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Há sprays nasais que causam “dependência”? Médica explica

15 Abr 2026 - 08:15

Há sprays nasais que causam “dependência”? Médica explica

No TikTok sugere-se que há sprays nasais que causam “dependência”. Segundo os vídeos partilhados, alguns destes produtos, que têm determinadas substâncias, podem causar um problema chamado “rinite medicamentosa”. Será mesmo assim? Há sprays nasais que podem causar dependência? Quais os cuidados a ter?

É verdade que os sprays nasais podem causar “dependência”?

Há sprays nasais descongestionantes que podem causar “um fenómeno conhecido como rinite medicamentosa”, adianta Joana Curado Gonilho, médica interna de otorrinolaringologia na Unidade Local de Saúde (ULS) São José, em declarações ao Viral.

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Segundo a médica, “esta condição resulta do uso prolongado ou excessivo de descongestionantes tópicos nasais, particularmente constituídos por compostos como a oximetazolina ou a xilometazolina”.

A rinite medicamentosa “caracteriza-se por obstrução nasal crónica refratária aos descongestionantes nasais, com períodos de alívio progressivamente mais curtos”, esclarece (ver também aqui, aqui e aqui).

Por isso, “os doentes tentam aliviar os sintomas usando o descongestionante com maior frequência ou em doses mais elevadas, o que agrava a sintomatologia e cria uma dependência medicamentosa”.

Do ponto de vista médico, “a ‘dependência’ de sprays nasais não é uma dependência farmacológica clássica, mas sim uma condição fisiopatológica que pode apresentar componentes comportamentais de adição”, explica Joana Curado Gonilho.

Ao contrário das “dependências farmacológicas clássicas (como opioides ou benzodiazepinas), os descongestionantes nasais não têm efeitos psicoativos nem causam dependência física no sentido tradicional”.

Ainda assim, em doentes com rinite medicamentosa podem ser identificados “sintomas clássicos da adição, como modificação do humor, tolerância, sintomas de abstinência, conflito e recaída”, acrescenta a médica.

Segundo Joana Curado Gonilho, “a prevalência da rinite medicamentosa não está bem estabelecida”, mas, como estes sprays são de venda livre, “a acessibilidade é grande e torna o problema relevante”.

Como prevenir a rinite medicamentosa?

Em primeiro lugar, “é fundamental a educação do doente quanto aos riscos da utilização destes sprays e qual a duração indicada da terapêutica”, adianta Joana Curado Gonilho. 

A dose recomendada deve ser respeitada, “não aumentando a frequência de aplicações e optando por formulações com menor concentração quando disponíveis”, sublinha.

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Além disso, “nunca deverá ser superado o período de tratamento recomendado de 3 a 5 dias”. 

Se os sintomas não melhorarem com o tratamento recomendado, “deverá consultar um médico”, aconselha-se num texto da Ordem dos Farmacêuticos (OF).

Apesar de os sprays nasais descongestionantes poderem ser utilizados pela maioria da população, “o seu uso encontra-se desaconselhado em alguns grupos de pessoas, pelo que a utilização nestes casos deverá ser feita apenas com indicação prévia do médico ou farmacêutico”, lê-se no mesmo texto.

Deve informar o profissional de saúde “se toma outros medicamentos”, “se está grávida ou a amamentar”, “se tem problemas de fígado, renais, de coração ou circulatórios” e se tem doenças como “diabetes, pressão arterial elevada, hipertiroidismo, hiperplasia da próstata, glaucoma”.

É fundamental  não utilizar em crianças um spray descongestionante destinado a adultos.. Existem fármacos “destinados especificamente para uso em crianças, com concentrações apropriadas para a idade”, aponta-se no texto da OF.

Sabe-se, ainda, que “existem grupos de pessoas mais suscetíveis a desenvolver rinite medicamentosa”, como “fumadores”, “indivíduos com ansiedade e perturbações psiquiátricas” e “doentes com rinite alérgica e não alérgica”, refere Joana Curado Gonilho. Deve-se ter especial atenção nestes casos.

Como se deteta a rinite medicamentosa? E como se trata?

Existem vários sinais de que o uso de sprays nasais descongestionantes está a tornar-se problemático.

Uma “diminuição da duração do efeito, com necessidade de aumentar a frequência ou a dose” do medicamento, é um sinal de rinite medicamentosa.

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O uso além do período recomendado, ou seja, “continuar a usar o spray mais de 3 a 5 dias consecutivos é também um sinal de alerta importante”, aponta Joana Curado Gonilho.

Eventualmente, “o doente entra num padrão em que a congestão leva a mais uso do spray, que por sua vez agrava a congestão, criando um ciclo de dependência”.

Por consequência, “a mucosa nasal torna-se mais sensível e reativa, com tolerância ao medicamento” e, “com o tempo, o uso excessivo destes sprays pode induzir sintomas como perturbações do sono, sensação de sufoco, e efeitos psicológicos significativos que afetam a qualidade de vida”, explica a médica.

Contudo, “as alterações causadas pelo uso prolongado de sprays vasoconstritores são geralmente reversíveis após a suspensão do medicamento, não havendo evidência de danos permanentes”. 

O tratamento consiste “em suspender o descongestionante e usar corticosteroides nasais para facilitar a recuperação” (ver também aqui e aqui).

Existem alternativas a estes sprays nasais?

“Sim, existem múltiplas alternativas eficazes e seguras aos sprays descongestionantes nasais”, adianta a médica da ULS São José.

Os “corticosteroides intranasais (como a fluticasona, mometasona, budesonida e a triamcinolona)” são considerados “a terapia de primeira linha para congestão nasal moderada a grave, com superioridade estabelecida sobre anti-histamínicos, descongestionantes e antagonistas dos leucotrienos”. 

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Além de serem eficazes, “são seguros para uso prolongado sem necessidade de interrupções”, prossegue. 

No entanto, “o efeito máximo é alcançado após 2 a 4 semanas de uso diário, o que, frequentemente, desencoraja os doentes a aderir à terapêutica durante um período de tempo suficiente para ver resultados”, acrescenta Joana Curado Gonilho.

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Otorrinolaringologia

15 Abr 2026 - 08:15

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