A menstruação pode desencadear uma crise de enxaqueca?
Existem vários fatores que podem desencadear crises de enxaqueca, em pessoas com a doença. Os gatilhos – que podem ser ambientais, fisiológicos ou alimentares – não são os mesmos para todas as pessoas e podem variar ao longo da vida de um doente. Será a menstruação um dos fatores que pode desencadear uma enxaqueca?
É verdade que a menstruação pode desencadear uma crise de enxaqueca?
Sim. Segundo a secção de perguntas e respostas da Sociedade Portuguesa de Cefaleias (SPC), “fatores hormonais”, como “a menstruação”, fazem parte dos gatilhos mais comuns para uma crise de enxaqueca (ver também aqui, aqui e aqui).
Tal como se explica no site da American Migraine Foundation, as mulheres têm três vezes mais probabilidades de ter enxaqueca do que os homens, e até 75% das mulheres afirmam que sofrem crises por volta do período menstrual” (enxaqueca menstrual).
Aliás, “muitas mulheres com enxaqueca têm a sua primeira crise durante a adolescência, geralmente por volta da época em que começam a menstruar”, sublinha-se num texto da organização britânica The Migraine Trust.
Em causa está o facto de os níveis de estrogénio caírem naturalmente nos dias que antecedem a menstruação, porque a diminuição desta hormona “é um gatilho comum para a enxaqueca”, explica-se noutro texto da mesma organização.
Além disso, salienta-se, “substâncias semelhantes a hormonas chamadas prostaglandinas também têm sido associadas à enxaqueca”.
O corpo liberta mais prostaglandinas na altura da menstruação, o que pode causar “dores menstruais, bem como aumentar o risco de enxaqueca”.
Como lidar com a enxaqueca menstrual?
O tratamento para a enxaqueca menstrual é praticamente o mesmo que para qualquer outra crise. Divide-se em dois tipos de tratamento: o sintomático (na crise aguda) e o profilático (ou preventivo).
Durante uma crise de enxaqueca, “o doente deverá deitar-se num local sossegado e escuro” e “pode ainda aplicar pressão ou frio no local da dor”, explica-se no site da SPC.
Os medicamentos recomendados para lidar com a crise são “analgésicos simples, anti-inflamatórios e triptanos (agonistas da serotonina)”, que devem ser receitados por médicos.
Em termos de tratamento profilático, “as pessoas com enxaqueca deverão construir calendários de crises que permitam identificar fatores precipitantes” e evitá-los, “se isso for possível”, refere-se no mesmo site.
Em casos específicos, pode ser “necessário recorrer a medicamentos de uso diário para diminuir as crises (em frequência, em duração ou em intensidade)”.
Além disso, alguns métodos contracetivos orais “podem estabilizar os níveis hormonais e, portanto, prevenir futuras crises de enxaqueca”, sublinha-se no texto da American Migraine Foundation. Mas antes de se iniciar a toma, deve-se consultar um médico, porque existem pílulas específicas que podem piorar a enxaqueca (ver aqui).