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Garrafas térmicas são perigosas para a saúde porque causam infeções?

1 Nov 2024 - 10:25
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Garrafas térmicas são perigosas para a saúde porque causam infeções?

O alerta circula nas redes sociais: “Cuidado! Evite as garrafas térmicas.” Num vídeo partilhado no Tik Tok, refere-se que estes recipientes são “altamente contaminantes” e “causadores de infeções gastrointestinais, pulmonares, vaginais, dores abdominais, vómitos e até febre”.

Afirma-se ainda que, numa garrafa térmica, “foram encontrados mais de um milhão de bactérias e fungos” e que estes microrganismos vão fazer o indivíduo adoecer.

É verdade que as garrafas térmicas são “altamente contaminantes” e causam doenças a quem as usa? Isabel Ratão, professora na área da segurança alimentar no Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve, esclarece a questão.

 Usar garrafas térmicas é perigoso para a saúde?

“Se for de um material indicado para estar em contacto com alimentos e estiver devidamente higienizada, não existe qualquer problema em utilizar uma garrafa térmica”, responde Isabel Ratão, em declarações ao Viral.

No entanto, a especialista reconhece que uma “higienização deficiente” da garrafa pode constituir um risco para a saúde do utilizador – à semelhança do que acontece com outros recipientes alimentares.

“Uma higienização deficiente das garrafas térmicas constitui uma fonte de microrganismos”, afirma a especialista. Quanto maior for a concentração de microrganismos e que quanto mais frágil for o sistema imunitário da pessoa, maior é a probabilidade de desenvolver infeções e doenças.

“Uma pessoa com um sistema imunitário fraco, sofrerá consequências mais graves”, reforça Isabel Ratão.

As tampas das garrafas térmicas podem constituir um desafio para higienização. Em muitos casos, as tampas têm um sistema de fecho por rosca caracterizado por reentrâncias e rugosidades. Estes formatos “aumentam a potencialidade de acumulação de microrganismos e qualquer outra sujidade”.

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Também a temperatura dos líquidos que são colocados nas garrafas térmicas pode contribuir para uma maior ou menor propagação de microrganismos, alerta Isabel Ratão.

“Quanto mais fria estiver a água colocada na garrafa, menor será a probabilidade da multiplicação microbiana”, esclarece a especialista. Por outro lado, a quantidade de microrganismos “aumenta muito” quando se coloca na garrafa “água à temperatura ambiente” – pois é uma temperatura mais favorável ao desenvolvimento de fungos e bactérias.

Se conservar neste recipiente térmico líquidos diferentes de água, é aconselhado ter cuidados redobrados na higienização, uma vez que estas bebidas contêm “mais nutrientes disponíveis para os microrganismos” se multiplicarem.

Mesmo antes de serem detetados visualmente, “a acumulação de biofilmes [comunidades biológicas organizadas] pode causar vários sintomas”, tais como os referidos na publicação – infeções gastrointestinais, dores de barriga e vómitos, infeções pulmonares ou febre.

“Em todos os casos, o que temos de fazer é prevenir estas situações através de uma correta higienização das garrafas térmicas”, remata Isabel Ratão.

Dicas para manter a garrafa térmica higienizada

Lavar a garrafa térmica regularmente pode reduzir significativamente o risco de contaminação por bactérias e fungos. Isabel Ratão deixa alguns conselhos para manter este recipiente higienizado e em segurança.

Enxaguar a garrafa não é suficiente para eliminar os microrganismos. É necessário lavar o recipiente com água e detergente e utilizar um escovilhão de limpeza para destruir as comunidades biológicas que se acumulam nas zonas rugosas ou com reentrâncias – como a tampa. No final, deve-se enxaguar eficazmente para retirar os microrganismos e o detergente.

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Poderá também mergulhar-se a garrafa e a respetiva tampa em água a ferver para potenciar o processo de limpeza. Isabel Ratão sublinha que “a combinação da temperatura elevada da água com a ação mecânica do escovilhão melhora as condições de higienização”.

A especialista deixa outro conselho para manter a garrafa térmica em segurança durante mais tempo: “Nunca partilhar a garrafa com outras pessoas.” Quando alguém bebe diretamente de uma garrafa, a microbiota presente na boca dessa pessoa “vai contaminar a garrafa”.

“Nós somos resistentes à nossa própria microbiota, mas não necessariamente à dos outros”, explica a especialista em segurança alimentar, lembrando que a partilha de recipientes de uso individual pode levar à propagação de vários tipos de doenças.

Em suma, não é a garrafa térmica, em si, que é perigosa e é possível fazer uma correta higienização destes recipientes. No entanto, é verdade que a acumulação de microrganismos pode constituir um risco para a saúde. Para evitar infeções e doenças, aconselha-se que lave cuidadosamente as áreas rugosas e com reentrâncias – nomeadamente da tampa.


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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

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