PUB

Fact-Checks

O envelhecimento “é uma doença” para a qual “existe cura”?

18 Jan 2026 - 08:15
falso

O envelhecimento “é uma doença” para a qual “existe cura”?

Num vídeo partilhado no TikTok alega-se que o envelhecimentoé uma doença silenciosa” para a qual “existe cura”. Mas será mesmo assim? O envelhecimento é considerado uma doença?

É verdade que o envelhecimento “é uma doença” que pode ser “curada”?

Em declarações ao Viral, Rafaela Veríssimo, coordenadora do Núcleo de Estudos de Geriatria da Sociedade Portuguesa da Medicina Interna (SPMI), adianta que, ao contrário do que é dito no vídeo em análise, o envelhecimento não é considerado uma doença. Por esse motivo, nem se pode falar em “cura”.

A médica explica que, “com os anos, a espécie humana, em termos genéticos, está programada para que as células envelheçam”. 

De modo geral, “a marca do envelhecimento” é “a senescência celular”, ou seja, o processo natural e fisiológico do envelhecimento das células. Este processo está associado a “uma inflamação crónica de baixo grau” – conhecida como inflammaging – e a “uma diminuição da capacidade de as células se renovarem”, explica Rafaela Veríssimo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também não define envelhecimento como doença (ver aqui). Segundo a organização, “a nível biológico, o envelhecimento resulta do impacto do acúmulo de uma ampla variedade de danos moleculares e celulares ao longo do tempo”. 

Isso “leva a uma diminuição gradual da capacidade física e mental, a um risco crescente de doenças e, por fim, à morte”.

No entanto, é importante sublinhar que “essas mudanças não são lineares nem consistentes, e têm apenas uma fraca associação com a idade da pessoa”.

Rafaela Veríssimo explica que, “durante muitos anos, olhou-se para as pessoas mais velhas como associadas a maior número de doenças e também a maior fragilidade”. Mas “essa visão já não é aceite nem pela OMS, nem pelos geriatras”, sublinha. 

PUB

De facto, sabe-se que as pessoas mais velhas “estão mais vulneráveis” e correm um maior risco de desenvolver várias doenças, devido às alterações genéticas típicas do envelhecimento.

Os problemas de saúde mais comuns durante o envelhecimento são “perda auditiva, cataratas e erros de refração, dores nas costas e no pescoço e osteoartrite, doença pulmonar obstrutiva crónica, diabetes, depressão e demência”, adianta-se num texto da OMS. 

Mas associação não significa causalidade, ou seja, o facto de haver um maior risco de doenças nesta fase da vida não quer dizer que todas as pessoas vão “ter um envelhecimento com mais doenças ou que todas as pessoas não vão ser totalmente independentes”, aponta a médica da SPMI.

Não se podem travar as alterações genéticas do envelhecimento, mas os estudos parecem mostrar que “a genética só nos confere 10% da forma como vamos envelhecer”. Por outro lado, “o ambiente e todas as decisões que tomamos na nossa vida, em termos da saúde e da parte social, têm mais impacto do que a genética para envelhecermos bem”, defende.

O que significa envelhecer com saúde?

Envelhecer com saúde passa por melhorar aspetos modificáveis, apesar “da hereditariedade”, sublinha Rafaela Veríssimo.

No fundo, deve-se atuar numa perspetiva preventiva, sendo que as recomendações para uma vida saudável se aplicam, na sua generalidade, a todas as idades.

Recomenda-se: “a atividade física regular”; “uma alimentação equilibrada, ao estilo da dieta mediterrânica”; “o controlo dos fatores cardiovasculares, como a hipertensão e a diabetes”; “a vacinação”; “o sono adequado”; e “evitar o isolamento social”, que podem contribuir para o desenvolvimento da depressão e da ansiedade.

PUB

Além disso, é importante atuar na “redução da polifarmácia inapropriada”, isto é, agir numa perspetiva preventiva, “ao maximizar a autonomia e a qualidade de vida das pessoas mais velhas e usar os medicamentos apenas para tratar as doenças que possam aparecer”, acrescenta.

falso
18 Jan 2026 - 08:15

Partilhar:

PUB