Fumar pode aumentar o risco de menopausa precoce?
O histórico familiar é um fator de risco conhecido para a menopausa precoce. Isto significa que se a mãe de uma mulher teve a menopausa antes dos 45 anos, é provável que essa mulher passe pela mesma situação. Mas existem outros fatores que podem contribuir para uma menopausa precoce. É verdade que fumar também aumenta o risco? Qual o impacto do tabaco nas hormonas femininas e na saúde dos ovários?
É verdade que fumar aumenta o risco de menopausa precoce?
Sim, fumar pode aumentar o risco de uma mulher ter menopausa precoce. Quem o diz, em declarações ao Viral, é a pneumologista Sofia Ravara, coordenadora da Comissão de Trabalho de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP).
Várias instituições de saúde nacionais e internacionais também referem o tabaco como fator de risco para a menopausa precoce (ver aqui, aqui, aqui e aqui).
Por norma, a menopausa, ou seja, a fase em que os ovários deixam de funcionar devidamente, ocorre “entre os 45 e os 55 anos”, refere Sofia Ravara (ver também aqui).
Segundo o Consenso Nacional sobre Menopausa de 2021, um documento da autoria da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG), quando “ocorre antes dos 45 anos, mas depois dos 40”, considera-se que é uma menopausa precoce.
Caso a mulher tenha sintomas de menopausa antes dos 40 anos pode significar que tem insuficiência ovárica prematura (IOP).
A menopausa, por si só, “tem um grande impacto, quer na saúde física da mulher, quer na saúde mental”, defende Sofia Ravara.
Está associada “a disfunção sexual, diminuição da libido, aumento do risco de doença cardiovascular, de osteoporose, depressão, insónias, entre outras”, exemplifica a médica. Quando existe uma menopausa precoce ou uma insuficiência ovárica prematura, todos estes riscos aumentam.
Apesar de a relação entre o tabaco e a menopausa precoce (ou a IOP) não ser causal, a evidência aponta para uma associação, ou seja, mulheres que fumam correm um risco acrescido de passarem pela menopausa antes dos 45 anos (ver aqui).
Aliás, “fumadoras parecem ter um risco duas vezes superior de IOP”, por isso, “mulheres com risco acrescido de IOP devem ser aconselhadas a não fumar”, salienta-se no documento da SPG.
Isto porque, segundo Sofia Ravara, o tabaco é composto por substâncias tóxicas que têm a capacidade de interferir com a função dos ovários.
Numa revisão recente do Journal of Ovarian Research, citada pela especialista, expõe-se, sobretudo, “os potenciais efeitos adversos dos tóxicos comuns encontrados no fumo do tabaco, como os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH), metais pesados como o cádmio, alcaloides, como a nicotina, e o seu principal metabolito, a cotinina, o benzo(a)pireno e as aminas aromáticas”.
De acordo com o estudo, a evidência disponível sugere “que mulheres expostas ao fumo de cigarro experimentam uma redução significativa no volume ovariano em comparação com mulheres da mesma idade que não foram expostas”.
Em específico, os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos presentes no tabaco “podem potencialmente danificar as células germinativas do ovário, levando à disfunção folicular e à diminuição dos níveis de estrogénio no sangue”, salienta-se.
Além disso, o aumento do stress oxidativo provocado pelos componentes do tabaco “leva a alterações e disfunções no ADN”, aponta Sofia Ravara. Tudo isto tem potencial para “afetar quer o volume ovárico, quer a síntese das células ováricas”, acrescenta.
A revisão do Journal of Ovarian Research sugere ainda que “os efeitos deletérios do tabagismo na função ovárica podem ser irreversíveis” e que, geralmente, “as mulheres que fumam entram na menopausa um ano mais cedo do que as mulheres que não fumam”.
Que outros fatores contribuem para o aumento de risco de menopausa precoce?
Sofia Ravara começa por salientar a importância do “risco familiar”, ou seja, mulheres com mães que tiveram menopausa precoce têm maior probabilidade de também terem a menopausa antes dos 45 anos.
A menopausa precoce também pode ser “uma consequência de tratamentos oncológicos, como radioterapia e cirurgia (com retirada dos ovários)”, prossegue a especialista.
Segundo um texto publicado no MedlinePlus, um site de informação sobre saúde que pertence aos Institutos Nacionais da Saúde (NIH, na sigla inglesa) dos Estados Unidos, algumas doenças genéticas, metabólicas e autoimunes também podem aumentar o risco de menopausa precoce.
Noutro plano, se a mulher tiver “um número reduzido de folículos” ováricos, tem maior probabilidade de ter a menopausa antes dos 45 anos.
O Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa) refere, num texto, que se a mulher “começou a menstruar cedo (antes dos 8 anos)” ou se toma “certos medicamentos hormonais”, também corre um maior risco de menopausa precoce.
- Aditivo alimentar de Bill Gates causa infertilidade nos homens?
- Picar os dedos de alguém durante um AVC pode salvar-lhe a vida?
- Deve lavar os ovos antes de os guardar no frigorífico?
- Ómega 3, coenzima Q10 e melatonina: Todas as mulheres acima dos 45 anos devem tomar estes suplementos?
- Ano Novo: 10 hábitos que deve abandonar em 2025
- Podcast: Alimentos “venenosos” vs “milagrosos”: Os riscos das visões extremas sobre alimentação
Etiquetas: