PUB

Fact-Checks

Implante contracetivo: ficar sem o “período” é normal?

11 Set 2026 - 08:15

Implante contracetivo: ficar sem o “período” é normal?

Existem vários métodos contracetivos femininos eficazes: hormonais, não hormonais, mecânicos e cirúrgicos. Os métodos hormonais, como a pílula, o implante e o anel vaginal, além de prevenirem a gravidez, podem ter outros efeitos no organismo. É normal as mulheres deixarem de ter o “período” enquanto usam um implante?

O período pode desaparecer durante o uso do implante contracetivo?

Todos os métodos contracetivos hormonais fazem com que as mulheres deixem de menstruar. As pílulas combinadas, por exemplo, foram preparadas de forma a haver uma perda de sangue durante a pausa, chamada hemorragia de privação (que não é o mesmo que menstruação), com o objetivo de indicar à mulher que à partida não está grávida.

Os contracetivos hormonais à base de progestativo – como o implante – podem fazer com que se deixe de ter qualquer tipo de perda de sangue. Aliás, segundo o consenso clínico do American College of Obstetricians & Gynecologists (ACOG), estes fármacos hormonais “podem ser utilizados para a supressão menstrual”, uma vez que “o efeito adverso mais comum destes métodos é o sangramento espontâneo ou irregular”. 

PUB

Tal como se explica num texto da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), existem vários métodos contracetivos para mulheres, que se classificam em diversos tipos: hormonais, não hormonais, mecânicos, cirúrgicos e naturais.

Dentro dos hormonais, existem os combinados e os progestativos. Os combinados consistem numa “associação de estrogénios e progestativos que inibem a ovulação”. Incluem: a pílula, o anel vaginal e os métodos transdérmicos (selos).

Os progestativos, tal como o nome indica, são compostos apenas por progestativos “que inibem a ovulação e espessam o muco cervical impedindo que o espermatozoide chegue ao óvulo”. Estão disponíveis em formato de pílula, injetável (com administração intramuscular a cada 12 semanas), sistema intrauterino e implante (com administração na face interna do braço).

O implante é um método de contraceção eficaz (cerca de 99%) de longa duração (3 anos) que “tem a forma de um pequeno bastonete flexível, com quatro centímetros de comprimento e dois milímetros de diâmetro”, adianta-se num texto do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24).

Este fármaco “vai libertando de forma gradual e contínua uma pequena quantidade de hormonas – progestativo – para a corrente sanguínea”. Atua de duas formas: ao inibir a ovulação (libertação do óvulo) e ao tornar o muco cervical mais espesso, “dificultando a mobilidade dos espermatozoides no útero”.

Tal como acontece com outros métodos à base de progestativo, o implante causa uma “modificação no padrão menstrual habitual”. A maioria “tem perdas escassas e esporádicas” e algumas deixam mesmo de ter qualquer tipo de sangramento, sublinha-se no mesmo texto (ver também aqui e aqui).

PUB

Também é possível, mais raramente, que a perda de sangue seja “mais intensa ou mais dolorosa”, dure mais tempo, ou que “se torne mais imprevisível, por exemplo, tendo um período intenso seguido de um período muito fraco”, ou não havendo sangramento, lê-se num texto do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa).

Importa sublinhar que a alteração no ciclo causada pelo implante “não tem qualquer impacto na fertilidade nem na saúde da mulher”, salienta o SNS 24.

Num documento da Organização Mundial da Saúde (OMS), sobre planeamento familiar, explica-se que, ao contrário do que se pode pensar, “não há necessidade de perder sangue todos os meses; o sangue não se acumula no seu interior”. 

Este efeito causado pelo implante “é semelhante a não ter menstruação durante a gravidez”. Além disso, não ter o período “pode trazer benefícios para a saúde, por exemplo, reduzindo o risco de anemia”, acrescenta-se.

Quem pode (e não pode) usar o implante como método de contracetivo?

Os métodos contracetivos à base de progestativo – como o implante – “podem ser particularmente importantes para pessoas com contraindicações ao estrogénio”, como “doenças cardiovasculares, enxaquecas com aura, hipertensão e hipercoagulabilidade”, explica-se no consenso clínico do ACOG.

O implante também é recomendado para fumadoras, pessoas com obesidade, mulheres que estão a amamentar ou que tiveram um filho recentemente (ver aqui).

No site contraceção.pt, explica-se que “o implante pode ser usado na amamentação, já que não influencia a produção nem a qualidade do leite materno”, podendo “ser inserido imediatamente pós-parto”.

PUB

Apesar de o implante ser um método contracetivo com uma elevada eficácia e com vários benefícios, não é adequado para todas as mulheres.

Não é recomendada a utilização de implante em caso de “alergia a algum dos componentes”, suspeita de gravidez e “hemorragia vaginal cuja causa é desconhecida”.

PUB

Se a mulher tiver “alguma neoplasia maligna sensível às hormonas sexuais, por exemplo, carcinoma da mama ou meningioma”, “doença tromboembólica ativa”, “tumor no fígado”, ou “doença de fígado grave” também não pode usar o implante como método de contracetivo.

É importante referir ainda que o implante, tal como os outros métodos hormonais, “não protege das infeções sexualmente transmissíveis”, sublinha-se no texto do SNS 24.

Categorias:

Ginecologia

11 Set 2026 - 08:15

Partilhar:

PUB