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Micro-ondas destrói as vitaminas dos alimentos e altera o ADN da comida?

25 Mar 2026 - 08:15
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Micro-ondas destrói as vitaminas dos alimentos e altera o ADN da comida?

Num vídeo partilhado no TikTok recomenda-se que “não use o micro-ondas”, porque se trata de “uma máquina de matar comida”. Segundo o post, o micro-ondas destrói as vitaminas dos alimentos e altera o ADN da comida. Mas será mesmo assim?

É verdade que o micro-ondas destrói as vitaminas dos alimentos e altera o ADN da comida?

Não é bem assim. Quem o diz, em declarações ao Viral, é Leandro Oliveira, nutricionista e investigador do Centro de Investigação em Biociências e Tecnologias da Saúde (CBIOS) da Universidade Lusófona.

Em relação à “destruição” de vitaminas, de facto, “por haver um aquecimento do alimento” quando se utiliza o micro-ondas, “há a perda de vitaminas”. Mas isto acontece “com todos os métodos de confeção”, explica o nutricionista.

Seja no forno, no fogão ou no micro-ondas, por exemplo, os alimentos “estão sujeitos a elevadas temperaturas” e isso pode afetar “algumas vitaminas mais sensíveis” à temperatura, como, por exemplo, a “vitamina C” e “algumas vitaminas do complexo B”.

De qualquer forma, “não há evidência que mostre que o micro-ondas tem um impacto maior nessa perda de vitaminas do que os outros métodos que existem”, sublinha o investigador.

Aliás, “como os tempos de cozedura no micro-ondas são mais curtos, cozinhar no micro-ondas permite preservar melhor a vitamina C e outros nutrientes que se degradam com o calor”, refere-se num texto da Harvard Medical School.

Por outro lado, exemplifica Leandro Oliveira, “se estivermos a falar de um assado em que se atinge uma temperatura de 180 a 200 graus, ou mesmo de uma fritura, vão acabar por promover uma perda de nutrientes superior à de um cozimento a baixas temperaturas”.

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No fundo, “quanto menos tempo cozinharmos o alimento e quanto mais baixas forem as temperaturas que usarmos, mais conseguimos preservar os nutrientes”.

Na perspetiva do nutricionista, “se perdemos nutrientes com um método, no outro, se calhar, já os preservamos, portanto, o melhor é ir sempre variando os métodos de confeção e os alimentos, para conseguirmos suprir as necessidades”.

Em relação à alegação de que o micro-ondas altera o ADN da comida, “não há evidência que mostre isso”, sublinha Leandro Oliveira.

A única radiação “com impacto no ADN é a radiação ionizante”, aponta. Tal como se explica num texto do Cancer Council, este tipo de radiação “pode contribuir para o risco de cancro com a exposição acumulada ao longo do tempo, por exemplo, em caso de acidentes nucleares ou através de bombas ‘atómicas’”.

O tipo de radiação utilizada no micro-ondas é “não ionizante” com “uma baixa frequência”, que “aquece os alimentos ao agitar as moléculas de água”, adianta Leandro Oliveira. Esta radiação é segura e “não tem a capacidade de provocar alterações no ADN” (ver aqui, aqui e aqui).

Segundo o texto do Cancer Council, a única radiação não ionizante que tem mais energia do que a radiação dos micro-ondas e “pode aumentar o risco de problemas de saúde, como o cancro da pele”, é a radiação ultravioleta.

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Categorias:

Alimentação

Etiquetas:

ADN | Micro-ondas | Vitaminas

25 Mar 2026 - 08:15

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