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Microagulhamento facial reduz rugas, melhora manchas e diminui poros dilatados? Médica explica

5 Abr 2026 - 08:15

Microagulhamento facial reduz rugas, melhora manchas e diminui poros dilatados? Médica explica

Em vários vídeos partilhados no TikTok, fala-se sobre os supostos benefícios de um procedimento chamado microagulhamento facial, tais como a redução de rugas e manchas e a diminuição de poros dilatados. Será que estes benefícios são sustentados pela evidência científica?

É verdade que o microagulhamento facial reduz rugas, melhora manchas e diminui poros dilatados?

Em declarações ao Viral, Marisa Marques, professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), explica que o microagulhamento facial, “quando corretamente aplicado, tem uma elevada segurança, um baixo risco de complicações e é eficaz”. 

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Num texto da Academia Americana de Dermatologia (AAD) refere-se que este procedimento é utilizado com o objetivo de diminuir cicatrizes de acne, manchas escuras, poros dilatados, melasma, flacidez da pele, cicatrizes devido a cirurgias ou lesões, estrias, textura e tons irregulares da pele, e rugas e linhas finas.

Contudo, ressalva a professora da FMUP, “as melhorias são leves”, se o microagulhamento for efetuado de forma isolada, e o procedimento não faz milagres no combate ao envelhecimento da pele.

A médica especialista em cirurgia plástica, reconstrutiva e estética, adianta que o microagulhamento facial, por norma, “refere-se a um tratamento minimamente invasivo, que utiliza um dispositivo com inúmeras microagulhas, normalmente de 0,2 a 0,3 mm de comprimento, que penetram a epiderme, mas não penetram na derme”. 

Há vários dispositivos que podem ser utilizados neste procedimento, como “canetas, dermarollers e dispositivos para radiofrequência”.

O microagulhamento “estimula os queratinócitos” – as células da epiderme responsáveis pela produção de queratina – “a libertar fatores de crescimento, que, em teoria, estimulam as células da derme a produzir colagénio”, prossegue.

“Ao criar pequenos orifícios na epiderme, também aumenta a absorção de produtos tópicos em cerca de 80%, aumentando a sua eficácia”, daí a recomendação da utilização conjunta com radiofrequência ou com outros tratamentos (ver também aqui). Marisa Marques destaca “o PRP (plasma enriquecido em plaquetas), os peels ácidos, o ácido hialurónico, stem-cell e os polinucleotídeos”.

Isto é, o microagulhamento isolado “proporciona melhorias ligeiras”, sendo que “o resultado depende da capacidade do paciente de produzir colagénio” e “as respostas são muito variáveis consoante o estado clínico do paciente”. 

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Segundo Marisa Marques, é importante considerar que o procedimento “não trata, de forma alguma, rugas profundas, nem rugas dinâmicas, nem cicatrizes profundas (com atingimento da derme)”. 

Já para o tratamento de melasma (um tipo de hiperpigmentação) “existem inúmeros estudos sobre a sua utilização isolada, com resultados bem mais promissores, se associado a produtos específicos”.

Mas os resultados não são milagrosos. “O procedimento melhora, mas não trava o envelhecimento, e normalmente para um resultado satisfatório são necessários vários procedimentos, segundo protocolos específicos”, sublinha a médica. 

“Se estivermos a falar de cicatrizes, eventualmente poderão manter-se estáveis após o procedimento, mas se estivermos a falar de rugas, com 100% de certeza, irão agravar com o envelhecimento”, acrescenta.  

Quem pode (e não pode) fazer este procedimento?

Numa metanálise de 2025, por exemplo, estudaram-se mulheres com idade média de 48 anos e as indicações foram “rugas”, “textura da pele”, “fotoenvelhecimento” e “flacidez”, refere Marisa Marques.

O microagulhamento também está “indicado para tratamento de melasma, cicatrizes de acne e cicatrizes pós-cirúrgicas ou traumáticas”, sublinha.

O procedimento está contraindicado para pessoas com “acne ativo, infeções locais bacterianas ou víricas, rosácea com pústulas, feridas recentes, doenças cutâneas (como psoríase ou queratose solar), cancro de pele, risco de cicatrizes queloides e imunossupressão”.

Não se recomenda a utilização de microagulhamento a pessoas que aplicaram recentemente neuromoduladores, fillers ou outros tratamentos de rejuvenescimento facial

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Grávidas ou mulheres a amamentar também são desaconselhadas a fazer o tratamento.

Quais os cuidados a ter antes e depois do microagulhamento?

Qualquer procedimento médico tem riscos. Neste caso, os eventos adversos mais frequentes, registados nos estudos, são “eritema transitório”, “descamação”, “sensação de queimadura” e “prurido”.

Também podem surgir: “hiperpigmentação pós-inflamatória, sangramento puntiforme, edema, pele seca, marca das agulhas na pele, herpes simplex labial (em pacientes já com antecedentes desta infeção vírica)”, salienta Marisa Marques.

Contudo, sublinha-se no texto da AAD, “nas mãos de um dermatologista certificado, o risco de efeitos secundários é bastante reduzido”.

Quando o microagulhamento não é realizado por um médico especializado, “há um risco maior de desenvolver efeitos secundários, como infeções, cicatrizes ou descoloração da pele de longa duração”.

Para minimizar esses riscos também é importante seguir as instruções de cuidados pós-tratamento do médico.

Segundo Marisa Marques, duas a quatro semanas antes e após o tratamento, “deve-se suspender a utilização de produtos tópicos mais agressivos, como o retinol e o ácido glicólico, bem como exposição solar”. 

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Além disso, “os pacientes com antecedentes de herpes simplex labial devem fazer profilaxia”, aponta a médica.

Antes do procedimento, “que é doloroso, deve-se aplicar um anestésico tópico e desinfeção cutânea”. 

Após o microagulhamento, deve-se “utilizar um cicatrizante e protetor solar” e “poderá ser necessário aplicar uma pomada com antibiótico tópico”. 

As orientações específicas de pré e pós-tratamento variam de acordo com a agressividade do procedimento. Por exemplo, “é muito diferente efetuar um simples microagulhamento (e estes também diferem consoante o número de orifícios efetuados) em comparação com um microagulhamento associado a ácido ferúlico, ou em comparação quando associado a radiofrequência”, explica.

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Dermatologia

5 Abr 2026 - 08:15

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