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Morangos ajudam mulheres a “perder gordura corporal rapidamente”?

9 Jun 2025 - 09:43
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Morangos ajudam mulheres a “perder gordura corporal rapidamente”?

Os morangos “são um dos melhores alimentos que uma mulher pode comer se quiser perder gordura corporal rapidamente”. É com esta alegação que começa um vídeo em que se alega que os morangos são alimentos com “efeitos anti-obesidade para as mulheres”.

O autor do vídeo afirma que estes frutos “diminuem a inflamação naturalmente” e, quando ingeridos com água antes da refeição, “reduzem a velocidade de absorção do açúcar”. 

Mas será verdade que comer morangos ajuda a perder peso nas mulheres? Serão estes frutos realmente “anti-obesidade”? E há evidência científica de que adicionar morangos à dieta regula a resposta à insulina e reduz a inflamação?

Os morangos têm efeitos “anti-obesidade” nas mulheres?

Francisco Sousa Santos, endocrinologista e autor da página Hormonas em Bom Português, explica ao Viral que “não existe evidência de que os morangos tenham efeitos específicos de emagrecimento nas mulheres”, conforme alegado no vídeo. Acrescenta também que “nenhum alimento tem especificidades conforme o sexo” do indivíduo que o ingere.

O endocrinologista reconhece que os morangos, à semelhança de outros frutos vermelhos (como amoras, mirtilos ou framboesas), “são alimentos interessantes do ponto de vista nutricional”, pois têm efeitos anti-inflamatórios associados à presença de flavonoides. Contudo, sublinha que “não há um alimento mágico” que resolva casos de obesidade ou resistência à insulina.

“É preciso uma dieta variada e diversificada para não incorrer em défice nutricional. Os morangos não têm todos os nutrientes de que precisamos para uma dieta equilibrada”, afirma o endocrinologista.

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Também Filipa Vicente, nutricionista e professora do Instituto Egas Moniz, reconhece que os morangos são frutos “de menor densidade energética” (com menos calorias) e ricos em “fitonutrientes, sobretudo flavonoides”. No entanto, sublinha que a “variedade é um princípio essencial na nutrição”.

“Se comermos sempre morangos, tendemos a omitir compostos presentes nas restantes frutas”, alerta a nutricionista, consumir diferentes tipos de alimentos permite ingerir “uma grande variedade de nutrientes”.

Quando incluídos numa dieta equilibrada, os morangos poderão ter “diversos benefícios para a saúde, incluindo efeitos anti-inflamatórios, anti-diabéticos ou reguladores da glicemia e da insulina, cardioprotetores, antioxidantes e imunomoduladores”.

No entanto, Filipa Vicente lembra que “o ganho de peso não está diretamente relacionado com a inflamação ou com a insulina”, mas sim com “um excedente energético” (quando se ingere mais calorias do que as que se gastam), que proporciona uma acumulação de gordura.

Os benefícios dos morangos têm sido analisados em vários estudos. Em dois artigos (um publicado em 2020 e outro ainda por publicar) sugere-se que a ingestão de 2,5 morangos por dia tem efeitos positivos na resistência à insulina e nos níveis de colesterol “mau” (LDL) de adultos com pré-diabetes ou síndrome metabólica. No entanto, ambos os estudos têm poucos participantes (30 e 25 adultos, respetivamente) e, por isso, não constituem evidência robusta.

Um artigo publicado em 2017 também analisou os efeitos dos polifenóis do morango e do arando na “sensibilidade à insulina, tolerância à glicose, secreção de insulina, perfil lipídico, inflamação e marcadores de stress oxidativo em humanos com excesso de peso ou obesidade, resistentes à insulina”.

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Os investigadores identificaram uma melhoria na sensibilidade à insulina no grupo que ingeriu 333 miligramas de polifenóis de morango e arando durante seis semanas, mas afirmam que este efeito “não está associado a um decréscimo de outros marcadores para o risco cardiovascular”.

Os autores do estudo referem também que os “estudos nutricionais são algo contraditórios face aos efeitos do morango e do arando nos marcadores cardiometabólicos, como os lípidos plasmáticos, o stress oxidativo, a capacidade antioxidante e a inflamação”.

Francisco Sousa Santos sublinha que tanto o número de participantes como o tempo de análise dos estudos são pequenos e, por isso, “não permitem tirar conclusões robustas”.

O tratamento de casos de excesso de peso ou de obesidade necessita de uma “intervenção multidisciplinar”, acrescenta o endocrinologista. 

“O tratamento é complexo e não passa apenas pela alimentação. É necessário adotar mudanças comportamentais, melhorar o estilo de vida e passar a fazer atividade física”, afirma, acrescentando que, “em alguns casos, poderá ser necessária uma terapêutica farmacológica”.

Filipa Vicente sublinha que “o défice energético é o critério fundamental para a perda de gordura em ambos os sexos”, podendo este ser atingido com a combinação entre alimentação e atividade física. Os morangos, por terem “menor densidade energética”, podem ser “uma mais-valia” na balança calórica.

A nutricionista lembra ainda que existem diferenças metabólicas e hormonais entre homens e mulheres que podem influenciar a eficiência ou o sucesso do processo de perda de peso: “Os homens têm mais massa muscular, maior taxa metabólica basal em repouso e a própria testosterona tende a preservar mais massa muscular num processo de emagrecimento”, explica. 

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A obesidade é uma doença que afeta uma em cada oito pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Desde a década de 1990, o número de adultos com obesidade mais do que duplicou. Em Portugal, 67,6% da população adulta tem excesso de peso e estima-se que 28,7% tenha obesidade

Em suma: não há evidência robusta de que os morangos tenham propriedades “anti-obesidade” e que, por isso, ajudem as mulheres a perder peso. Estes frutos são ricos em micronutrientes – como os flavonoides – e podem ser benéficos para a saúde quando incluídos numa dieta variada e equilibrada.

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9 Jun 2025 - 09:43

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