PUB

Fact-Checks

Alimentação

Fritadeiras a ar são mais saudáveis? Conheça as vantagens e as desvantagens

27 Jun 2022 - 09:00

Alimentação

Fritadeiras a ar são mais saudáveis? Conheça as vantagens e as desvantagens

Cada vez está mais na moda adquirir uma fritadeira a ar (air fryer). Tal como o nome indica, estes equipamentos fazem circular o ar e a gordura sobreaquecidos pelos alimentos para os cozinhar. Ao utilizarem uma quantidade muito inferior de óleo relativamente às fritadeiras convencionais, estes aparelhos são muitas vezes considerados um meio de confecção mais saudável. O problema é que não há exatamente um consenso sobre se é preferível utilizar fritadeiras “tradicionais” ou a ar.

Rosa Vilares, nutricionista e professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) começa por dizer ao Viral que “em comparação com o processo de fritura convencional, o teor de gordura é francamente inferior e consequentemente o valor energético”. De acordo com a especialista, a utilização deste equipamento pode ser interessante para pessoas que estão a fazer restrição energética de forma a perderem peso.

Ainda sobre as vantagens, fonte oficial da Deco Proteste sublinha que “uma fritadeira a óleo utiliza um banho de óleo a alta temperatura para fritar os alimentos; nos modelos a ar, coloca-se uma colher de óleo num recipiente. Assim, as fritadeiras a ar têm a vantagem de usar menos óleo do que as tradicionais”. Além disso, as air fryer são mais práticas de usar, lavar e arrumar.

Em relação às desvantagens, a nutricionista da FMUP aponta que, ao cozinhar com uma fritadeira a ar, existe não só o risco de formação de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e aminas heterocíclicas, mas também de acrilamida, “que estão associados a um maior risco de cancro, assim como têm efeito deletério, por exemplo, a nível da fertilidade”.

Quando questionada sobre qual é a melhor forma de cozinhar os alimentos, Rosa Vilares esclarece que “ambas têm vantagens e desvantagens, pelo que há que avaliar as condições de saúde individuais de cada pessoa”. Também é importante, segundo a nutricionista, ter em conta a frequência com que se utiliza o método de confecção, o tipo de alimento que se cozinha e o modo como é confecionado (se o equipamento é utilizado corretamente ou não).

PUB

Já a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor garante que é preferível optar pelas fritadeiras tradicionais, porque “as fritadeiras a ar fritam a temperaturas elevadas, o que contribui para uma maior formação de acrilamida, face às fritadeiras convencionais”. Contrariamente, Rosa Vilares assegura que “os estudos recentes mostram que este método é capaz de diminuir a formação de acrilamida nos alimentos e não ao contrário”.

Mas, afinal, o que é a acrilamida e por que motivo é prejudicial à saúde?

“A acrilamida é uma substância que se forma por uma reação química natural entre açúcares (como glicose e frutose) e a asparagina, um aminoácido. Forma-se durante a confecção de alimentos a temperaturas elevadas”, informa a nutricionista da FMUP.

Esta substância surge essencialmente em “alimentos fritos, assados e submetidos a temperaturas elevadas, como as batatas fritas, cereais de pequeno-almoço, bolachas, pão e tostas, café ou sucedâneos de café. Não se forma, porém, quando os alimentos são cozidos em água ou a vapor, nem está associado a alimentos de origem animal (carne, peixe e produtos lácteos)”, acrescenta fonte oficial da Deco Proteste. Além disso, a acrilamida pode provocar cancro em animais e ser um risco para o Homem, por isso foi classificada como potencialmente cancerígena pela Agência Internacional para a Pesquisa do Cancro”, realça a mesma fonte.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) informa que “a acrilamida se forma, especialmente, se estiverem presentes açúcares redutores e asparagina livre, se a atividade da água for baixa e se a temperatura do produto ultrapassar 100 ºC”. Estudos referidos pela ASAE indicam, que especificamente em batatas fritas, “a quantidade de acrilamida aumenta com a temperatura assim como com o tempo de fritura, especialmente a temperaturas superiores a 175ºC”.

Que cuidados devemos ter quando fritamos os alimentos?

Para minimizar a formação de acrilamida, tanto Rosa Vilares como a Deco Proteste deixam alguns conselhos:

  • Deve-se selecionar alimentos com com baixo teor de açúcares redutores;
  • No caso das batatas, precisam de ser conservadas em temperaturas superiores a 6ºC, uma vez que quanto mais baixa for a temperatura de armazenamento, mais açúcares se formam;
  • Guardar as batatas num local escuro, para evitar que germinem (“grelem”);
  • Tirar bem a casca da batata, pois algumas têm mais açúcares redutores junto à casca;
  • Antes de as fritar, deve-se passar as batatas por água quente e secá-las bem, de modo a remover os açúcares;
  • As temperaturas acima dos 175ºC devem ser evitadas. Se forem cozinhadas no forno, não se deve exceder os 220ºC. As batatas só devem ser fritas até adquirem um tom dourado e não um tom acastanhado.

Além disso, referindo-se especificamente às “air fryer”, a nutricionista da FMUP alerta para: o uso de “quantidades mínimas de óleo ou preferencialmente de azeite e ler as instruções do fabricante”. Rosa Vilares ainda refere que é importante variar no método de confecção. A Deco aponta como recomendação final reduzir a “ingestão de fritos e doces, limitando-os a uma vez por semana”.

PUB
27 Jun 2022 - 09:00

Partilhar:

PUB