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Comer fruta com pesticidas provoca cancro? O que se sabe até agora

24 Out 2025 - 08:45

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Comer fruta com pesticidas provoca cancro? O que se sabe até agora

Os pesticidas são produtos químicos utilizados para matar ou controlar insetos, plantas, roedores ou outras pragas — esta é a utilização mais típica, necessária para a saúde e segurança alimentar pública. Mas também podem ser utilizados para melhorar a aparência de relvados, jardins e outros espaços verdes.

No dia a dia, de forma geral, as únicas pessoas que têm um contacto mais assíduo com pesticidas são aquelas cuja profissão as obriga a usar esses compostos: jardineiros, agricultores, entre outros.

Será que a exposição contínua a pesticidas pode causar cancro? E uma exposição secundária, como quando se come fruta com casca?

Exposição a pesticidas na alimentação causa cancro?

“A maioria das pessoas só têm contacto com quantidades muito pequenas de pesticidas no dia a dia”, de acordo com o Cancer Research UK.

Segundo a mesma instituição, os resíduos de pesticidas que ficam na fruta “não provocam cancro” porque os valores são regulados — os agentes económicos envolvidos na produção e na comercialização de produtos agrícolas obrigados a respeitar os limites máximos de resíduos (LMR).

Em 2023, em declarações ao Viral, Isabel Ratão, professora na área da segurança alimentar no Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve (ISE), afirmou que, “à luz do conhecimento atual, é seguro ingerir [alimentos com resíduos de] pesticidas”.

O Cancer Research UK considera também que uma pessoa não corre risco de desenvolver cancro por usar um herbicida para o jardim de casa

“Alguns estudos sugerem uma possível ligação entre o glifosato [composto usado em herbicidas] e alguns tipos de cancro. Mas esses estudos são com pessoas que estão expostas a pesticidas em níveis mais elevados, como agricultores e outros trabalhadores agrícolas”.

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O glifosato é considerado pela IARC como “possivelmente cancerígeno para humanos”, o que significa que a evidência é limitada. Esse composto é proibido em Portugal desde 2020 por ser tóxico — não cancerígeno —, mas, no final de 2024, voltou a ser permitida nos Açores em casos excepcionais, em áreas geográficas limitadas e mediante avaliação prévia de um técnico.

Os estudos que mostram ligações entre a exposição a pesticidas e o desenvolvimento de cancro baseiam-se essencialmente em trabalhadores agrícolas. Uma meta-análise publicada em 2021 concluiu que “os agricultores com exposição documentada a pesticidas apresentaram um risco 20% maior de cancro cerebral”.

Uma outra análise, publicada no mesmo ano, que olhava para casos de cancro da mama, pulmão, próstata, linfoma não Hodgkin e colorretal, teve conclusões menos claras: “A agricultura e os pesticidas representam exposições diversas que são difíceis de quantificar em estudos epidemiológicos”, escrevem os autores.

“A integração de estudos epidemiológicos e toxicológicos com atenção à plausibilidade biológica, modo de ação toxicológica e relevância para os seres humanos aumentará a capacidade de avaliar melhor as associações entre pesticidas e cancro”, aponta-se.

De forma a garantir que a exposição é a mais baixa possível, os profissionais devem usar equipamentos de proteção, como fato de proteção impermeável, luvas de nitrilo ou neopreno, que devem ser lavadas e substituídas regularmente. Devem também usar óculos de proteção ou viseira e máscara com filtro adequado.


Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.

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A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.

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24 Out 2025 - 08:45

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