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Ouvir estes sons partilhados no TikTok “destrói células cancerígenas”?

19 Out 2024 - 08:43
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Ouvir estes sons partilhados no TikTok “destrói células cancerígenas”?

Circulam no TikTok vários vídeos com sons que, segundo as descrições das publicações, têm frequências que os tornam “destruidores de células cancerígenas” e que, por isso, teriam a capacidade de prevenir ou tratar o cancro.

Num vídeo com o título “Frequência sonora para lutar contra o cancro”, aconselha-se a ouvir este som “durante 20 a 30 minutos para melhores efeitos”. Mas existe evidência de que ouvir estas músicas partilhadas no TikTok previne ou cura o cancro?

Ouvir determinadas músicas e frequências de som é eficaz no tratamento do cancro?

Dizer que ouvir música previne ou cura o cancro não tem fundamento científico.

Não é o ato de ouvir música que tem efeito [no tratamento de cancro]”, afirma António Araújo, diretor do serviço de oncologia médica da Unidade Local de Saúde (ULS) Santo António e diretor do mestrado integrado em Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, que considera essa sugestão “anedótica”.

Também Pedro Simões, oncologista na ULS de Loures/Odivelas (em que se inclui o hospital Beatriz Ângelo), garante que ouvir música não cura o cancro. No entanto, o especialista acrescenta que a música “pode ter efeitos benéficos a nível psicológico” nos doentes oncológicos.

Segundo a Federação Mundial de Musicoterapia (WFMT, na sigla inglesa), a musicoterapia é “o uso profissional de música e dos seus elementos como uma intervenção em ambientes médicos e educativos e no quotidiano com indivíduos, grupos, famílias ou comunidades que procuram otimizar a sua qualidade de vida e melhorar a sua saúde e bem-estar físico, social, comunicativo, emocional, intelectual e espiritual”. 

Apesar de haver evidências de que a musicoterapia pode ter impacto “no bem-estar psicológico e na qualidade de vida” dos pacientes, Pedro Simões reconhece que esta prática ainda “não é muito utilizada em Portugal”.

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Ultrassom destrói células cancerígenas?

Embora ouvir estas músicas partilhadas no TikTok não tenha qualquer efeito na prevenção ou no tratamento do cancro, existem técnicas, como o ultrassom de alta intensidade, que estão a ser investigadas e utilizadas em alguns casos clínicos para destruir células cancerígenas com a ajuda de ondas sonoras.

Os ultrassons são “ondas mecânicas com frequências superiores a 15 kHz, além da faixa audível do ouvido humano”, define um estudo. Estas técnicas utilizam-se na medicina “para objetivos terapêuticos há muitos anos e são extensivamente utilizadas como ferramenta de diagnóstico” – como nas ecografias.

Quer isto dizer que existe um fundo de verdade nas publicações que referem o uso de ultrassom no tratamento de cancro, mas há também uma tendência para exagerar as capacidades que este procedimento tem. 

Quando se fala em ultrassom, fala-se numa técnica chamada High Intensity Focused Ultrasound (Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade). Este tratamento tem “como objetivo matar células cancerígenas com ondas sonoras de alta frequência”, pode ler-se na página da Cancer Research UK (uma organização britânica de investigação para o Cancro)

Ambos os especialistas confirmam ao Viral que este tipo de tratamento é real e tem sido utilizado em determinadas circunstâncias e em certos tipos de cancro. António Araújo explica que esta técnica consiste em inserir uma “sonda até à lesão”, onde serão emitidas “determinadas frequências de ultrassom para destruir o núcleo das células do tumor”.

Pedro Simões também esclarece que os “feixes de ultrassom focalizados e de alta intensidade” são colocados “sobre a zona que tem o tumor” e, através do “efeito mecânico das ondas de som”, podem destruir as células tumorais.

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Porém, esta técnica tem limitações e não é eficaz no tratamento de todos os tipos de tumor. Segundo a Cancer Research UK, as frequências de som de elevada intensidade “não atravessam ossos compactos ou ar”. Por isso, esta técnica “não é adequada para todos os cancros”.

Existe ainda outra técnica que utiliza ultrassom e que poderá ser promissora no tratamento do cancro: chama-se Low-Intensity Pulsed Ultrasounds (pulsão de ultrassom de baixa intensidade, em português).

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Estudos preliminares mostraram que a pulsão de ultrassom de baixa intensidade pode causar danos nas membranas de células cancerígenas e torná-las permeáveis a fármacos oncológicos. Este processo está ainda em fase de testes e é preciso realizar ensaios clínicos em humanos para validar estes efeitos.

Apesar de haver evidência científica que sustenta que o ultrassom pode ser usado como tratamento para determinados tipos de cancro, Pedro Simões afirma que é um “salto irreal passar a dizer que ouvir um determinado som cura o cancro”.

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19 Out 2024 - 08:43

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