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Mononitrato de tiamina presente nos “nuggets” de frango é uma substância carcinogénica? 

10 Jun 2025 - 08:30
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Mononitrato de tiamina presente nos “nuggets” de frango é uma substância carcinogénica? 

Numa publicação partilhada no Instagram, alerta-se para um dos compostos dos “nuggets” da McDonald’s, o mononitrato de tiamina (uma forma sintética da vitamina B1). Segundo o post, o mononitrato de tiamina, frequentemente “adicionado a alimentos processados como fortificante de nutrientes”, é “uma substância carcinogénica”. Mas será mesmo assim?

É verdade que os nuggets de frango contêm uma substância carcinogénica?

Tal como se pode verificar no site da McDonald ‘s, de facto, os “nuggets” de frango contêm mononitrato de tiamina. No entanto, não existe evidência científica de que esta substância seja carcinogénica.

Num texto informativo do gabinete de suplementos alimentares dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla inglesa), explica-se que “o mononitrato de tiamina e o cloridrato de tiamina” são “as formas de tiamina mais utilizadas nos suplementos” alimentares por serem “estáveis e solúveis em água”.

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A tiamina (também conhecida como vitamina B1) “é uma vitamina hidrossolúvel que está presente naturalmente em alguns alimentos, mas que também pode ser adicionada aos produtos, existindo também sob a forma de suplemento alimentar”, refere-se num texto do Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo um texto do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa), alguns alimentos ricos em vitamina B1 são: “ervilhas”, “lentilhas”, “feijões”, “ovos”, “laranjas”, “carne de porco” e “de vaca”, “peixe”, cereais integrais e “alimentos fortificados” com tiamina (como arroz, massa e pão).

Não há qualquer registo de que a vitamina B1 (ou a suas formas sintéticas) seja cancerígena. Aliás, a tiamina não está na lista de classificações da Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC, na sigla inglesa) da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A lista em questão descreve quais os vários agentes “carcinogénicos”, “não carcinogénicos”, “possivelmente carcinogénicos” e “provavelmente carcinogénicos” para os humanos, à luz da evidência científica atual.

Qual a importância da vitamina B1?

A tiamina tem “um papel importante no metabolismo energético e também no crescimento, desenvolvimento e função celular”, sublinha-se no texto do PNPAS.

Um défice de vitamina B1 pode, numa fase inicial, causar perda de peso, confusão, perda de memória e fraqueza muscular (ver aqui e aqui).

Caso o défice se mantenha, pode surgir beribéri, uma doença causada pela falta de vitamina B1 (ver aqui). Neste contexto, “quando a carência desta vitamina já é acentuada”, caracteriza-se “por alterações nervosas, cerebrais e cardíacas”, aponta-se no texto do PNPAS.

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O défice de vitamina B1 tanto pode ocorrer devido a “uma ingestão insuficiente”, a uma “baixa absorção” de tiamina ou a uma “excreção maior do que o normal devido a alguma patologia”, realça-se.

Por outro lado, parece não haver riscos significativos para a saúde associados ao consumo de vitamina B1. 

No texto dos NIH explica-se que, como esta se trata de uma vitamina solúvel em água, “o organismo excreta quantidades excessivas de tiamina na urina”. Além disso, o corpo também parece não absorver “tiamina em doses superiores a 5 mg”.

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Apesar de não haver “limites máximos de ingestão de tiamina”, a toma excessiva pode “ter efeitos adversos” não documentados, pelo que não se recomenda, sobretudo, a suplementação indiscriminada da mesma.

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Alimentação | cancro

10 Jun 2025 - 08:30

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