Não devo tomar ibuprofeno no dia da depilação a laser?
Numa publicação do Instagram, deixa-se um alerta: “Não tomes medicamentos fotossensíveis 24 horas antes da sessão” de depilação a laser. Segundo o mesmo post, “medicamentos como o brufen” (nome comercial do ibuprofeno) “aumentam o risco de manchas e irritações” na pele durante a sessão de laser. Mas será mesmo assim? É recomendado não tomar ibuprofeno no dia de uma sessão de depilação a laser?
É verdade que não se deve fazer depilação a laser enquanto se toma ibuprofeno?
Sim. Em declarações ao Viral, o dermatologista Pedro Vilas Boas adianta que “é verdade” que “o brufen [ibuprofeno] é um dos medicamentos que pode induzir uma ação de fotossensibilidade”, ou seja, deixa a pele “mais sensível à radiação”.
Quando se fala em radiação, inclui-se qualquer tipo, seja a radiação proveniente dos tratamentos com laser, seja a radiação proveniente da luz solar ou dos raios-X.
Apesar disso, é importante saber distinguir estas radiações. Nos tratamentos de depilação a laser utilizam-se “comprimentos de onda ultravioleta (UV) diferentes dos encontrados na luz solar (UVA/UVB) ou na radiação ionizante (radiação nuclear/raios-X), ambas conhecidas por danificar as células e causar cancro da pele”, sublinha-se num texto do Cancer Council.
Os aparelhos para depilação a laser emitem uma “radiação não ionizante”, considerada “segura”, sob a forma de uma fonte de luz concentrada que produz um feixe laser muito fino”, utilizado “para matar os folículos pilosos, resultando na perda de crescimento do pelo”, acrescenta-se.
Embora a radiação dos tratamentos a laser seja segura, tomar medicação fotossensível antes de uma sessão apresenta riscos para a pele.
Alguns fármacos fotossensíveis são, por exemplo: anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) – como o ibuprofeno e o ácido acetilsalicílico (aspirina) -, alguns antibióticos (como as tetraciclinas), “anti-histamínicos”, “certos medicamentos para o coração” e “estatinas para baixar o colesterol”, refere-se num texto da organização norte-americana Skin Cancer Foundation.
Segundo Pedro Vilas Boas, de modo geral, a toma ou aplicação deste tipo de fármacos “faz com que a pele fique mais sensível à radiação”, ou seja, “aumenta o risco de efeitos adversos associados ao laser”, sobretudo “queimaduras e irritações”.
A gravidade dessas reações vai depender de vários fatores, como “o tipo de laser e a longitude da onda do laser utilizado”, bem como do medicamento específico e “do tempo” que passou desde a toma ou aplicação do fármaco.
Por esse motivo, sublinha o dermatologista, quando se está a fazer a toma de anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, recomenda-se esperar “24 horas” após a última toma para se fazer uma sessão de laser.
“No caso dos antibióticos, como a doxiciclina, recomenda-se um período um pouco mais prolongado, de uma semana a 15 dias”, acrescenta o médico.
Outros cuidados a ter antes e após uma sessão de depilação a laser
Antes de uma sessão de depilação a laser, deve-se também garantir que “a zona a depilar não tem nenhuma inflamação aguda, eczema, irritação ou que a pele não está demasiado seca”, explica Pedro Vilas Boas.
Outro fator importante é “o nível de bronzeado” da pele (ver também aqui). Os aparelhos utilizados na depilação a laser funcionam ao “captar a cor escura do pelo”, que contrasta com a cor da pele.
“Se a pessoa estiver muito bronzeada, o laser não vai conseguir distinguir com clareza o bronze da pele e a cor do pelo”, esclarece. Nesses casos, “o laser pode danificar a pele”, sublinha.
Nos dias a seguir à sessão de laser, em que a pele está mais sensível, deve-se “ter o cuidado de hidratar a pele e de não a expor ao sol”, conclui.