VITAL
Exposição à radiação UV aumenta o risco de melanoma ocular? Oftalmologista esclarece
O melanoma, em si, é um tipo de cancro que se desenvolve nas células que produzem pigmento – o que dá cor à pele, ao cabelo e aos olhos. Por isso, tal como se pode ter melanoma na pele, também é possível desenvolver a doença nos olhos. Mas isto significa que, à semelhança do melanoma cutâneo, a exposição à radiação UV também aumenta o risco de melanoma ocular?
É verdade que a exposição aos raios UV aumenta o risco de melanoma ocular?
Existem, sobretudo, dois grandes tipos de melanomas oculares: os melanomas intraoculares e os que ocorrem na superfície do olho.
Os intraoculares “têm origem nas células que produzem melanina (melanócitos) que existem no olho”, avança Ângela Carneiro, oftalmologista e professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), em declarações ao Viral e ao Polígrafo.
Na maioria das vezes, este melanoma desenvolve-se “na coroide, que é uma das camadas do olho”, mas também pode manifestar-se “na íris e no corpo ciliar”, esclarece.
Por norma, são tumores “hiperpigmentados (cor escura), mas podem existir melanomas amelanóticos”, que “são mais perigosos, porque têm uma cor mais clara e podem ser confundidos com outras neoplasias intraoculares”.
Em relação ao possível impacto da radiação UV no melanoma intraocular, pensa-se que “a exposição solar e os solários” podem aumentar o risco de desenvolver a doença, mas “não se tem a certeza se há uma relação tão linear”, até porque “o olho é um órgão feito para receber luz”, explica a oftalmologista.
Por outro lado, no caso dos melanomas da superfície do olho, o impacto da exposição aos raios UV está mais documentado.
Apesar de ser mais raro, os melanomas oculares também podem ocorrer na conjuntiva ou na pálpebra que, apesar de não serem dentro do olho, são estruturas que fazem parte do olho.
Nesses casos, a exposição ao sol e a utilização de solários podem aumentar o risco de melanoma ocular na superfície do olho (ver também aqui e aqui).
Ângela Carneiro considera importante salientar que “a exposição excessiva à radiação ultravioleta é sempre perigosa”, por isso “deve ser feita com cuidado”.
No caso dos olhos, deve-se “usar óculos de proteção, não só por causa do possível aumento de risco de melanoma, mas por causa de uma série de outras patologias”, sublinha.
Quais os fatores de risco conhecidos para o melanoma ocular?
O melanoma ocular é uma doença rara. Segundo Ângela Carneiro, a idade mais avançada, ter “os olhos e a pele mais claros” e a genética são fatores que aumentam o risco de desenvolver melanoma ocular (ver também aqui e aqui).
Além disso, o melanoma ocular também pode surgir devido a “lesões precursoras no fundo do olho e nas várias estruturas oculares”. Essas lesões chamam-se “nevos” (são uma espécie de sinais).
Os nevos no fundo ocular “são relativamente prevalentes na população”, mas “devem ser vigiados”, sublinha a oftalmologista.
Na maioria dos casos, o melanoma ocular é assintomático e “um achado ocasional” que “o oftalmologista encontra num exame normal de rotina, ao observar o fundo ocular do doente”, esclarece.
Em fases mais avançadas, o melanoma cresce e “podem surgir moscas volantes” (pequenas manchas visíveis apenas para o doente), podendo mesmo dar origem a “perda visual”, devido a possíveis “descolamentos da retina”, por exemplo.
Raramente e em casos muito graves, “podem ocorrer metástases” e o doente pode correr perigo de vida.
Assim, como em todos os cancros, a deteção precoce permite que a doença seja mais facilmente “tratável de maneira conservadora”, sublinha a médica. Caso contrário, “há o risco de enucleação (retirada do globo ocular)”.
Nesse sentido, Ângela Carneiro recomenda consultas regulares de oftalmologia, sobretudo “a partir dos 50 anos” e defende que qualquer “pigmentação anómala na superfície do globo ocular deve ser vista”.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
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