Homens devem parar de beber álcool três meses antes de tentarem ter filhos?
Nas redes sociais, sugere-se que, de acordo com um estudo, os homens devem parar de beber álcool durante pelo menos 3 meses antes de tentarem ter filhos. Segundo uma das publicações, “os danos no esperma causados pelo álcool podem provocar problemas de crescimento fetal, defeitos congénitos e riscos para a saúde da criança a longo prazo”. Será mesmo assim?
É recomendado que os homens parem de beber álcool três meses antes de tentarem ter filhos?
Em declarações ao Viral, Ana Meirinha, urologista especializada em andrologia do Hospital Lusíadas Lisboa, adianta que é verdade que se aconselha os homens a deixarem de consumir bebidas alcoólicas, pelo menos, três meses antes de tentarem ter filhos (ver também aqui e aqui).
A antecedência mínima, geralmente, recomendada é de três meses, porque esse “é o tempo que demora para a renovação do stock de espermatozoides”, explica a médica.
Hoje, sabe-se que, “da mesma forma que a mulher não deve beber bebidas alcoólicas antes da conceção”, o homem também deve evitar consumir álcool durante esse período.
Em causa está o facto de o álcool “afetar a produção de espermatozoides”, em termos de qualidade e quantidade, o que pode levar, por um lado, “à diminuição da probabilidade de fertilização” e, por outro, “à formação de espermatozoides defeituosos”, esclarece Ana Meirinha.
Num texto da Alcohol and Drug Foundation (ADF) também se sublinha a importância desta questão. O consumo de álcool, por si só, “diminui o volume e a concentração de espermatozoides, afetando a fertilidade” (ver aqui e aqui).
Quando o consumo de álcool é excessivo e mantido a longo prazo “pode causar danos permanentes nos testículos e na fertilidade” (ver também aqui e aqui).
Além disso, ingerir bebidas alcoólicas “antes da conceção pode danificar os espermatozoides, prejudicando potencialmente o desenvolvimento da criança no futuro”, acrescenta-se no mesmo texto.
Aliás, uma investigação publicada na revista científica da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC, na sigla inglesa) sugere que o consumo de álcool por parte dos homens três meses antes da gravidez “foi associado a um risco 44% superior de cardiopatia congénita”.
Este risco aumenta para 52% em homens que fazem binge drinking, ou seja, que ingerem uma grande quantidade de bebidas alcoólicas em pouco tempo.
As cardiopatias congénitas ocorrem quando o coração do feto não se desenvolve normalmente durante a gravidez (ver aqui, aqui e aqui).
São problemas na estrutura do coração que podem ocorrer numa ou mais partes do órgão e que tanto podem ser defeitos muito ligeiros sem necessidade de tratamento ou como podem ser problemas que põe a vida em risco à nascença.
De modo geral, as cardiopatias congénitas “podem alterar a forma como o coração bombeia o sangue” e/ou “podem fazer com que o sangue flua muito lentamente, siga o caminho errado”, ou seja “bloqueado”, sublinha-se num texto do MedlinePlus.
Que outros hábitos podem prejudicar a fertilidade masculina?
Além do álcool, existem outros fatores que podem influenciar a fertilidade masculina. Nesse sentido, refere Ana Meirinha, também “recomendamos que os homens pratiquem exercício físico, evitem comidas com excesso de gordura e não fumem”. No fundo, salienta, aconselhamos “um estilo de vida saudável” (ver também aqui).
Segundo um texto da Associação Portuguesa de Fertilidade, é ainda importante ter em conta que a “utilização ou exposição a substâncias tóxicas, como drogas ou estupefacientes” afeta “a qualidade dos espermatozoides”, aumenta “as anomalias genéticas”, causa “perda da libido” e leva “à impotência”.
Também “a exposição constante ao calor excessivo, à radiação, a metais pesados e a outras substâncias tóxicas pode causar alterações no sémen”.
O peso também tem influência na fertilidade. Por um lado, o excesso de peso “pode provocar hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, síndrome metabólica e disfunções hormonais e de libido”, doenças que influenciam o “volume”, a “quantidade”, a “qualidade” e a “mobilidade dos espermatozoides”, refere-se no site da Associação Portuguesa de Fertilidade.
Por outro lado, o peso muito baixo “leva à diminuição dos níveis hormonais” e, por consequência, à diminuição da produção de testosterona e de espermatozoides.
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