O gengibre previne o cancro?
No TikTok partilham-se os vários supostos benefícios do gengibre. Um dos mais mencionados é a alegada capacidade que o gengibre tem de prevenir o cancro. Supostamente, os compostos do gengibre interferem nos processos que levam ao crescimento de tumores. Mas será mesmo assim? O gengibre previne o cancro?
É verdade que o gengibre previne o cancro?
Várias instituições de saúde internacionais – como o Cancer Council, o Cancer Research UK e o Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos (NCI, na sigla inglesa) – sublinham que não há nenhum alimento, suplemento ou bebida que tenha a capacidade de prevenir ou tratar a doença oncológica.
No mesmo sentido, a médica e nutricionista Paula Ravasco já tinha esclarecido, noutro artigo do Viral, que o cancro é “uma doença grave e complexa que decorre de vários fatores”, como “fatores genéticos, exposição a substâncias químicas, inatividade física, dietas desadequadas, disfunção metabólica”, entre outros.
Os fatores que contribuem para o desenvolvimento da doença oncológica “são tantos que é impensável encontrar uma substância” que o previna ou cure.
Em relação ao gengibre, um artigo de revisão publicado em 2024 concluiu que os compostos ativos do gengibre possuem fortes propriedades antioxidantes e o potencial de reduzir a inflamação.
“Os antioxidantes protegem as células do corpo contra danos, que por vezes podem conduzir ao cancro” e “a inflamação também tem sido associada a alguns tipos de cancro”, explica-se num texto do breastcancer.org.
Contudo, “grande parte da investigação sobre os efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios do gengibre foi realizada em células individuais e em animais, e não diretamente em pessoas”, sublinha-se no mesmo texto.
Não havendo estudos em pessoas, não se pode extrapolar os resultados, ou seja, não é possível saber se os resultados em humanos seriam os mesmos.
“Da mesma forma, a maioria das investigações sobre os efeitos anticancerígenos do gengibre tem-se centrado em estudos em células e animais”, lê-se no texto do breastcancer.org.
Outra revisão recente concluiu que “o composto do gengibre chamado shogaol pode provocar a morte celular e reduzir o crescimento ou a propagação das células cancerígenas”, mas “são necessários mais estudos em humanos para verificar se o mesmo se verifica no corpo humano”.
No contexto da alimentação, sabe-se que a dieta, num todo, pode ter um impacto positivo na prevenção e no tratamento do cancro. Tal como esclarecia a nutricionista Diana Picas Carvalho, em declarações anteriores ao Viral, “uma alimentação saudável tem um efeito importante na prevenção de vários tipos de cancro”.
Isto traduz-se, sobretudo, numa dieta rica em hortofrutícolas, cereais integrais, fontes de proteína saudáveis (como o frango, o peixe e as leguminosas) e pobre em álcool, carne vermelha e processada e alimentos ricos em gordura, açúcar e sal (ver aqui).
Existem riscos associados ao consumo de gengibre?
Em geral, o gengibre é seguro para consumo. No entanto, é fundamental consultar um profissional de saúde antes de tomar suplementos de gengibre. A toma indiscriminada destes suplementos está associada a alguns efeitos secundários, como: azia, gases, diarreia e dores de estômago (ver aqui).
Segundo o texto do breastcancer.org, “estes efeitos secundários são mais comuns com doses superiores a 5 gramas”. Os estudos disponíveis sugerem que doses de até 4 gramas são geralmente consideradas seguras.
Importa ainda sublinhar que “o gengibre pode aumentar o risco de hemorragia, pelo que não deve tomá-lo sete dias antes ou depois de uma cirurgia”. No mesmo sentido, estes suplementos não devem ser tomados por pessoas com distúrbios hemorrágicos.
Embora as interações medicamentosas com o gengibre não estejam bem documentadas (ver aqui), os suplementos, sobretudo, podem interferir com certos medicamentos, tais como: anticoagulantes (como a varfarina e a aspirina), medicamentos para a diabetes e morfina.
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