF) e eficácia contra radiação UVA e UVB.

A farmacêutica explica que o óleo de coco pode ser aplicado no corpo, pela sua ação hidratante, mas não com o objetivo de proteger a pele contra a radiação ou as queimaduras solares.

Nenhum hidratante vai conseguir proteger a pele de queimaduras. É óbvio que vai hidratar a pele, e, portanto, vai mantê-la mais saudável nesse sentido, mas não vai conseguir proteger a pele da radiação solar”, reforça.

A perspetiva de Sara Fernandes é corroborada por vários estudos científicos que analisaram a capacidade de proteção solar de óleos naturais.

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Por exemplo, um estudo publicado em 2016, avaliou vários óleos naturais, incluindo o óleo de coco, e comparou a sua capacidade de absorção de radiação ultravioleta com a de filtros solares comerciais. Os resultados mostram uma diferença muito significativa de eficácia. 

Os autores referem que “a capacidade de absorção dos óleos foi pelo menos duas ordens de grandeza inferior aos bloqueadores UV comerciais”. O mesmo trabalho acrescenta ainda que “os óleos naturais fornecem pouca ou nenhuma proteção contra raios UV prejudiciais”. 

No mesmo sentido, uma outra investigação, publicada em 2021, analisou a eficácia real de 14 óleos vegetais (entre os quais o óleo de coco) como protetores solares, tanto em laboratório como em testes em humanos.

Os investigadores concluíram que a maioria destes óleos apresenta uma proteção solar muito reduzida, insuficiente para ser considerada eficaz contra a radiação ultravioleta. No caso do óleo de coco, os resultados em humanos mostraram um fator de proteção solar de apenas 1,2.

Nas conclusões do estudo, sublinha-se ainda que “as alegações partilhadas online sobre a capacidade destes óleos de proteger a pele humana da radiação UVB são, portanto, falsas e, em geral, prejudiciais”.

Quais os perigos de substituir o protetor solar convencional por óleo de coco?

Sara Fernandes alerta para vários riscos associados à substituição dos protetores solares convencionais pelo óleo de coco, começando pelo aumento da probabilidade de escaldões, pela ausência de proteção solar adequada.

Aliás, refere a farmacêutica, por ser um óleo, pode até ter um efeito contrário ao pretendido, ao provocar sobreaquecimento da pele e “acelerar o processo de queimadura”.

A autora da página Make Down sublinha que o óleo de coco, ao contrário dos protetores solares à venda no mercado, não passa por testes laboratoriais nem por uma regulação que permita garantir eficácia ou níveis de proteção.

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O mesmo se aplica a todos os protetores solares caseiros, que não oferecem qualquer garantia de proteção contra a radiação ultravioleta, uma vez que “não existe forma de assegurar que funcionam como protetores solares”, mesmo quando são preparados em casa com ingredientes comprados online e seguindo as receitas passo a passo.

A principal limitação está na ausência de testes laboratoriais adequados. Sara Fernandes esclarece que a avaliação do fator de proteção solar envolve “métodos complexos e exigentes”.

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“É um teste muito difícil, muito caro, feito a nível laboratorial, e não é reprodutível em casa”, afirma. Assim sendo, não existe forma de garantir qualquer resultado fiável em preparações caseiras, já que pequenas alterações na fórmula – por exemplo, “a quantidade de um ingrediente” – podem alterar de forma significativa o fator de proteção solar (FPS) final.

Por isso, conclui, não é possível garantir que uma mistura caseira tenha “FPS 30, 50 ou qualquer outro valor”.

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6 Mai 2026 - 08:13

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