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HPV só pode provocar cancro em mulheres?
O vírus do papiloma humano (HPV) é “responsável por um elevado número de infeções que, na maioria das vezes, não apresentam sintomas e são de regressão espontânea”, lê-se no site do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Este vírus é responsável por uma das infeções de transmissão sexual mais comuns a nível mundial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), “em 90% dos casos, o corpo controla-a por si só”, mas noutros casos mais graves podem surgir outras complicações como cancro.
O vírus é frequentemente relacionado a mulheres — até há pouco tempo, a vacina contra o HPV era apenas dada a raparigas. Desde 2020, no âmbito do Plano Nacional de Vacinação, os rapazes nascidos a partir de 2009 podem fazer a vacina gratuitamente. Mas este vírus só pode provocar cancro na população feminina?
HPV só provoca cancro em mulheres?
Não. E, embora o cancro do colo do útero seja um dos mais conhecidos e responsáveis por uma grande parte da carga total de cancro atribuível ao HPV, não é o único. O HPV também está associado a tumores da vagina e vulva, ânus e garganta.
Dados da OMS mostram que, em 2019, o HPV foi responsável por cerca de 620 mil diagnósticos de cancro em mulheres e 70 mil em homens.
Nos homens, o HPV pode provocar cancro no pénis, no ânus e na orofaringe (garganta). Ou seja, embora a proporção de casos atribuíveis ao HPV seja globalmente maior entre as mulheres, os homens não estão isentos de risco.
De acordo com o hpv.pt (que pertence à Liga Portuguesa Contra o Cancro), “estima-se que 75 a 80% das pessoas sexualmente ativas tenham contacto com o vírus em alguma altura das suas vidas”.
Muitas vezes, a infeção não apresenta qualquer sintoma, o que significa que é possível infetar um parceiro ou parceira sem saber. Quando há sintomas, o HPV pode manifestar-se através de “comichão, ardor ou dor durante a relação sexual, verrugas, principalmente na região genital ou anal, corrimento anormal e hemorragias fora do período da menstruação”, segundo o SNS.
“Na maioria dos casos, a infeção provocada pelo HPV desaparece espontaneamente ao fim de um a dois anos”, lê-se num texto do hpv.pt.
“Nos casos em que o HPV não é eliminado, a infeção pode progredir para doença. Não é possível prever quem irá desenvolver doença associada ao vírus”.
Os HPV de alto risco, os tipos 16 e 18, são responsáveis por “75% das lesões mais graves (cancerosas)”.
Para prevenir a infecção por HPV, o SNS recomenda “fazer a vacina, utilizar de forma correta e consistente o preservativo, falar com o parceiro/a sobre as infeções de transmissão sexual e a sua prevenção e realizar regularmente a citologia, vulgarmente conhecida como teste papanicolau, e/ou teste de HPV-DNA, se recomendado e disponível, mesmo que tenha feito a vacina”.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
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