O ibuprofeno pode aumentar a pressão arterial?
Todos os fármacos têm benefícios e riscos. Normalmente, recomenda-se a toma de medicamentos em situações em que os benefícios compensam os riscos. Mesmo os de venda livre podem estar contraindicados para pessoas com determinadas doenças. É o caso do ibuprofeno? Este fármaco pode aumentar a pressão arterial em algumas pessoas?
É verdade que o ibuprofeno pode aumentar a pressão arterial?
Sim, em certas circunstâncias, o ibuprofeno pode levar à subida da pressão arterial (ver aqui, aqui, aqui e aqui).
O ibuprofeno faz parte de um grupo de medicamentos chamados anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), que são utilizados “no tratamento da dor, febre e inflamação”, refere-se num texto da Ordem dos Farmacêuticos (OF).
Tal como se explica num texto da Ordem dos Médicos (OM), a utilização de AINEs “está associada a elevação da pressão arterial, diminuição da eficácia dos anti-hipertensores, retenção hídrica e agravamento da função renal”.
Assim, por precaução, recomenda-se “não administrar anti-inflamatórios não esteroides” em pessoas “com hipertensão arterial e/ou alteração da função renal”, optando por “outros analgésicos, como o paracetamol, metamizol magnésico ou tramadol”.
Sabe-se, também, que “existe um aumento do risco de acontecimentos cardiovasculares (tal como enfarte do miocárdio ou AVC), associado à utilização do ibuprofeno de dose alta (igual ou superior a 2400 mg por dia)”, refere-se num documento da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla inglesa).
Por isso, “a utilização do ibuprofeno de dose alta deixou de ser recomendada se sofre de doenças cardíacas ou circulatórias”, ou “se já sofreu previamente um ataque cardíaco ou um AVC”, explica-se.
Isto não significa que o ibuprofeno aumenta a pressão arterial se for tomado ocasionalmente (ver aqui).
O risco de hipertensão ou de sofrer um enfarte ou um AVC associado à toma de ibuprofeno depende de vários fatores. “O primeiro é a duração do tratamento”, sublinha-se num texto da Harvard Medical School.
O risco cardiovascular “é extremamente reduzido durante um tratamento de curta duração (menos de um mês), como seria o caso no tratamento da dor aguda”.
Outra consideração importante “é a dose e a frequência”, já que “o risco tende a aumentar com doses mais elevadas e maior frequência”.
O terceiro fator “é se a pessoa tem alguma doença cardiovascular pré-existente”. Em pessoas sem doença cardiovascular, “o aumento absoluto do risco é incrivelmente pequeno”, refere-se no mesmo texto.
No caso de uma pessoa com hipertensão, que toma medicamentos para baixar a pressão arterial, tomar ibuprofeno pode ser particularmente perigoso, porque há o risco de o medicamento inibir o efeito dos anti-hipertensores (ver aqui, aqui e aqui).
Que outros efeitos adversos é que o ibuprofeno pode causar?
Além dos possíveis efeitos a nível cardiovascular, a toma de ibuprofeno pode desencadear: reações gastrointestinais, como, “ardor, dor de estômago, diarreia, úlceras, hemorragias”; alterações do funcionamento dos rins ou do fígado; e, como acontece com todos os fármacos, causar reações alérgicas (ver aqui).
“O risco de eventos adversos aumenta com a utilização prolongada”, sublinha-se no texto da OF.
É importante ter em conta estes efeitos sobretudo em populações de risco, como “pessoas com mais idade”, “com algumas doenças prévias” ou “que tomam certos medicamentos”, acrescenta-se.
Por esse motivo, recomenda-se a consulta do folheto informativo do medicamento, bem como o respeito pelas doses e intervalos de toma recomendados pelo profissional de saúde, caso o fármaco tenha sido receitado.