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Grávidas não podem comer marisco? Quais os cuidados a ter?

9 Nov 2024 - 08:00

Grávidas não podem comer marisco? Quais os cuidados a ter?

Nas redes sociais, questiona-se, com frequência, se as mulheres podem comer marisco na gravidez. Numa publicação, partilhada no Facebook, uma utilizadora pergunta se as grávidas podem “comer marisco, polvo ou lulas”. Noutro post, sugere-se que o marisco é um dos “alimentos a evitar na gravidez”. 

Por outro lado, no TikTok, algumas pessoas respondem a alguns comentários sobre o tema e alegam que é seguro comer marisco nesta fase, desde que haja precauções. Afinal, as grávidas podem ou não comer marisco?

Não se pode comer marisco durante a gravidez?

Em esclarecimentos ao Viral, Fernando Cirurgião, diretor do serviço de ginecologia e obstetrícia do Hospital de São Francisco Xavier, adianta que “as grávidas podem comer marisco”, desde que tenham “alguns cuidados”.

Na perspetiva do médico, é essencial garantir que o marisco “é cozinhado”, “de qualidade”, “fresco” e “seguro”.

No mesmo sentido, explica a Direção-Geral da Saúde num texto de perguntas e respostas, as grávidas “podem ingerir marisco desde que esteja bem cozinhado e acabado de cozinhar”.

Pela mesma ordem de ideias, num texto do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa) refere-se que as grávidas podem comer “peixe e marisco cozinhados”.

É importante, no entanto, não comer marisco cru, “como as ostras, que são ingeridas ao natural”, salienta Fernando Cirurgião.

Isto porque, nesse caso, “há uma maior probabilidade de o alimento estar contaminado por bactérias ou por toxinas”, uma vez que não foi cozinhado.

Para evitar contaminação cruzada – ou seja, a passagem de bactérias dos crus para os cozinhados -, é importante não comer marisco que venha num só recipiente, em conjunto, como “as tábuas de marisco”, exemplifica o médico.

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Por outro lado, não há problema, por exemplo, em “camarão cozido, isolado, muito bem separado, de confiança, que se faz em casa”.

Para garantir que o marisco é de qualidade, fresco e cumpre as normas de segurança alimentar, deve-se ter em atenção, também, “onde vai ser comido” ou comprado.

“Nada melhor do que comer marisco apenas em casa, onde se tem uma garantia quanto ao menor risco de haver infeção”, sugere Fernando Cirurgião.

No momento de comprar marisco, é importante saber como avaliar a frescura dos alimentos. Num texto publicado no site da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) especificam-se os sinais que, à partida, indicam que um determinado marisco é fresco (veja aqui quais são essas caraterísticas).

O mercúrio presente no marisco pode ser uma preocupação?

Também há quem tenha receio de comer marisco por causa do mercúrio que estes alimentos podem ter. Contudo, destaca Fernando Cirurgião, “o teor do mercúrio existente no marisco é baixo”.

Sabe-se que “poderão ter, porque vêm do mar”, mas “aqueles que apresentam maior risco” de terem mais quantidades de mercúrio “são os peixes de profundidade, os peixes maiores”.

Num quadro publicado no site da Food and Drug Administration (FDA), a agência federal do departamento de saúde e serviços humanos dos Estados Unidos, indica-se quais os peixes e mariscos com maiores níveis de mercúrio.

Por exemplo, aponta-se, o “espadarte” e o “peixe-espada” têm os “níveis de mercúrio mais elevados”, pelo que devem ser evitados nesta fase.

Segundo um texto publicado no site do Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), o elevado teor de mercúrio “pode representar riscos para a saúde, designadamente ao nível do desenvolvimento cognitivo”, devendo, por isso, ser evitado “por grávidas, mulheres a amamentar e crianças pequenas”. 

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Por outro lado, o “camarão”, a “lagosta” e o “salmão” são considerados “as melhores escolhas”, refere-se no quadro da FDA.

Importa ainda assinalar que “o consumo de pescado, que inclui peixe, moluscos e crustáceos, tem benefícios para a saúde, diminuindo o risco de doença coronária e contribuindo para um adequado neurodesenvolvimento do feto”, assinala-se no texto do PNPAS.

Para os grupos vulneráveis (grávidas, lactantes e crianças pequenas), a recomendação “é o consumo de pescado entre 3 a 4 vezes por semana, sendo que para a população em geral o consumo de pescado deverá ser mais frequente, até 7 vezes por semana”, acrescenta-se.


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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

The sole responsibility for any content supported by the European Media and Information Fund lies with the author(s) and it may not necessarily reflect the positions of the EMIF and the Fund Partners, the Calouste Gulbenkian Foundation and the European University Institute.

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Alimentação

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