Hantavírus: A Moderna já tem uma vacina pronta?
Continua a ser partilhada desinformação online sobre os hantavírus, a propósito do surto do vírus Andes num navio de cruzeiro no Atlântico. No TikTok, sugere-se que a Moderna – uma empresa de biotecnologia que, entre outras coisas, desenvolveu uma das vacinas aprovadas contra a Covid-19 – já tem uma vacina pronta contra os hantavírus. Segundo alguns vídeos partilhados, a empresa começou a desenvolver a vacina há dois anos, muito antes do surto deste “novo vírus”. Confirma-se? A Moderna já tem uma vacina contra os hantavírus?
É verdade que a Moderna já tem uma vacina pronta para combater os hantavírus?
Até à data, a Moderna não tem nenhuma vacina aprovada contra os hantavírus. Aliás, ainda não existe nenhuma vacina contra os hantavírus aprovada na Europa ou nos Estados Unidos (ver aqui e aqui).
Existem apenas vacinas disponíveis e administradas há cerca de 30 anos na Ásia, em países como China e Coreia do Sul. No entanto, estas vacinas têm como alvo o vírus Hantaan e não o vírus Andes (o tipo de hantavírus detetado no surto num navio de cruzeiro no Atlântico).
Importa sublinhar que o hantavírus não é “um novo vírus”, trata-se de um grupo de vírus descobertos no século passado.
Tal como o Viral já tinha esclarecido, num artigo anterior, o primeiro surto ocorreu durante a Guerra da Coreia (1950 a 1953) e o segundo ocorreu na região de Four Corners, nos Estados Unidos, em 1993 (ver aqui e aqui).
Nesse sentido, ao longo dos anos, vários grupos de investigação têm trabalhado no sentido de desenvolver vacinas contra estes vírus.
A Moderna é um desses casos. A empresa tem colaborado com o Instituto de Pesquisa Médica de Doenças Infeciosas do Exército dos EUA (USAMRIID) e com o Centro de Inovação de Vacinas da Faculdade de Medicina da Universidade da Coreia (ver aqui).
Contudo, a Moderna ainda não tem uma vacina pronta contra as infeções por hantavírus. Contactada pelo Maldita.es, a empresa adiantou que a vacina ainda está “em fase inicial e em andamento”.
As vacinas contra o vírus Hantaan aprovadas em alguns países asiáticos servem para prevenir a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS), mas não são autorizadas no Ocidente devido à sua baixa eficácia e à necessidade de múltiplas doses de reforço para manter a imunidade.
Existem vários tipos de vacinas. As vacinas em questão utilizam a tecnologia de vírus inativado (e não a tecnologia de RNA mensageiro), ou seja, usam a “versão morta” do microrganismo causador da doença.
Por norma, “não conferem uma imunidade (proteção) tão forte como as vacinas vivas”, refere-se num texto do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.
Por isso, nestes casos pode ser necessário “receber várias doses ao longo do tempo (vacinas de reforço) para obter uma imunidade duradoura contra as doenças”.
Como não há vacinas contra os hantavírus aprovadas na Europa e nos Estados Unidos – nem existe qualquer vacina direcionada ao vírus Andes – “evitar o contacto com material infetado é a melhor forma de prevenir a infeção”, adianta-se no site do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).
Também “é aconselhável usar uma máscara facial em situações em que existe um risco elevado de entrar em contacto com roedores e os seus excrementos”, acrescenta-se.
As principais complicações dos hantavírus são a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS) e a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS), ambas potencialmente fatais.
Segundo um texto dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla inglesa), “não existe um tratamento específico para a infeção por hantavírus”.
A abordagem passa, sobretudo, por cuidados de suporte, nomeadamente “repouso, hidratação e tratamento dos sintomas” (saiba mais sobre como se tratam e transmitem os hantavírus nestes dois artigos do Viral).
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